Brasil teve 2,6 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre

Varejo virtual pode perder mais de R$ 7 bi por falhas no combate à fraude; 36% desistiriam da compra por problemas na aprovação de pagamento.

Nos seis primeiros meses do ano, foram 2,6 milhões de transações pela internet potencialmente fraudulentas, segundo aponta o Mapa da Fraude divulgado hoje pela ClearSale, que analisou mais de mais de 182 milhões transações, considerando apenas pagamentos via cartão de crédito. Em reais, foram R$ 2,6 bilhões em fraudes tentadas no primeiro semestre, sendo a maior parte delas no comércio virtual, onde os fraudadores atuaram com força depois que a maior parte das pessoas entrou em isolamento social em 2020 e passou a fazer mais compras pela internet.

A categoria de produto mais fraudado continua sendo a dos celulares, respondendo por 5,1% das tentativas de fraude, seguido por produtos eletrônicos (4,9%) e games (4,2%).

A Região Norte, assim como em todo ano passado, segue com o maior índice de tentativas de fraude sobre a quantidade total de transações: no primeiro semestre, 4,3% dos pedidos na região foram alvo de ataques. Na sequência, aparecem Centro-Oeste com 2,4% e Nordeste com 2,3% e, por fim, Sudeste e Sul completam com 1,9% e 0,9%, respectivamente.

No mercado financeiro, foram analisadas quase de 21 milhões de propostas e as tentativas de fraude chegaram a 667 mil. Ou seja, 3,2% de todas as transações nesse setor foram golpes tentados em processos como abertura de contas, emissão de cartões, empréstimo pessoal e CDC por meios digitais.

O setor de telecomunicações também foi analisado. O estudo revisou mais de 8,5 milhões de propostas e contratos no primeiro semestre e verificou 463 mil tentativas de fraudes, ou seja, 5,4% do total. Entre os golpes nessa área, destacam-se o uso indevido de dados, desvio de equipamentos, venda indevida de produtos ou serviços, redução indevida de fatura e upsell de serviços não contratados, entre outros.

Já quando o assunto são vendas diretas, ou vendas porta a porta, foi possível analisar 1,5 milhões de transações e atestar 31 mil tentativas de fraudes, ou seja, 2,1% dos pedidos. Nesse segmento, os principais tipos de fraude são cadastro indevido de novos consultores, realização de pedidos falsos e uso indevido de dados de terceiros.

De acordo com estudo da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com a Neotrust, o varejo digital concentrou 42,9 milhões de consumidores únicos, aumento de 36,7% em relação ao ano anterior. A receita gerada nessa modalidade de transação teve uma alta de 68,5% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 301 milhões em compras pela internet, o maior valor já registrado no país. Mas o número poderia ter sido bem maior se muitas compras legítimas não tivessem sido bloqueadas pelos varejistas por suspeita de fraude.

Segundo levantamento da plataforma Vesta, 41,8% dos entrevistados relataram ter tido alguma compra virtual bloqueada, recusada ou o processo de compra atrasado por suspeita de fraude. Quando perguntados qual sua atitude diante de uma situação como as relatadas acima, 35,9% dos respondentes informaram que desistiriam da compra.

A pesquisa foi feita com mais de 500 brasileiros indicou que o valor da compra recusada ou bloqueada para 14,45% dos entrevistados foi entre R$ 1 e R$ 100; 17,68% afirmaram que o valor ficou entre R$ 101 e R$ 300; outros 10,27% revelaram que o valor era de R$ R$ 301 a R$ 500; 7,9% dos respondentes disseram que o total bloqueado estava entre R$ 501 e R$ 1.000; por fim, 5,51% das pessoas indicaram que o valor foi maior que R$ 1.000.

Considerando o valor médio dos pedidos bloqueados ou recusados em R$ 475 e levando em conta que 35,9% dos 42,9 milhões de consumidores brasileiros tiveram pedidos bloqueados e eventualmente desistiram da compra no último ano, o valor total das vendas abandonadas é de aproximadamente R$ 7,32 bilhões.

Ao bloquearem por suspeita de fraude operações legítimas, o prejuízo para esses varejistas também vem de outra forma: 34,8% das pessoas disseram que procurariam o produto ou serviço em um site concorrente, e 23,6% deles informou ainda que buscaria uma loja física para realizar a compra.

“Para se protegerem, é normal que utilizem filtros de fraude rigorosos, que por sua vez podem gerar desgastes no processo de pagamento devido às suas múltiplas etapas de segurança e autenticação. Isso pode desencadear um aumento nas rejeições falsas – transações legítimas que são recusadas por suspeita de fraude”, explica Oscar Bello, vice-presidente sênior de Vendas para as Américas da Vesta.

Essa rejeição falsa também pode gerar outro tipo de problema: a reputação das lojas também pode sair arranhada. A pesquisa da Vesta indicou que 42,8% das pessoas que passassem por essa situação escreveriam uma reclamação em redes sociais ou sites como o Reclame Aqui para criticar o problema; 30,6% disseram que avisariam parentes e amigos sobre o ocorrido; e 19,8% responderam que nunca mais comprariam na mesma loja/usariam a mesma marca.

A pesquisa da Vesta foi realizada na plataforma da Toluna nos dias 19 a 21 de maio de 2021, com 526 pessoas das classes A, B e C, segundo critério de classificação de classes utilizado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), em que pessoas da classe C2 tem renda média domiciliar de R$ 4.500 por mês. Estudo feito com pessoas acima de 18 anos, de todas as regiões brasileiras, com 3 pontos percentuais de margem de erro e 95% de margem de confiança.

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