Brasil tem 46 milhões de desbancarizados

Especialistas não acreditam no fim do dinheiro físico.

Mercado Financeiro / 23:41 - 17 de set de 2020

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Com a chegada das novas tecnologias, como o Pix (meio de pagamento eletrônico criado pelo Banco Central), como será que ficará o dinheiro físico? É fato que aumentou o uso de meios de pagamentos online e o dinheiro “virtual” para pagar contas, compras e outras coisas. No entanto, a maior barreira para uma transformação mais radical ainda são os mais de 46 milhões de desbancarizados no país. O tema foi analisado por seis especialistas do mercado que revelam abaixo como enxergam esse assunto.

Na opinião de Bernardo Schucman, CEO das FastBlock, o dinheiro físico não vai acabar, ele vai sempre existir. “Vamos sempre precisar guardar e ter um backup de um título físico como o dinheiro, seja ele guardando em um banco ou em algum lugar que seja confortável, mas cada vez o dinheiro físico vai transitar menos. E para os para investidores em criptomoedas é sugerido que seja impresso um paper wallet, que de certa forma não deixa de ser um dinheiro físico.” analisa.

Para Leo Monte, Diretor de Marketing e Inovação da Sinqia, líder em tecnologia para o mercado financeiro, difícil cravar a completa extinção do dinheiro físico, mas sem dúvidas vivemos um momento de revolução do mercado e de democratização do acesso às inovações nos meios de pagamento.

Os consumidores esperam poder utilizar diferentes meios de pagamento digitais em suas compras. Com a convergência das tecnologias e a liberação dos APIs, possibilitada pelo open banking e o PIX, cada vez mais veremos consumidores usando combinações diferentes desses meios. Isso inclui, por exemplo, dividir um pagamento de uma compra entre PIX e cartão de crédito ou pagamento em moedas digitais e fiduciárias. Também veremos a utilização de pagamentos para além do dinheiro, como é o caso dos pontos de fidelidade e das moedas digitais. Recentemente, o próprio Banco Central a necessidade de lançamento de uma moeda digital para o País pensando nesse novo ecossistema financeiro com foco no digital” comenta.

 

Digitalização

 

Thiago Lucena, CEO da Uzzo Pay, acredita que se caminha para digitalização do dinheiro, mas, não agora. “A digitalização do dinheiro é um processo inevitável para os próximos anos, porém é importante levar em consideração o contexto social que estamos inseridos. Em alguns países como a China, o acesso democrático a tecnologia, permitiu a digitalização do dinheiro de forma acelerada, embora o país ainda tenha grande parte de sua população na zona rural. Entretanto, levando em consideração o Brasil, temos ainda alguma resistência em abandonar o dinheiro físico, se observamos o acesso a tecnologia e, também, a questão da idade que interfere na relação do usuário com os meios digitais. Mas, existem movimentações que certamente vão acelerar o processo de digitalização financeira, especialmente as contas digitais e, agora, a chegada do Pix que tornará as transações mais ágeis e fáceis na relação entre cliente e estabelecimento. Outro fator que deve ser observado é o fortalecimento do mercado de bitcoins e criptomoedas no Brasil e no mundo. O crescimento desse mercado com a chegada de novas tecnologias, deve acelerar ainda mais o processo de digitalização a médio e longo prazo”, comenta.

 

País continental

 

Na visão de Ingrid Barth, cofundadora do Linker e diretora executiva da ABFintechs, o Brasil é um país de proporções continentais, muito diverso em cultura e necessidades.” Enquanto alguns estão totalmente digitalizados, outros estão desbancarizados, sempre gerando demanda para diferentes tipos de serviços financeiros e tipos de pagamentos, inclusive via dinheiro fisico”, comenta.

Exemplo recente sobre isso pode ser visto pelos dados da Caixa Econômica Federal (CEF) ao indicar que, cerca de 40% dos brasileiros (24 milhões de pessoas) que estão recebendo o auxílio emergencial de R$ 600, não possuía conta em banco antes da pandemia do novo coronavírus. Um dos maiores desafios será incluir e levar conhecimento sobre as vantagens dessas inovações para todos, sem ignorar a presença dessa parcela tão grande da população que também faz a economia girar “Esperamos e buscamos a maior digitalização possível, porém acabar com o dinheiro físico é bem no longo prazo”, finaliza.

 

 

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