Brasil vê fuga de US$ 12 blhões em 2 meses

Economia fraca faz investidor buscar porto seguro.

Mercado Financeiro / 23:42 - 26 de mar de 2020

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Dados do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) publicados pelo jornal espanhol El País mostram que o Brasil sofreu uma fuga de capitais que soma US$ 11,73 bilhões nos dois primeiros meses da crise do coronavírus. O México, segundo país que mais atrai investimento estrangeiro na América Latina, perdeu apenas US$ 2 bilhões.

Segundo estimativas do IIF, atualizadas nesta semana, a economia da América Latina retrocederá 2,7% este ano. A previsão anterior, feita há cinco meses, era de uma expansão de 1,2% na região em 2020. A maior queda deve ocorrer na Argentina (retração de 3,1%); o PIB do Chile deve cair 2,3%; na Colômbia, queda de 0,4%; no México, perda de 2,8%; e no Brasil, a projeção mudou de alta de 2% para redução de 1,8%.

Analistas consideram os números ainda otimistas. O economista norte-americano Nouriel Roubini, que ficou famoso ao antecipar a crise de 2008, teme que a recessão mundial seja ainda pior que a Grande Depressão de 1929 (em inglês, “a Greater Depression”).

Nos Estados Unidos, o número de pedidos de seguro-desemprego atingiu o recorde de 3 milhões em apenas uma semana. O recorde anterior, de outubro de 1982, era de 695 mil pedidos em uma semana.

Em entrevista ao El País, o economista-chefe do IIF para a América Latina, Martín Castellano, explica por que o Brasil: “É um país muito sensível ao que acontece no exterior e, devido ao seu tamanho, é uma boa aproximação do risco dos países emergentes em geral. Muitos administradores de carteiras e fundos de investimento têm ordem de vender os ativos do bloco e, sendo um mercado grande e líquido, as saídas são maiores”, explica. “O outro fator tem mais a ver com os fundamentos do Brasil: uma economia que sai de uma recessão muito longa e que está muito exposto à venda de matérias-primas [cujo consumo despencou com o coronavírus] para a China, o país que sofreu o primeiro choque do coronavírus.”

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