Importação de combustíveis reduz utilização de refinarias a 77%
O Brasil segue o exemplo de países com menor nível de desenvolvimento, como Nigéria e Angola, que, por falta de capacidade de refino, exportam petróleo cru e importam combustíveis derivados, de maior valor agregado, comenta a pesquisadora da FGV Energia Fernanda Delgado sobre a previsão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de que o país passará por problemas no abastecimento em cinco anos, caso não sejam feitos novos investimentos no setor de refino e abastecimento.
A especialista lembra que a importação de gasolina no Brasil passou de 240 milhões litros em fevereiro de 2017 para 419 milhões de litros em abril. No diesel o problema é pior: “As importações foram de 564 milhões de litros em fevereiro para 811 milhões em abril. E em maio, devem chegar a 1 bilhão de litros. Em contrapartida, o Brasil exportou cerca de 1,63 milhão de barris por dia de petróleo cru em fevereiro, estabelecendo um novo recorde pelo segundo mês consecutivo”, alerta a pesquisadora da FGV Energia.
O quadro vem se deteriorando a partir da política de preços da Petrobras. Cláudio da Costa Oliveira, economista aposentado da estatal, assegura que, com a queda do preço do barril de petróleo a partir do final de 2014, a Petrobras começou gradativamente a perder mercado interno para importadores independentes, como a Ipiranga (grupo Ultra) e Shell (grupo Raizen).
Houve forte queda na receita de vendas da Petrobras de 2015 (R$ 322 bilhões) para 2016 (R$ 283 bilhões). Em teleconferência sobre o resultado de 2016, realizada em março, a gerente executiva de Relacionamento com os Investidores, Isabela da Rocha, salientou que houve uma redução do volume de vendas no mercado nacional, de 2% no ano, mas vendas da estatal caíram mais: 8%, devido ao efeito da importação por terceiros.
O professor e engenheiro do IFF Roberto Moraes destaca que, com a importação de combustíveis, o fator de utilização das refinarias brasileiras, que esteve há pouco tempo em torno de 95%, já caiu para 77% e deve chegar em breve a menos de 75%. Assim, se a longo prazo existe a perspectiva de problemas no refino, atualmente o país está subutilizando sua capacidade.
Fernanda Delgado, da FGV Energia, cita que o Brasil possui um parque de refino com dez refinarias e que a capacidade instalada de processamento está em torno de 2 milhões de barris por dia. Números menores do que a produção nacional – 2,6 milhões de barris diários. A pesquisadora adverte que os últimos investimentos substanciais em refino no Brasil foram feitos no governo militar.




