‘Brasil está de parabéns’

Avaliação do presidente sobre aumento das queimadas

Conjuntura / 22:30 - 17 de set de 2020

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Brasil está de parabéns”. Assim o presidente Jair Bolsonaro destacou nesta quinta-feira a atuação do seu governo para preservar o meio ambiente, no mesmo dia em que dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontava aumento de 208% nas queimadas no Pantanal entre 1 de janeiro e 16 de setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019. “Não entendo como é o país que mais recebe ataques vindos de fora”, afirmou o presidente.

Ao participar da inauguração da Usina Fotovoltaica Coremas III, em Coremas, na Paraíba, Bolsonaro disse que “nosso governo é um governo de respeitar contratos e buscar parcerias e cada vez fazer com que empreender no Brasil seja menos complicado”.

No dia anterior, um grupo formado por oito países europeus enviou uma carta ao vice-presidente Hamilton Mourão para cobrar respostas do governo contra os danos ambientais no país. “Estamos extremamente preocupados com essa tendência e seus efeitos negativos, dentre outros, sobre as opções de desenvolvimento sustentável no Brasil, as opções de subsistência de povos indígenas e comunidades locais, bem como sobre as florestas primárias e a biodiversidade dentro e fora das florestas”, diz o texto, assinado pelos países que se reúnem em nome das Parcerias das Declarações de Amsterdã – Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido, Itália, Noruega e Bélgica.

Mesmo sem demonstrar tom de ameaça, o grupo alertou sobre um possível boicote aos produtos brasileiros e pedindo “ações imediatas”, os formuladores lembram que há pressão nos países europeus para que os alimentos sejam de origem segura e sustentável.

Nesta quinta-feira, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) foi eleito presidente da comissão especial externa que vai acompanhar as ações de enfrentamento aos incêndios na região do Pantanal. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) será o relator da comissão. Também integram o grupo as senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Soraya Thronicke (PSL-MS). A reunião de instalação do colegiado foi realizada de forma remota.

A comissão já aprovou seu primeiro requerimento, apresentado por Wellington, para a realização de uma visita a Mato Grosso, nas regiões afetadas pelas queimadas. A viagem deve ocorrer no próximo sábado (19). Ele disse que o momento é de muita angústia e agradeceu as manifestações de apoio que tem recebido de entidades governamentais e da sociedade civil. “Queremos uma grande parceria. Vamos buscar soluções para a preservação do Pantanal” declarou.

 

Alvo na ONU

 

Pela primeira vez em seu período democrático, o Brasil é alvo de uma recomendação oficial para que uma investigação internacional ocorra sobre o governo Jair Bolsonaro por suas políticas ambientais e de direitos humanos. A iniciativa partiu do relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Baskut Tunkat. Para que a investigação ocorra, governos têm de apresentar um projeto de resolução e aprovar a proposta por um voto da maioria. O texto deve ser entregue ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, no final desta semana, de acordo com informações publicadas pelo jornalista Jamil Chade.

O relator fez uma missão ao Brasil no final de 2019 e identificou diversas violações nas obrigações ambientais e de direitos humanos do País, informa a reportagem. “Se deixada sem controle, a situação no Brasil se transforma não apenas em uma catástrofe nacional, mas também em uma catástrofe com repercussões regionais e globais fenomenais, incluindo a destruição de nosso clima”, alertou o documento.

 

Foram avaliadas queimadas, ataques contra ativistas de direitos humanos, a resposta de autoridades ao derramamento de petróleo nas praias nordestinas, e ao rompimento da barragem de Brumadinho e Mariana, cidades de Minas Gerais.

O relator da ONU destacou “vídeos recentes de ministros conspirando para usar a crise do coronavírus para enfraquecer as proteções validam as preocupações”. Ele fez referência à divulgação de conteúdo de um vídeo da reunião ministerial que aconteceu no dia 22 de abril, quando Salles sugeriu que o governo deveria aproveitar a atenção da imprensa voltada à pandemia de Covid-19 para aprovar “reformas infralegais de desregulamentação e simplificação”, na área do meio ambiente e “ir passando a boiada’.

 

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