Brasil: 27 milhões deixaram de comer em algum momento na pandemia

Renda diminuiu para 8 em 10 famílias que ganham até 1 salário mínimo.

Em maio de 2021, 56% dos brasileiros declararam que o rendimento de seu domicílio diminuiu desde o início da pandemia, o que representa cerca de 89 milhões de brasileiros. Entre as pessoas que residem com crianças ou adolescentes, 64% disseram que a renda da família diminuiu.

É o que revela a terceira rodada da pesquisa “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, lançada pelo Unicef nesta quarta-feira.

As duas taxas são semelhantes às apresentadas na edição anterior da pesquisa, em novembro de 2020. Mas entre os mais pobres, a situação se agravou do final de 2020 para o momento atual. Entre novembro de 2020 e maio de 2021, aumentou de 69% para 80% o percentual de famílias com até um salário mínimo que disseram que sua renda diminuiu desde o início da pandemia. No outro extremo, entre aqueles com renda de mais de dez salários mínimos, o percentual de quem viu a renda diminuir permaneceu estável.

Com a queda na renda, aumentou a insegurança alimentar. Desde o início da pandemia, até maio de 2021, 17% dos brasileiros deixaram de comer em algum momento porque não havia dinheiro para comprar mais comida. Isso equivale a 27 milhões de brasileiros. Em novembro de 2020, eram 13% – o que é considerado estabilidade de acordo com as características da pesquisa. O impacto foi mais grave entre as famílias de classe DE, com 33% deixando de comer em algum momento.

A situação impacta diretamente a infância e a adolescência. Segundo a pesquisa, 13% dos entrevistados que moram com pessoas menores de 18 anos declararam que as crianças e os adolescentes do domicílio deixaram de comer por falta de dinheiro para comprar alimentos. Além disso, metade das famílias com crianças e adolescentes (48%) afirma não ter tido acesso à merenda escolar enquanto as escolas estiveram fechadas.

A pesquisa ouviu também a população sobre o retorno às aulas. Entre quem tem filhos em escolas que já reabriram, metade (48%) diz que a criança ou o adolescente voltou às aulas presenciais. Com isso, do total dos entrevistados que residem com crianças ou adolescentes, 20% afirmam que elas e eles estão participando das atividades escolares presenciais. A pesquisa revela, também, que 93% das escolas mantiveram atividades remotas.

A pesquisa foi realizada pelo Ipec para o Unicef. Foram feitas 1.516 entrevistas em cada uma das três rodadas, organizadas de modo a ser representativas da população-alvo do estudo. As entrevistas dessa rodada foram realizadas por telefone de 10 a 25 de maio de 2021. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Leia também:

Cresce na classe C aplicação para compor renda pós-aposentadoria

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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