Brasil, que país é esse?

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Cerimônia troca de bandeiras do Brasil, com bandeira rasgada
Cerimônia troca de bandeiras do Brasil (foto de Fábio Pozzebom, ABr)

Que país é esse em que o presidente da República demonstra, todos os dias, descompromisso com a causa pública, agindo de forma truculenta e antidemocrática em relação a vários problemas os quais são enfrentados diariamente, como a saúde pública; a ausência de liberdades; afronta à democracia; educação renegada à ultima potência; negacionista?

Que país é esse em que o presidente da Câmara dos Deputados tem a coragem, a ousadia e o cinismo de declarar que, apesar dos quase 130 pedidos de impeachment já terem chegado ao seu gabinete, continua dizendo que falta “materialidade” para o processo ser aberto?

Que país é esse que tem como líder do governo na Câmara dos Deputados um parlamentar comprometido com tantos atos e ações obscuras, conforme evidências?

Que país é esse que emprega a mulher desse mesmo líder, com salário estupendo, na Itaipu binacional?

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Que país é esse que exibe dados da Pnad Contínua do IBGE, indicando que, pela segunda vez seguida, o Brasil atinge o maior nível de desemprego, alcançando 14.761 milhões de desempregados?

Que país é esse que queremos e devemos reconstruir urgentemente?

Que país é esse que está chegando às eleições de 2022, quando o povo elegerá o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, sem que tenhamos crença nos políticos?

Que país em que o presidente da República não respeita a lista tríplice indicada pelos procuradores e escolhe aquele que aparentemente lhe possa ser útil?

Que país é esse que tem autoridades desrespeitando o texto da Constituição brasileira?

Que país é esse que, até pouco tempo, tinha um ministro do Meio Ambiente querendo passar a boiada na legislação ambiental?

Que país é esse que manteve, por algum tempo, um ministro da educação despreparado, reacionário e preconceituoso?

Que país é esse que abriga um ministro que está se humilhando, tentando fazer acordos dos mais espúrios junto aos senadores, buscando, assim, que sabe, encontrar amparo às suas pretensões de se tornar ministro do STF e ali permanecer vitaliciamente?

Esse é o retrato do Brasil.

Um país lançado à lama, com tantas misérias e descalabro de um (des)governo que, por sua inércia ou índole má, faz com que a credibilidade interna e externa da nação seja arranhada de forma inexorável.

Esse é o Brasil que ainda têm políticos da envergadura da senadora Simone Tebet que, com calma e discurso rigoroso, tem atuado nas reuniões da CPI da Covid-19 com larga desenvoltura e compromisso indeclinável na busca da verdade sobre os esquemas megalomaníacos que andam sendo descobertos no que tange às vacinas e seus efeitos colaterais de corrupção, afirmando que “o governo se encontra na enfermaria da UTI com ferimentos gravíssimos.”

Esse é o Brasil que abrigava até ontem, na Câmara dos Vereadores, um vereador que foi cassado, aliás por unanimidade dos seus pares e o primeiro da História da Cidade do Rio de Janeiro, preso desde abril pela tortura e morte do seu enteado, Henry, de 4 anos.

E por esse Brasil, mulheres e homens devem ser unir, independentemente do posicionamento político ou partidário, para que ele volte a crescer com sustentabilidade, respeito aos Direitos Humanos e Liberdade.

E por esse Brasil, todos deveremos comparecer às urnas no ano que vem convictos de que é somente por meio do voto que podemos eleger cidadãos que ajudarão e contribuirão para a mudança pela qual o Brasil, Estados e Municípios precisam passar.

E por esse Brasil, precisamos trabalhar com afinco, garra e prazer, na esperança de criarmos, todos juntos, condições e expectativas de dias melhores.

E diante desse triste e sombrio panorama, nada mais atual do que rememorarmos a letra da música Que País é esse, composta por Renato Russo, da Legião Urbana:

 

Nas favelas, no Senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a Constituição

Mas todos acreditam no futuro da nação

 

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

 

No Amazonas, no Araguaia iá, iá

Na Baixada Fluminense

Mato Grosso, Minas Gerais

E no Nordeste tudo em paz

Na morte eu descanso

Mas o sangue anda solto

Manchando os papéis, documentos fiéis

Ao descanso do patrão

 

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

 

Terceiro mundo, se for

Piada no exterior

Mas o Brasil vai ficar rico

Vamos faturar um milhão

Quando vendermos todas as almas

Dos nossos índios num leilão

 

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

 

A música Que País é esse?, lançada pela Legião Urbana foi escrita em 1978 e o álbum vendeu 1,5 milhão de cópias. E ela nunca esteve tão atual. Se for feita uma leitura atenta dos versos da canção, verificar-se-á que, no Congresso brasileiro, dezenas de parlamentares são investigados pelo STF. Haja sujeira, como cita a música.

Que o Estado do Amazonas é o terceiro mais violento contra o grupo LGBT+ e a fina ironia com o Nordeste também reflete os dias atuais, já que a região continua sendo uma das mais pobres do país, junto com a região Norte.

Que os índios brasileiros continuam em risco, mesmo que o presidente Temer tenha, em seu tempo à frente do Governo Federal, assinado um parecer chamado de “vinculante” no qual passou a considerar que os índios têm direito à terra desde que estivessem ocupando a área em outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.

Na realidade, o problema é que os índios vêm sendo expulsos das suas terras desde a colonização do Brasil. E com o crescimento das cidades, cada vez mais os índios mudam suas aldeias para onde resta mata nativa. Poucos vivem nas suas terras de origem. Precisam ser preservados e resguardados.

Torcer por dias melhores e pelo fim desse (des)governo é a esperança.

 

Paulo Alonso é jornalista.

2 COMENTÁRIOS

  1. Vcs são ridiculamente ridículos. Vcs nem amam o Brasil . Vcs mentem o tempo todo. Será q vcs não sentem vergonha, um pouquinho que seja, de dizer só coisas negativas, pq vcs apenas querem dizer? O meu país, Brasil que eu amo é maravilhoso. Atualmente tem um governo decente, autêntico e absoluto. Vcs são de jornal pasquim, de fundo de quintal. O verdadeiro jornal colocaria sim as coisas ruins que aconteceram e também toda a grandiosidade que apresenta esta nação, e, tem mais vocês esqueceram de dizer que o atual presidente pegou esse país falido acabado com rumo ao comunismo e socialismo, em plena pandemia de Covid-19, vocês não sentem vergonha não tipo publicar um artigo desse? Ou vocês acham mesmo nesse pasquinho infantil que qualquer pessoa menos letrada vai acreditar em vocês? Pois lhe digo com toda a propriedade, nem o mais humilde ser que mora lá pelas bandas do norte ou do nordeste deste país acredita mais numa imprensa falida que só escreve mentiras. Até pode escrever mentira mas deveria colocar também as verdades e as qualidades. Se vocês não estão satisfeitos aqui vamos orar na Venezuela em Cuba no Chile e até na rebimbaqua da requebra da parafuseta. Tomem tento c jornalismo limpo!

  2. Para não deixar em branco: vocês dormiram e não fizeram o jornal durante 30 anos e agora vem vomitar besteiras e asneiras. Eu sou advogada sou formada em filosofia e eu teria vergonha se fosse vocês de publicar um texto desse! E tenho dito. Aposto que vocês não vão publicar o meu texto eu aposto! Vocês querem bajulação o tempo todo mas eu não vou bajular eu estou dizendo a verdade!

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