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domingo, janeiro 17, 2021

Brasil dos sonhos

Ao tentar se desvincular das crescentes pressões pela demissão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ignorar a origem das versões que a incluíam entre os críticos de Meirelles, mas admitiu, em tom de blague: “Será que eu falo dormindo?” Não se pode assegurar que a ministra sonhe com a demissão de Meirelles, mas Freud já nos ensinou que o chiste, geralmente, é revelador de um desejo inconsciente. E se esse é um sonho de Dilma, então, ela compartilha o imaginário popular com cerca de 180 milhões de brasileiros.

Repeteco
Enquanto a economia mundial continuar de vento em popa, a brincadeira com o câmbio a menos de R$ 2,10 vai muito bem. “É uma maravilha que economistas chamam de populismo cambial. É âncora para a inflação, ajuda o consumo da classe média…”, alfineta o prefeito do Rio, Cesar Maia, em seu Ex-blog. Mas como ninguém imagina que o mar de almirante da economia mundial seja eterno, o Brasil se arrisca a ver de novo o filme que, com FH na direção, provocou a fuga em alta velocidade de pelo menos US$ 60 bilhões.
“Quando a economia internacional muda de vento o câmbio baixo se transforma no caminho mais curto para a transformação da crise externa em caos interno. O Brasil já viveu isso no final do primeiro Governo FH”. “O remédio foi a recessão, com o custo social respectivo”, afirma Maia, que finaliza: “Quem viver, verá”.

Custo BC
As perdas causadas ao Brasil pela autonomia do Banco Central em relação a qualquer tipo de controle que não os interesses do mercado financeiro não se restringem aos escandalosos gastos com juros, que consumiram R$ 590,639 bilhões apenas nos quatro anos do primeiro mandato do Governo Lula. Ao manter o país na desconfortável posição de detentor da maior taxa de juros do mundo, o BC amplifica, via câmbio, o crescente processo de desindustrialização do Brasil, que criou a inédita e inacreditável situação de, em 2006, as empresas nacionais aplicarem 50% mais no exterior do que a soma dos investimento externos diretos (IEDs) no país.
Os estragos provocados pela autonomia do BC se estendem ao estímulo à especulação nos mercados futuros de dólar, que já elevaram a US$ 15 bilhões as apostas contra a cotação da moeda norte-americana, tendo apenas o Banco Central como “comprado”.
Ao longo de quatro anos de populismo cambial no primeiro mandato de FH, o ex-ministro Delfim Netto estimou em US$ 100 bilhões os prejuízos causados ao país pela aventura do real sobrevalorizado. Esse cálculo, porém, se restringia às perdas provocadas à balança comercial, que, de superavitária, se tornou cronicamente deficitária. Continua aberta conta total em empregos, investimentos e custos sociais.

Acidentes
O índice de acidentes na malha rodoviária sob regime de concessão do Estado de São Paulo caiu 11% em 2006, na comparação com o ano anterior. No mesmo período, registrou-se diminuição de apenas 1% no índice de mortos e de 4% no de feridos. O estudo integra levantamento da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Foram 26.036 acidentes registrados no ano passado, com 13.890 vítimas feridas e 678 fatais. Em 2005, registrou-se um acidente a cada 18,4 minutos; em 2006, o período aumentou para 20,2 minutos.

Salvação
O número de candidatos a concursos públicos em todo o país deve bater nos 5 milhões este ano, avalia a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac). Deverão ser abertas 100 mil vagas na União, estados e municípios, o que dará uma média de 50 candidatos por vaga. A Anpac lista a estabilidade, melhores ganhos e a substituição dos terceirizados como os principais fatores que aguçam a busca pelo cargo público. E esta coluna completa: o alto desemprego e as baixas perspectivas no setor privado.

Interruptor
“Termelétrica boa é termelétrica desligada.” A frase é do ex-presidente da Eletrobras Luiz Pinguelli Rosa, criticando a opção de FH, referendada por Lula, de inclusão das térmicas na matriz energética brasileira. “Termelétrica desligada não emite CO2, o que já é uma vantagem. Porém, o contrato de fornecimento de gás é take or pay, pois ninguém se preocupou em criar um mercado secundário”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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