Causada pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue voltou a preocupar os brasileiros nos últimos meses. Apesar de uma recente queda nos registros, mais de um milhão de casos foram notificados em 2025 apenas até abril.
Os dados fazem parte do Painel de Monitoramento das Arboviroses. No mesmo período, o país contabilizou 668 mortes confirmadas pela doença, além de outros 724 óbitos ainda em investigação.
Em comparação com o ano passado, quando foram registrados cerca de 4,6 milhões de casos no primeiro semestre, o cenário atual aponta uma redução. Ainda assim, o número de infecções continua elevado, e a tecnologia tem se mostrado uma aliada no enfrentamento da dengue.
Segundo o Ministério da Saúde, os casos de dengue caíram 78,8% no primeiro semestre deste ano em relação a 2024. A redução também foi observada nos óbitos, com queda de 76%.
No ano passado, o Brasil enfrentou um aumento expressivo da doença, com números que superaram a soma dos sete anos anteriores. Apesar do cenário mais positivo em 2025, a preocupação permanece.
Entre os estados, o Acre foi o único que não apresentou redução, registrando uma alta de 140%. Já em números proporcionais, São Paulo lidera em volume de casos por 100 mil habitantes, seguido por Goiás.
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, comum em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, os surtos tendem a aumentar nos meses mais quentes e chuvosos, quando a proliferação do mosquito eleva o risco de transmissão comunitária. O transmissor se reproduz em água parada e limpa, como vasos de plantas, calhas e caixas d’água abertas. Com hábitos diurnos, ele costuma picar ao amanhecer e no fim da tarde, tornando necessária a eliminação de focos de água acumulada.
Os sintomas da dengue incluem febre alta, dores no corpo, atrás dos olhos, manchas na pele e fadiga. Em casos graves, pode haver sangramentos e queda de pressão, o que exige atenção médica imediata para evitar complicações mais sérias.
A prevenção depende de cuidados simples, como tampar recipientes e descartar o lixo corretamente. Além disso, campanhas de conscientização e ações coletivas também ajudam a combater o mosquito e reduzir os casos da doença.
Chikungunya afeta crianças e adolescentes e deixa sequelas
Já para saber como o vírus da chikungunya afeta crianças e adolescentes, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou durante quatro anos, no município de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, uma pesquisa com 348 pessoas nessa faixa de idade. Os pesquisadores concluíram que a maioria das infecções por chikungunya é sintomática e que a doença pode deixar sequelas mesmo nesses indivíduos.
O trabalho ocorreu no andamento de um ensaio clínico de fase III da vacina Butantan-Dengue. Os pesquisadores analisaram a taxa de pacientes sem sintomas clínicos (infecção assintomática), a resposta imunológica (soroconversão) e os casos de dores nas articulações após a infecção pelo vírus (sintomas crônicos).
A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo Aedes aegypti que costuma causar febre alta e dores intensas nas articulações durante e após a fase aguda da infecção. Embora os efeitos em adultos sejam mais conhecidos, pouco se sabe como a doença se manifesta em crianças e adolescentes.
Eles monitoraram os participantes com idades entre 2 e 17 anos, realizando coletas periódicas de sangue e acompanhando sintomas em consultas médicas regulares, em casos de febre ou outros sinais clínicos.
“As amostras foram testadas para a chikungunya, dengue e zika por meio de RT-PCR (que detecta o material genético dos vírus), sorologia (Elisa) e ensaio de neutralização viral, que avaliam a presença e a eficácia dos anticorpos protetores no organismo” informou a Fiocruz.
Segundo os pesquisadores, “no início do estudo, 23 indivíduos já apresentavam anticorpos IgG protetores contra o vírus da chikungunya. Entre os 311 que completaram o acompanhamento, 17% testaram para o vírus, sendo 25 casos confirmados por RT-PCR e 28 casos por sorologia. Desses, 9,4% não apresentaram sintomas e 3 (12%) desenvolveram artralgia crônica, ou seja, dores nas articulações que persistiram por meses, impedindo a realização de atividades diárias. A taxa de soroconversão entre os casos positivos foi de 84%”.
Esses resultados indicaram que a maioria desenvolveu anticorpos após a infecção, embora uma parcela significativa não tenha apresentado resposta imunológica detectável, informou a Fiocruz. A pesquisa constatou ainda que, “apesar de surtos locais durante o estudo, apenas um quinto (20%) dos participantes foi exposto ao vírus, o que levanta questões sobre a vulnerabilidade da população pediátrica e a necessidade de estratégias de prevenção mais eficazes”.
Com informações da Agência Brasil, citando a Fiocruz
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