Brasil sem Ginga

Fabricantes de aparelhos eletrônicos e operadoras de telefonia pediram ao governo o fim da obrigatoriedade de instalação do software Ginga, desenvolvido por pesquisadores brasileiros para televisores e equipamentos usados para transmissão e conversão de sinais de televisão digital.

O objetivo não é apenas ganhar uns poucos trocados (o custo da licença é de R$ 50 por TV e meros R$ 10 por conversor digital, e ninguém tenha esperança de que será repassado ao consumidor). O desejo é inserir o Brasil na operação global dos fabricantes, que já têm seus acordos com fornecedores mundiais. De quebra, aproveita-se um governo novo e claudicante, permeável aos interesses estrangeiros, para enterrar o software nacional, que ganhou espaço em países da América Latina.

Quanto às empresas de telefonia, elas assinaram acordo em que o governo antecipava a liberação, para serviços de celular, da frequência hoje ocupada pela TV aberta analógica. Em troca da alteração no cronograma, as teles ficaram de fornecer gratuitamente conversores digitais aos inscritos no Bolsa Família. Até 2018, gastarão cerca de R$ 2,2 bilhões na compra de 12,8 milhões de conversores. Acordo assinado, jogo jogado. Mas por que não economizar R$ 128 milhões e deixar a patuleia com uma caixinha sem interatividade?

Em dia

Até terça-feira, todos os candidatos a prefeito e vereador de todo o país têm de apresentar a primeira prestação de contas parcial da campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A exigência foi implementada nas eleições de 2014 para conferir mais transparência e segurança às informações transmitidas pelos partidos políticos e candidatos à Justiça Eleitoral.

Segundo o diretor do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Rio (Sescon-RJ), Arnaldo dos Santos Junior, o registro das doações recebidas, sejam em dinheiro ou estimáveis em dinheiro, merece atenção especial e precisa, obrigatoriamente, ser assinado por um profissional contábil.

Nas eleições deste ano, as empresas estão proibidas de apoiar financeiramente candidatos ou partidos, apenas pessoas físicas podem doar para campanhas eleitorais, desde que respeitem o limite de 10% do rendimento anual informado na declaração do Imposto de Renda do exercício anterior.

Medo

O discurso do medo recrudesceu na mídia empresarial, aproveitando-se até mesmo da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, que ganhou amplo destaque nesta quinta-feira, apesar de o dia não ter nenhum significado especial – ocorreu em 10 de fevereiro de 2014, portanto, não é uma data redonda, como gosta a imprensa.

A tática de destacar a violência em manifestações foi usada em 2013 e retorna com força na parcial cobertura das manifestações “Fora Temer”. Junto com ela vem o pedido de “rigor” na ação policial contra os “vândalos”. A prisão preventiva de manifestantes pela PM paulista mereceu destaque dos jornalões, mas sua soltura, determinada por um juiz que destacou que “esse tempo, felizmente, já passou”, foi escondida nas páginas internas. O Globo, por exemplo, destacou em título que os presos foram indiciados e soltos, sem dar importância à sentença judicial.

É uma tática arriscada – e o primeiro risco é a aceleração da perda de credibilidade.

Desrespeito – 3

O Google continua estacionado nas Olimpíadas. Nada de informar os resultados das Paralimpíadas.

Cadê a ombusdman?

Título da Folha: “Ministro tira indicado de Dilma da EBC”. Na realidade, Dias Toffoli suspendeu a liminar porque o presidente Michel Temer alterou o estatuto da EBC, concentrando na Presidência da República a nomeação do comando da empresa. Dessa forma, o mandato impetrado por Ricardo Melo perdeu a razão de ser.

Culatra

Difícil acreditar que se gasta algumas centenas de milhares de reais para um marqueteiro imaginar que o slogan “Fora ladrão” vai se contrapor ao “Fora Temer”. O presidente, se tiver sensibilidade, enterra a proposta no nascedouro. A frase que ganhou as ruas tem boa parte de sua base na contestação a “tudo que está aí”, os políticos em geral, tanto o anterior quanto o atual governo. Basta alguém juntar as duas e soltar um “Fora Temer ladrão” que ela viraliza nas redes.

Rápidas

No próximo dia 15, a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) realiza, no WTC – Events Center, em São Paulo, a Software Conference 2016, que terá como tema principal “Mundo Digital: Desafios e oportunidade de uma sociedade em transformação”. Mais informações: www.comarteventos.com.br/abesconference2016/ *** O Canal Livre deste domingo vai discutir a reforma trabalhista. O programa da Band, que começa à meia noite, receberá o professor da PUC do Rio de Janeiro José Márcio Camargo e o sociólogo José Pastore *** A Roncato Advogados realiza, terça-feira, o evento “Ações Trabalhistas – Saiba como sua empresa pode superá-las”. O evento é gratuito. Inscrições pelo e-mail [email protected]

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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