Brasil produz mais petróleo, porém compra do exterior os derivados

Ineep: país precisa fortalecer o parque de refino

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refinaria abreu e lima rnest, da petrobras
Refinaria Abreu e Lima Rnest (foto Petrobras)

A produção nacional de petróleo e gás alcançou, em 2025, média de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), crescimento de 13,2% em relação a 2024. A expansão acelerada da produção consolida o Brasil como exportador de petróleo bruto. Mas isso não é suficiente. “Sem o devido fortalecimento do parque de refino, há o aprofundando da condição primário-exportadora do país, mantendo-o na dependência da importação de derivados”, afirma o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

O tema é destaque no 9º Boletim de Produção e Exploração de Petróleo e Gás do Ineep, divulgado nesta segunda-feira (23). A edição analisa a produção de petróleo e gás no quarto trimestre de 2025, com base nos dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo a agência reguladora, o desempenho foi impulsionado, sobretudo, pela entrada em operação de novas plataformas e pela ampliação da produção em unidades já existentes. A produção de petróleo atingiu 3,7 milhões de barris por dia, com aumento de 12% frente ao ano anterior, enquanto a produção de gás natural chegou a 1,1 milhão de boe/d, registrando expansão ainda mais expressiva, de 16,9%.

De acordo com a publicação, o aumento da produção refletiu diretamente no crescimento das exportações. No ano passado, o Brasil exportou 1,92 milhão de barris por dia, volume equivalente a 51% da produção nacional de petróleo, estabelecendo novo recorde histórico. Foi o segundo ano consecutivo em que o petróleo bruto liderou a pauta de exportações brasileiras, superando produtos tradicionais como soja e minério de ferro.

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As exportações alcançaram 28 destinos ao longo do ano, com destaque para a China, que absorveu 45% do volume exportado, seguida pelos Estados Unidos (10,8%), Espanha (7,4%), Países Baixos (7%) e Índia (4,4%). No 4T25, a China manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras de petróleo, absorvendo, em média, 48,1% do volume total exportado. Em seguida vieram os Estados Unidos, com 7,7%, e a Índia, na terceira posição, com 7,3% das exportações no período.

No consolidado de 2025, a Petrobras, na condição de operadora, foi responsável por 89,9% da produção nacional de petróleo e gás, enquanto as demais petroleiras responderam por 10,1% do total. Já na posição de concessionária, a Petrobras concentrou 63,4% da produção nacional, ao passo que as demais empresas alcançaram 36,6%.

O boletim destaca que os resultados reforçam a centralidade do pré-sal na produção nacional, evidenciam a continuidade da redução relativa da participação da Petrobras e confirmam o avanço das exportações. Em contrapartida, permanece o descompasso estrutural: o Brasil amplia sua produção e consolida-se como exportador de petróleo bruto, mas segue dependente da importação de derivados. a ampliação da capacidade de refino torna-se elemento estratégico, tanto para assegurar maior autossuficiência no abastecimento interno quanto para agregar valor ao petróleo produzido no país, contribuindo para superar a condição primário-exportadora atual.

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