Brasil aparece no escândalo mundial de lavagem de US$ 2 trilhões

Registros mostram pouca importância dos bancos e dos EUA a avisos de irregularidades.

Internacional / 21:12 - 21 de set de 2020

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Uma investigação de 16 meses realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), BuzzFeed News e 108 veículos da mídia em 88 países descobriu que o HSBC forneceu serviços bancários a supostos criminosos, golpistas de Ponzi, empresas de fachada vinculadas a fundos governamentais saqueados e intermediários financeiros para drogas traficantes.

Registros vazados mostram que o HSBC processou pelo menos US$ 31 milhões, entre 2014 e 2015, para empresas que posteriormente revelaram ter movido fundos roubados do governo do Brasil.

A investigação, chamada FinCEN, descobriu que a filial altamente lucrativa do HSBC em Hong Kong (cerca de metade dos lucros do banco, nascido no século 19 então protetorado britânico e hoje com sede em Londres, vem de lá) desempenhou um papel fundamental em manter o fluxo de dinheiro sujo.

FinCEN é a sigla do escritório de inteligência dentro do Departamento do Tesouro dos EUA, conhecido como Financial Crimes Enforcement Network. Os jornalistas alertam que relatórios de atividades suspeitas refletem as preocupações dos vigilantes dos bancos e não são necessariamente evidências de qualquer conduta criminosa ou transgressão. Os arquivos contêm informações sobre transações datadas entre aos anos 2000 e 2017 que foram sinalizadas por instituições financeiras como suspeitas para as autoridades dos Estados Unidos, conhecidas pela sigla SAR. Os dados envolvem US$ 2 trilhões em transações.

Em nota ao ICIJ, o HSBC defendeu as mudanças que o banco fez sob a supervisão a partir de 2012. “O HSBC é uma instituição muito mais segura do que era em 2012.”

Alexis Grullon, ex-diretor de conformidade que monitorou atividades suspeitas internacionais nos escritórios do HSBC em Nova York de novembro de 2012 a agosto de 2014, disse aos jornalistas que um componente-chave de seu trabalho era enviar SARs ao governo federal, mas que os relatórios pouco faziam para impedir as atividades suspeitas dos clientes. “Por que estamos arquivando SARs?” Grullon se lembra de ter se perguntado. “A conta ainda está aberta. Nada está realmente sendo feito.”

As ações do HSBC na Bolsa de Hong Kong atingiram nesta segunda-feira o menor valor desde 1995.

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