Brasil gastou mais de R$ 10 trilhões com a dívida em 7 anos e ainda deve R$ 6 trilhões

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Banco Central (Foto: Lúcio Távora/Agência Xinhua)
Sede do Banco Central (foto de Lúcio Távora, Xinhua)

Desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, de 2016, que instituiu o Teto de Gastos que atinge investimentos e verbas sociais, mas poupa as despesas financeiras, o Governo Federal já gastou quase R$ 10,5 trilhões em pagamentos executados a título de Dívida Pública Federal (DPF).

O levantamento foi feito por Paulo Lindesay, diretor da Assibge-SN e coordenador da Auditoria Cidadã Núcleo RJ.

Apesar dos pagamentos trilionários, o estoque da DPF em abril de 2023 somava R$ 6,032 trilhões. A maior parte dos gastos foi realizada no governo de Jair Bolsonaro.

No governo de Michel Temer, que assumiu após o golpe em Dilma Rousseff, os pagamentos foram:

Espaço Publicitáriocnseg
2016R$ 1,130 trilhão2017R$ 987 bilhões2018R$ 1,065 trilhãoTotalR$ 3,182 trilhões

No governo Bolsonaro foram empregados no pagamento de juros e na rolagem da dívida:

2019R$ 1,037 trilhão2020R$ 1,381 trilhão2021R$ 1,961 trilhão2022R$ 1,879 trilhãoTotalR$ 6,258 trilhões

Com isso, os dois governos pagaram cerca de R$ 9,439 trilhões. Em apenas cinco meses, o governo Lula já pagou para o serviço da Dívida Pública Federal R$ R$ 1,047 trilhão (soma de R$ 79,6 bilhões em juros com R$ 967 bilhões em amortização). A previsão do pagamento aprovado na LOA/2023, proposta por Paulo Guedes, ministro de Bolsonaro, é de R$ 2,572 trilhões.

Juros de Campos Neto

Só no primeiro trimestre de 2023, apenas os juros da dívida já consumiram R$ 181,7 bilhões. Em 12 meses, são R$ 693,6 bilhões. Se a taxa básica de juros (Selic), que está em 13,75% ao ano, não baixar rapidamente, o pagamento de juros da dívida nesse ano deve consumir mais de R$ 700 bilhões, equivalentes a quase o montante de cinco PECs da Transição, calcula o Dieese.

O cálculo não inclui as amortizações. “Para comparar, o gasto com o serviço da dívida apenas no primeiro bimestre do ano [R$ 116 bilhões] equivale a 80% de todo o montante de gastos sociais previsto pela PEC da Transição para 2023”, mostra o estudo do Dieese.

Apesar da redução da inflação e mesmo diante dos elevados pagamentos de juros, a diretoria do Banco Central – escolhida por Bolsonaro e tendo à frente Roberto Campos Neto – ameaça manter a taxa Selic na reunião que começa nesta terça-feira e termina na quarta-feira.

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