Brasil pode liderar mercado mundial de carbono

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Sede do BNDES no Rio
Sede do BNDES no Rio (foto de Miguel Angelo/CNI)

O Brasil tem potencial para aproveitar e liderar o mercado verde, atendendo à demanda de países do hemisfério do Norte por créditos de carbono. Essa foi uma das conclusões dos participantes do painel Mercado de carbono brasileiro: desafios e oportunidades, no BNDES Day, evento que começou na quarta-feira e terminou nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro.

“Sem sombra de dúvidas, temos uma oportunidade impressionante aqui no país quando olhamos a nossa matriz energética, o nosso ambiente como um todo”, afirma Cacá Takahashi, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) que esteve no debate. “O tema ESG tem ganhado uma perspectiva enorme no Brasil nos últimos anos e essa relevância vem do lado regulatório, do lado da oportunidade e também do propósito. Tudo isso junto traz uma nova perspectiva”, diz o executivo.

Para aproveitar essa oportunidade, é preciso desenvolver e aprimorar o mercado. “O Brasil tem potencial de liderar a economia verde. Ou a gente se estrutura para fazer, ou a gente perde o bonde”, afirma Henrique Ceotto, sócio da McKinsey (empresa de consultoria empresarial americana).

Uma das peças-chave é criar padronizações e benchmarks que deem escala às negociações. “’Quando o Brasil vende soja ou petróleo, quem compra não está preocupado se é da saca A, B ou C, ou do poço A, B ou C, pois existem benchmarks para os critérios de avaliação desses produtos que permitem precificá-los e fornecem escala ao negócio”, explica Lourenço Tigre, diretor de Finanças do BNDES. É isso que precisa ser feito com o mercado de carbono. “O papel do BNDES é fundamental para criar padrões de carbono no Brasil, de forma que um crédito emitido no Acre e outro em São Paulo possam ser comparados de forma simples”, avalia.

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O impacto positivo dos créditos de carbono alcança a sociedade de forma ampla. Por exemplo, um crédito emitido a partir de sequestro de carbono da atmosfera por meio de reflorestamento não está restrito ao ato de reflorestar. É preciso substituir a atividade econômica da região e implementar uma agricultura sustentável,  para evitar que o desmatamento que era feito ali migre para outro lugar. Isso cria desenvolvimento na ponta, com impactos no PIB e na geração de empregos.

“Quando falamos de créditos de carbono, estamos falando de co-benefícios e da geração de uma série de externalidades extremamente positivas”, explica Bruno Laskowsky, diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do BNDES.

Impulsionando o mercado

Para ajudar no desenvolvimento desse mercado, foi criada a Iniciativa Brasileira para o Mercado Voluntário de Carbono, a partir da união de empresas de diversos setores da economia e com coordenação da McKinsey. Após identificar dores do setor, o grupo desenvolveu seis mecanismos para destravar e facilitar a interface da compra de carbono – por exemplo, reduzindo o tempo para certificação do ativo, uma das etapas necessárias para que ele seja negociado. Até 17 de janeiro de 2023, é possível enviar sugestões e comentários aos mecanismos criados pela Iniciativa, que estão em consulta pública (https://www.brvcm.org/consulta-publica).

Não são apenas as empresas e organizações que podem atuar na compra e venda de créditos de carbono – as pessoas também podem ter maior conhecimento sobre o próprio impacto ambiental. “Cobramos muito como sociedade que é preciso chegar ao net zero (carbono zero), mas a ação do indivíduo também faz a diferença”, aponta Lourenço, que provoca o público a medir as pegadas de carbono (cálculo da emissão de gases do efeito estufa ligados a atividades humanas) individuais e familiares, para avaliar se é possível compensar essa emissão de alguma forma, seja evitando-a ou removendo-a da atmosfera (processo chamado de offset). “Vale o exercício, pois o offset é o primeiro passo na direção de ajudar o mundo no tema climático”, finaliza Lourenço.

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