Brasileiro diminui carne, mas bate recorde de vinho na pandemia

Pesquisa revela aumento histórico de mais de 30% no consumo de vinho; em toda a América Latina, país ficou só atrás da Argentina.

O brasileiro nunca consumiu tanto vinho como neste último ano de pandemia. Em média foram consumidos 2,78 litros de vinho per capita, o que representa um aumento de mais de 30%. É o que releva um estudo divulgado pela plataforma CupomValido.com.br que reuniu dados da Abras, Ideal e Statista, sobre o consumo de vinho no Brasil e no mundo. O consumo total foi de 501 milhões de litros (contra 383 milhões no ano anterior), um valor nunca atingido na história. Ao considerar todos os países da América Latina, o Brasil ficou só atrás da Argentina.

Do total de 83 milhões de consumidores de vinho no Brasil, 46% tomam vinho pelo menos uma vez por semana, e 53% pelo menos uma vez por mês.

O vinho tinto é o preferido dos brasileiros, com 55% da preferência. O vinho branco fica em segundo lugar, com 25%. E por fim, o vinho do tipo rosé está em terceiro lugar de preferência nacional, com 20% do total. No caso vinho tinto, o tipo preferido dos brasileiros são os da uva Malbec, originária da França e com quase 59% do plantio mundial. Em sequência seguem os tipos Cabernet Sauvignon e Merlot, respectivamente.

Para os vinhos do tipo branco, a primeira opção é a do tipo Chardonnay, mais conhecida como a “rainha das uvas brancas”. A uva do tipo Sauvignon Blanc e Moscato, seguem na segunda e terceira posição, respectivamente.

Aproximadamente 59% dos consumidores de vinhos no país tem mais de 35 anos. Além disso, 30% dos consumidores desta bebida, utilizam os canais digitais, como portais ou lojas online para comprar vinhos.

Segundo o estudo, mais de 70% estão dispostos a provar novos tipos vinhos, não ficando preso só a uma marca ou subtipo de uva.

Segundo a pesquisa, no Brasil, 69% do total de vinho consumido é nacional, contra 31% importado. A alta do dólar foi um dos principais contribuidores pela queda no consumo de vinhos importados em comparação com o ano anterior.

Mais de 42% de todos os vinhos importados, são provenientes do Chile. Já os vinhos importados da Argentina e Portugal representam 16% e 15%, respectivamente.

O estado brasileiro que mais importou vinho foi a Santa Catarina, com 30% da importação total. O estado de São Paulo fica em segunda posição, e o Espírito Santo na terceira.

O vinho mais vendido do mundo é o da marca Barefoot dos EUA. O segundo mais vendido é a Concha y Toro do Chile. E a marca Gallo, também dos EUA, segue em terceira posição.

Os EUA são o país que mais consome vinho do mundo, no total são mais de 33 milhões de hectolitros por ano, ou 13% do consumo mundial. A França e Itália seguem em segunda e terceira posição, respectivamente. Levando em consideração o consumo per capita, a ordem muda, e a França segue na liderança, seguido por Portugal na segunda posição.

Já estudo do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), antigo Ibope Inteligência, mais de 30% das pessoas já escolhem opções veganas em restaurantes e outros estabelecimentos; quase metade dos entrevistados não comem carne um ou mais dias por semana por escolha própria. A mudança no perfil de consumo da população está transformando o mercado conhecido como food service, relacionado aos negócios de alimentação fora de casa como bares, restaurantes, lanchonetes entre outros. O estudo, encomendado pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), foi realizado em fevereiro deste ano, com brasileiros residentes em todas as regiões do país. O resultado mostra que um terço dos brasileiros já escolhe opções veganas nos cardápios de restaurantes e lanchonetes. Além disso, 46% dos brasileiros já deixam de comer carne, por vontade própria, pelo menos uma vez na semana.

“O que acontece é que, além da parcela vegetariana da população, cresce muito rapidamente a parcela que procura reduzir o seu consumo de carnes e derivados. Em um, dois, três ou vários dias por semana, os brasileiros têm optado por fazer refeições vegetarianas ou veganas” observa Ricardo Laurino, presidente da SVB. Ele avalia que uma parte desse universo (de 46% da população, segundo o Ipec) são os milhões de adeptos da ‘Segunda Sem Carne (SSC)’, movimento que existe no Brasil desde 2009 e que convida as pessoas a trocar, pelo menos uma vez por semana, a proteína animal pela proteína vegetal. O resultado da pesquisa realizada neste ano impressiona, e em 2018 a SVB já havia encomendado outra pesquisa – com mesmo instituto – cujos números apontavam que 14% dos brasileiros se consideravam vegetarianos, e a maioria da população do país já estava disposta a escolher mais produtos veganos.

O aumento do apetite do mercado por proteínas vegetais tem mobilizado os setores produtivos. O Brasil, que já produz anualmente 250 milhões de toneladas de grãos, tem transformado uma parte desses grãos em “carnes feitas à base de plantas”, convertendo o grão em produto final a uma alta eficiência, sem a onerosa taxa de conversão alimentar usualmente implicada quando se usa os grãos para alimentar animais de produção. Hoje, algumas das empresas mais atuantes no mercado global de carnes vegetais estão justamente aqui.

“É um sinal claro da mudança de comportamento do brasileiro em relação ao consumo de carne”, comenta Ricardo.

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