Brasileiro teria renda 6 vezes maior com indústria forte

Entre 1950–70, PIB do País foi multiplicado por 10.

A produção da indústria caiu mais uma vez: 0,6% em outubro ante setembro. Em relação a outubro do ano passado, o tombo foi de 7,8%, segundo os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. “Com o avançar do ano, está claro que 2021 não é um ano de recuperação para a indústria brasileira. Bases de comparação baixas ainda encobrem parcialmente a involução do setor”, analisa o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Oito dos dez meses deste ano já cobertos por estatísticas do IBGE ficaram no vermelho, na comparação com o mês antecedente, levando a indústria a um patamar de produção 4,1% inferior a antes da pandemia (fevereiro de 2020). A perda no setor representa um passo atrás do País.

“Industrialização e crescimento econômico caminham juntos, e no Brasil não é diferente”, explica o Iedi. “Uma análise de longo prazo mostra que, no período de forte industrialização do país, em 1950–1970, o PIB do Brasil crescia a um ritmo quase quatro vezes maior do que na fase seguinte, de 1980–2020, quando a participação da indústria em nossa estrutura produtiva caiu pela metade. No primeiro período, multiplicamos nosso PIB por dez; já no segundo conseguimos apenas dobrá-lo.”

Hoje, o Brasil teria uma renda per capita 6 vezes maior se tivesse mantido o desempenho da década de 50 nos últimos quarenta anos. Dessa forma, a renda do brasileiro seria superior à de alemães, franceses e britânicos.

“Entre 1948 e 1980, a participação da manufatura no PIB do Brasil aumentou de 14,3% para 20,1%, enquanto o PIB total do país cresceu 7,4% ao ano. Entre 1981 e 2020, a parcela da manufatura caiu seguidamente até atingir 11,3% do PIB, e a taxa média de crescimento do PIB nesse período desacelerou para 2% ao ano.”

Mais grave é que a queda recente se dá em setores de alta tecnologia. A Carta Iedi analisa o trimestre jul-set/21 a partir da metodologia empregada pela OCDE, que agrega os distintos ramos da indústria de transformação segundo sua intensidade tecnológica.

Houve perda generalizada de dinamismo, mas os ramos de alta e de média-baixa foram os que mais contribuíram para que a indústria tenha ficado no vermelho. A indústria de maior tecnologia foi a que mais declinou (7,5%).

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