Conversamos sobre o resultado do 1T26 do Bradesco com Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital.
Qual a sua avaliação sobre o resultado do 1T26 do Bradesco?
Antes de começar a responder essa pergunta, é importante destacar que o Bradesco está em um processo de recuperação operacional, mas a sua carteira de crédito, que é o tendão de aquiles do banco, ainda possui alguns pontos sensíveis. Seguindo essa linha, o Bradesco teve um bom resultado no 1T26, com alguns números acima do que o mercado esperava em termos de receita e, especialmente, lucro líquido. O Bradesco conseguiu avançar fortemente na parte de seguros e em receitas que não vem da carteira de crédito.
Como pontos negativos, a inadimplência do 1T26 cresceu em relação ao 1T25 e alguns índices relacionados à carteira de crédito tiveram uma piora. Por exemplo, o Bradesco teve uma expansão da inadimplência total acima de 90 dias e da inadimplência de pessoas físicas, sendo que o banco é voltado ao varejo. O ponto é que quando se faz um trabalho de melhoria operacional, naturalmente ocorrem oscilações.
O ROAE aumentou para 15,8%. Essa rentabilidade ainda não pode ser comparada com a rentabilidade do Itaú, mas ela é muito alta para um banco que está reestruturando a sua carteira de crédito. Por fim, o valor de mercado do Bradesco está muito baixo em relação ao retorno que ele tem dado. Por exemplo, em termos de IPCA, o Bradesco está dando IPCA + 12%. Esse retorno é muito elevado.
Onde o Bradesco faz o seu resultado?
Como todo banco, na carteira de crédito. O Bradesco segue fazendo o seu resultado muito focado em pessoas físicas, apesar de ter conseguido uma certa estabilidade da carteira de pessoas jurídicas. Como a parte de seguros deu uma boa avançada, a parte de serviços, apesar de ter recuado em relação ao 4T25, avançou em relação ao 1T25. Isso é bom, pois mostra que outras frentes têm dado retorno ao banco.
Como você está vendo o trabalho de recuperação do Bradesco?
O Bradesco está trabalhando para reduzir a sua inadimplência. Como a carteira de crédito não estava em uma situação tão boa, isso faz com que esse trabalho se torne mais complexo. Por exemplo, enquanto o Itaú tem uma inadimplência total de 1,9%, a inadimplência do Bradesco está em 4,2%. É por isso que a redução da inadimplência do Bradesco é o ponto central da reestruturação da sua carteira.
Depois da inadimplência ter sido reduzida em 2025, ela ficou estável no 1T26, mas esse é um tipo de situação que demora muito tempo para ser resolvida, já que essas carteiras possuem prazos alongados. Contudo, a melhora operacional do Bradesco está em uma crescente, tanto que o lucro do banco aumentou 16,1% em relação ao 1T25.
Após a divulgação, o mercado bateu um pouco nas ações do Bradesco pela inadimplência ter ficado relativamente estável e pela pequena piora do índice de Basiléia, mas é importante destacar que o lucro recorrente do banco foi extremamente elevado. Com a atual restrição macroeconômica, não é fácil ter um crescimento de 16,1% do lucro nesse tipo de negócio. É por isso que, na minha opinião, o plano de recuperação do Bradesco está funcionando muito bem.
Qual a sua avaliação sobre o valor das ações do Bradesco?
As ações do Bradesco estão baratas. Elas estão sendo negociadas, praticamente, a valor patrimonial, o que é muito baixo, sendo que não há nada que diga que as ações do Bradesco devam ser negociadas a esses preços quando comparadas aos seus pares. Aqui fica a pergunta: que tipo de investimento consegue retornar IPCA + 12%?
Pelo atual valor da ação do Bradesco, é como se o banco fosse comprado sem ágio.
Qual a sua projeção de dividend yield do Bradesco para 2026? Essa projeção considera que valor da ação?
A nossa projeção de dividend yield é de 11%, sendo que ela considera a ação a R$ 22.
Depois da alta registrada na ação do Bradesco, ainda vale a pena se posicionar na ação ou seria melhor esperar?
A ação do Bradesco teve uma alta de mais de 80% desde que ela bateu no fundo em fevereiro de 2025, quando ela foi negociada a R$ 10 já descontados os dividendos. O ponto é que como a ação do Bradesco segue muito barata, ela ainda tem muito espaço para crescer. Por exemplo, o múltiplo atual está no mesmo patamar do múltiplo do ano passado. É por isso que a ação do Bradesco tem espaço para um forte crescimento.
Como você está vendo as perspectivas do Bradesco?
Como os grandes bancos nadam praticamente sozinhos no oceano brasileiro de crédito, o Bradesco tem uma posição muito favorável e relativamente tranquila para fazer a sua reestruturação. Logicamente, o banco precisa ter cuidado com a qualidade de crédito, já que uma economia muito contracionista acaba gerando maiores riscos para a quitação das obrigações. Independente disso, o cenário é muito favorável. Por exemplo, com a redução dos juros, o Bradesco terá tranquilidade para fazer com que a sua carteira de pessoas físicas avance.
Considerando a nossa conversa, você gostaria de acrescentar algum ponto à sua entrevista?
Como o custo de captação do Bradesco ficou mais caro em relação ao trimestre anterior, isso poderia ter reduzido a sua margem. Se o banco conseguir balancear esse custo e retornar ao patamar do trimestre anterior, ele vai ter um lucro recorrente ainda maior no próximo trimestre.

















