Por conta da confirmação de um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (popularmente conhecido como "mal da "vaca louca") em Mato Grosso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciou ontem ter suspendido temporariamente as exportações de carne bovina à China. Segundo a pasta, a medida, preventiva, atende a um protocolo sanitário vigente entre os dois países.
"Examinada a notificação da ocorrência pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), este organismo determinou o encerramento do caso sem mudar a situação sanitária brasileira, que segue com risco insignificante para a doença", destacou o Ministério em comunicado.
A OIE, acrescentou a nota, informou também que não haverá relatórios adicionais sobre o caso.
"Em relação à China, o ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil suspendeu temporariamente a emissão de certificados sanitários até que as autoridades chinesas concluam sua avaliação da informação já transmitida sobre o episódio, cumprindo, assim, com as disposições do protocolo bilateral assinado em 2015", relatou o comunicado.
Em meio ao surto de peste suína africana na China, os matadouros brasileiros estavam otimistas em relação ao país asiático aumentar o número de frigoríficos locais capazes de exportar para seu mercado.
No começo de maio, uma comitiva brasileira, chefiada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, visitou uma série de países asiáticos e um dos principais objetivos da viagem foi a liberação de frigoríficos brasileiros para exportar para a China e semana passada, o ministério enviou uma lista de 19 matadouros de carne bovina para ser qualificados pelas autoridades chinesas.
Tereza Cristina disse que o governo brasileiro já entregou à OIE os documentos necessários para reverter a suspensão temporária.
"São suspensões temporárias, só para avaliação dos documentos entregues. A OIE já terminou o processo. Abriu e fechou sem pedidos complementares. É uma coisa absolutamente normal e estamos esperando a China nos próximos dias nos pedir para retirarmos a suspensão, que foi feita pelo Brasil".
O registro da encefalopatia espongiforme bovina foi informado na última sexta-feira. De acordo com a pasta, trata-se de uma ocorrência isolada e sem risco para a população.
Segundo a ministra, a situação do comércio entre os dois países continua bem, apesar do ocorrido. "Não tem nada. É uma coisa comum que aconteceu em vários países. Isso mostra que o serviço de inspeção brasileiro continua funcionando. Difícil seria se não acontecesse nunca nada".
Tereza Cristina lembrou que no ano passado mais de 20 países tiveram ocorrências como esta, que é considerada atípica. "Não é contagiosa e não tem perigo para ninguém. É uma coisa normal que mostra a transparência e a governança do serviço de inspeção", explicou.
"O único país que exige essa suspensão temporária é a China. Vamos então conversar no futuro sobre um novo protocolo", acrescentou a ministra, sem especificar a data. "Não posso dizer em que data a exportação será retomada porque o problema agora está com a China. Não com o Brasil. O mais importante é que Brasil e China fazem parte da OIE, que abriu o processo na sexta e fechou ontem, liquidando o assunto", completou.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a China é o principal mercado para as carnes do Brasil em faturamento e o segundo em volume (atrás somente de Hong Kong). Em 2018, os embarques de carne bovina para a China somaram 322,4 mil toneladas e um faturamento de US$ 1,49 bilhão. Os números indicaram uma alta de 52,54% e 60,04%, respectivamente, em relação a 2017.
De acordo com a Abiec, nos primeiros quatro meses deste ano, as vendas para o mercado chinês representaram 17,8% do volume total de carne bovina embarcado, com 95,7 mil toneladas e um faturamento US$ 442,4 milhões.
Doença cerebral em bovinos adultos, o mal da vaca louca é causado por proteínas alteradas e não tem cura nem tratamento. No fim dos anos 1990, alguns países da Europa enfrentaram um surto de casos de vaca louca por causa do consumo, por outros animais, de ração processada de bovinos afetados pela doença.
Com informações da Xinhua e da Agência Brasil
















