Brasil exportou mais de US$ 53 milhões em games em 2020

Jogos de celulares, computadores e consoles são exportados para mercados como EUA, Canadá e Europa.

O Brasil vem se consolidando como um grande desenvolvedor e exportador de jogos de videogame para aparelhos móveis, computadores e consoles. Somente no ano passado, o país exportou mais de US$ 53 milhões em games. Os principais destinos foram EUA, Canadá e Europa. Mas o setor está de olho nos países asiáticos como China, Índia e até países árabes como Egito e Emirados.

De acordo com a vice-presidente da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames), Carolina Caravana, vários polos de desenvolvimento de jogos estão sendo criados no Brasil, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Distrito Federal e na Região Norte. “No Distrito Federal e no Norte estamos observando o maior crescimento de novas empresas nos últimos dois anos, e muitas nascem e já são compradas por empresas maiores, tanto do Brasil como do exterior”, disse Caravana à ANBA.

O maior volume de jogos lançados é de jogos para celular, os chamados “hiper casuais”, que geralmente são mais rapidamente desenvolvidos e mais fáceis de serem colocados no mercado.  Eles, no entanto, não prendem tanto o jogador como outros formatos. Caravana afirma que os games para celular são os que mais são exportados em termos de volume, mas não necessariamente os que trazem mais receita. “Há vários modelos de empresa e de desenvolvimento de jogos, e todas vendem bastante, é difícil precisar qual vende mais”, disse.

“É importante notar que dentro da área de celulares tem uma empresa brasileira unicórnio, chamada Wildlife, que é avaliada em US$ 1,3 bilhão”, contou Caravana, que é também sócia e produtora na empresa de games Aiyra. Empresas unicórnios são startup que possuem avaliação de mercado de mais de US$ 1 bilhão.

Um jogo conhecido mundialmente, o Call of Duty, teve seu design desenvolvido por uma empresa brasileira, a Kokku. Alguns dos jogos brasileiros mais conhecidos no mundo, segundo Caravana, são o Horizon Chase, Dandara, Pixel Ripped, Starlit Adventures e Wonderbox. Ela citou ainda o jogo brasileiro Gravitational, em que o protagonista é uma pessoa com deficiência que está em uma cadeira de rodas futurista.

“Uma curiosidade, no Brasil, mais de 51% das pessoas que jogam videogames é mulher, a maioria dos jogadores. Além disso, constatamos que 40% dos jogadores é negro, quase metade, e é muito relevante que as empresas levem isso em consideração durante a criação dos jogos” disse a empresária, acrescentando que é uma tendência pensar em públicos diferentes, contar histórias diferentes, pensando no jogador e no entretenimento de uma forma responsável. “A diversidade pode ser não só uma coisa importante e pode ser divertida, legal, curiosa”, avaliou.

O mercado de jogos cresceu mundialmente desde o início da pandemia de covid-19. Caravana conta que o Google reportou que a quantidade de jogos publicados dobrou internacionalmente. “Empresas que já estavam com jogos prontos para serem lançados viram um aumento muito grande nessa parte de consumo. Houve alta também no mercado educacional. Algumas empresas fecharam ou saíram do país, mas de forma geral houve um aquecimento no ecossistema e o setor cresceu sim”, disse.

Os principais destinos dos jogos brasileiros são EUA, Canadá, e segundo Caravana, algumas empresas estão conseguindo ter uma boa performance em países asiáticos como a China e a Índia, que têm grande potencial. Países árabes como Egito e Emirados Árabes também são mercados promissores, com diversos eventos voltados ao setor, conta Caravana.

“Para os países que têm uma diferença cultural muito grande, muitas vezes é difícil fazer a localização dos jogos para esses mercados, e para isso, as empresas costumam ter consultoria para obter informações sobre esses mercados”, disse Caravana. Localização é a adaptação do jogo tanto ao idioma quanto às leis e costumes de um novo mercado.

Ela afirma que o processo de localização no Brasil conhecidamente tem um cuidado com as adaptações a cada país, não só em relação ao idioma, mas à classificação indicativa, público-alvo, entre outras minúcias.

“Empresas mais maduras já levam isso em consideração, e para o projeto exportador, a gente tenta trazer essa maturidade para as empresas mais jovens”, disse, mencionando o projeto de promoção setorial que a Abragames tem com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) desde 2016 e que foi renovado até 2023.

Ela conta que a cada ano o projeto vai se modificando aumentando as atuações que funcionam e deixando de lado o que não deu certo. O projeto leva os jogos e empresas nacionais para eventos internacionais e também traz compradores estrangeiros para o Brasil por meio de eventos, ações e rodadas de negócios. Quanto aos árabes, a vice-presidente afirmou que eles são muito ligados à inovação e à realidade estendida. “É muito forte essa crescente, nós temos tido vários contatos e diversos eventos são realizados no Egito e em Dubai. O Egito está tentando crescer e Dubai tem muitos brasileiros indo dar consultoria relacionada a jogos e gamificação para educação, museus. A realidade estendida é um lugar de atenção nesse mercado”, disse.

 

Agência de Notícias Brasil-Árabe

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