Brasil não tem peso político para enfrentar hackers estrangeiros

Malware ainda é a principal preocupação cibernética das empresas na América Latina.

Após investigações, autoridades constataram que os ataques cibernéticos à JBS e ao Grupo Fleury foram realizados por um grupo russo de hackers chamado Revil. O crime, do tipo ransomware, tem como principal objetivo pedir dinheiro pelo resgate dos dados e funcionamento dos sistemas. A grande questão exposta neste caso e que precisa urgentemente ser enxergada é que o Brasil se tornou alvo de grandes organizações criminosas internacionais.

De acordo com Augusto Schmoisman, especialista em defesa cibernética e CEO da Citadel Brasil, depois que o Presidente americano Joe Biden se reuniu com o presidente da Rússia Vladimir Putin para discutir a questão dos ataques de hackers russos às unidades do governo e empresas americanas, esses criminosos passaram a focar suas ações em outros países, principalmente no Brasil. “Aqui, o governo atual não tem poder político para combater esse tipo de situação, muito menos enfrentar o presidente russo. A verdade é que não estão fazendo nada para modificar esse cenário e, por isso, afirmo que daqui poucos meses a situação vai piorar”, diz o especialista.

Augusto ainda explica que, no caso dos ataques à JBS e ao Fleury, os criminosos perceberam que as defesas das empresas brasileiras não estão à altura e que a maioria delas tem dinheiro para realizar pagamentos de resgates. “O Brasil está atraindo a atenção de outros grupos dentro dos fóruns de ataques na Deep Web. As invasões aqui são relativamente fáceis. Eles já sabem que podem roubar sem sofrer consequências, em um lugar onde os resgates são mais baratos do que deixar a empresa inoperante. Não há como esperar um final feliz”, afirma.

Já relatório anual da Eset, intitulado Eset Security Report 2021, analisou o panorama de segurança das empresas latino-americanas com base em pesquisas realizadas com mais de 1000 executivos e representantes de empresas de 17 países da região, que também inclui dados obtidos da telemetria da Eset para melhor compreender a paisagem atual. O relatório destaca quais são as preocupações das empresas, os principais incidentes de segurança sofridos no último ano e quais os principais mecanismos de gestão da segurança que as organizações implementam nos tempos atuais.

Ao contrário do que aconteceu nas últimas edições do relatório de segurança da Eset, desta vez a infecção por malware, que geralmente ocupava o terceiro lugar entre as três principais preocupações, tornou-se a maior preocupação das organizações (64%).

Com o isolamento, o trabalho remoto, em 2020, a evolução do ransomware foi demonstrada. Este código malicioso não apenas registrou atividades significativas, mas os grupos de ransomware também evoluíram para uma maior sofisticação e uso de novas técnicas. Essas mudanças estão diretamente relacionadas às preocupações, não apenas pelo fato de o ransomware ser um tipo de malware, mas porque em 2020 muitos grupos passaram a adotar o roubo de informações em sua estratégia – além do uso de outras técnicas.

Por outro lado, como mostra o relatório, ameaças bancárias registraram queda no número de detecções no ano passado, mas várias famílias de malwares bancários que comumente visam países latino-americanos foram analisadas e no ano passado expandiram seu espectro geográfico, visando a países europeus (principalmente Espanha) e os EUA. As campanhas que distribuem cavalos de Troia bancários geralmente são altamente direcionadas a determinados países e, no ano passado, Brasil, México, Chile e Argentina foram os mais visados, enviando principalmente e-mails de phishing.

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