Brasil e China não precisarão mais de dólar para transações comerciais

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RMB (foto de Zhang Chunlei, Xinhua)
Um funcionário conta a moeda chinesa Renminbi (RMB) num banco em Linyi, Província de Shandong, leste da China, 11 ago, 2015.

O banco Bocom BBM se torna a primeira instituição financeira da América Latina a fazer parte do Cross-Border Interbank Payment System (Cips), um sistema de liquidação de transações denominadas em renminbi (iuan) controlada pelo Banco Central da China.

Um acordo entre os governos brasileiro e chinês foi anunciado nesta quarta-feira para que exportadores possam fazer negócios sem necessidade de utilizar o dólar. Chile e Argentina já contam com sistema semelhante.

A assinatura do acordo ocorreu durante a missão empresarial brasileira a Beijing, com objetivo de reforçar o interesse do Brasil e da China em reafirmar a relação e as negociações entre os países. Os BCs do Brasil e da China haviam acertado em fevereiro um memorando de entendimento sobre o estabelecimento de acordos de compensação do iuan no Brasil.

A parceria tem a oposição dos Estados Unidos, já que enfraquece a utilização do dólar como moeda dominante nas transações globais.

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Criado em 2015, o Cips tem por objetivo facilitar o uso da moeda chinesa em transações internacionais, contribuindo para expandir as oportunidades de negócios entre a China e os demais países.

A participação do Bocom BBM “contribui para promover o maior uso do renminbi em transações comerciais e financeiras entre os dois países, considerando a crescente importância da China como destino das exportações brasileiras e a expansão dos empreendimentos e fluxos de investimentos chineses no país”, informa o banco. Entre as inúmeras vantagens, com o Cips será possível a realização de remessas em renminbi 24 horas por dia, quando pelo modelo atual, só poderia realizar isso durante horário local.

“Temos notado um aumento no interesse das empresas pelo uso do renminbi e acreditamos que esse acordo fortalecerá as transações interfronteiriças entre Brasil e China e uma relação comercial ainda mais próxima entre os dois países”, comenta Alexandre Lowenkron, presidente-executivo do Bocom BBM, que participou da comitiva em Beijing.

Hoje considerada a quinta moeda mais ativa do mundo, o acordo firmado entre Brasil e China possibilitará a redução dos custos de transação direta entre iuan e real em uma maior oferta de operações de proteção (hedge) de variação cambial entre as moedas.

O Bocom BBM teve sua origem em duas instituições financeiras com longas histórias na China e no Brasil. O Bank of Communications é um dos cinco maiores bancos comerciais da China. O BBM, fundado em 1858, originou-se do Banco da Bahia.

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