O Brasil tem a segunda maior reserva de terras-raras do planeta, atrás da China. Os dados, de 2026, são do US Geological Survey, órgão do Departamento do Interior dos Estados Unidos.
A China detém 44 milhões de toneladas, pouco mais de 50% das reservas de terras-raras conhecidas do planeta, 60% da extração global e 90% da capacidade de refino. O Brasil fica com 21 milhões de toneladas, aproximadamente 25%. Em seguida vêm Austrália (6,3 milhões) e Rússia (3,8 milhões). O Vietnam aparece em quinto, com 3,5 milhões, depois de uma forte revisão — em 2024, a estimativa era de que o país asiático disputasse o segundo lugar em reservas com o Brasil. Os demais países detêm apenas 8% das reservas.
Segundo a Mapfre Investimentos, em seu Informe Semanal, o acesso privilegiado a terras-raras e minerais estratégicos, fator crítico na soberania tecnológica, é um dos trunfos brasileiros no novo tabuleiro global, em que “ciclos econômicos seguem importantes, mas questões estruturais ganharam peso nos rumos da economia”.
A Mapfre também destaca a capacidade de geração de energia, recurso cada vez mais estratégico. “Temos também um mercado consumidor de grandes dimensões e em expansão, com segmentos ainda inexplorados.”
Em relação às terras-raras, o quadro explica a dependência dos Estados Unidos. No início do ano, quando a China anunciou restrições nas exportações, o presidente dos EUA, Donald Trump, foi obrigado a recuar nas tarifas de importação que anunciara contra produtos chineses.
Após encontro entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, na Coreia do Sul, em 30 de outubro, as restrições de exportação de terras-raras e outros minerais estratégicos foram suspensas, mas dados chineses mostram que as vendas de ímãs para os EUA caíram 11% em novembro ante outubro, embora sigam acima dos níveis registrados no auge das restrições, em abril.
No Brasil, duas mineradoras com projetos avançados de terras-raras – Serra Verde e Aclara – fecharam contratos de financiamento com um banco estatal estadunidense, o DFC (Development Finance Corporation) que podem dar vantagens aos Estados Unidos.
Pelos termos do empréstimo fechado com a Aclara, por exemplo, o DFC poderá converter o dinheiro devido em ações.
A Serra Verde é de propriedade de dois fundos de investimento estadunidenses e um britânico. A mineradora vai receber um empréstimo de US$ 465 milhões do DFC, que investe em empreendimentos fora do país.
Matéria atualizada às 16h34 de 12/5/2026 para inclusão dos dados de 2026 do USGS, especialmente a correção das reservas estimadas para o Vietnam

















