Brincadeira de forca (Ugh!)

Preencha os espaços em branco: por que o Queiroz depositou...

Empresa Cidadã / 19:40 - 1 de set de 2020

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Perfil “1” (BO T).

Consagrado velocista jamaicano; campeão olímpico e mundial; tricampeão em duas modalidades olímpicas consecutivamente; bicampeão na modalidade revezamento 4 x 100 metros. Atleta mesmo. Testou positivo para a Covid-19, mas não debochou dos que perderam a vida para a doença (ou para a negligência).

 

Perfil “2” (BO O).

Calado é um poeta” (com a devida licença do senador Romário).

Bundão” é como gosta de chamar quem não resiste à Covid-19. “Soco na boca” é como responde à pergunta “por que o Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da...”

 

Perfil “3” (BO N).

Ator antirracista. Consagrado na produção “Pantera Negra”, filmada, quase toda, por um elenco constituído por atores negros e por atrizes negras.

 

Preencha os espaços em branco, conforme os perfis “1”; “2” e “3”.

U._._._.N BO._.T; J._._.R BO._._._._._._.O; e C._._._._._._.K BO._._._._.N.

Sobrevivendo a mais um agosto. Motivo de otimismo (afinal, este foi o meu 67º).

Respostas na próxima edição.

 

Desfaunização e pandemia

Em 2019, as apreensões de animais silvestres objetos de tráfico, assim como o PIB, diminuíram, comparadas aos anos de 2018 e de 2017. Foram 1121 apreensões em 2019, 1402 em 2018 e 1224 em 2017. Os números, apesar de baixos, compreendem várias operações, contra capturas em cativeiro, venda ilegal e caça. No Brasil, os animais mais traficados são as aves (80% das vendas). Os fluxos do tráfico de animais silvestres são estimados entre US$2,5 milhões e US$3,0 milhões.

 

Descolonizar as relações entre os povos

Os números não revelam as verdadeiras dimensões do tráfico de animais, só mesmo as dificuldades e o desaparelhamento dos órgãos encarregados. Há também um isolamento excessivo destes órgãos. Em Nova York, por exemplo, uma circulada pela Rota 17 mostraria que não é difícil encontrar “pet shops” que, sem inibição, comercializam animais da fauna brasileira e de outros países, como da Austrália, da Oceania, da África e outras origens, revelando, na verdade, relações entre países, como as de colonizadores do século XVI que, encantados com as falas ou as cores dos pássaros, ou com as peles dos felinos, ou do marfim dos elefantes ou somadas às presumidas propriedades curativas e afrodisíacas dos cornos de rinocerontes, se não houver um empenho também dos consumidores que, lá como aqui, evitem que o combate a este tipo de tráfico seja mero enxugamento de gelo.

 

Gelo terceirizado

Gelo que, na maior parte das vezes, é terceirizado por pessoas destituídas de direitos elementares de cidadania, em vista das razões da sobrevivência (e que requereriam estratégias de substituição da renda auferida com o tráfico), até reis, como o fugitivo rei da Espanha, matador confesso de elefantes, e que demandam estratégias adequadas aos diferentes tipos de criminosos.

 

Visão estratégica

A Renctas, ONG fundada em 1999, com sede em Brasília (DF), empenhada na defesa da biodiversidade, aponta objetivamente dificuldades causadas ao combate ao tráfico, derivadas da dispersão e incompatibilidade das informações entre órgãos federais (Ibama e ICMBio) e de órgãos de outras dependências administrativas. Outras linhas estratégicas de combate ao tráfico, depreendidas da narrativa da Renctas, são as linhas educacional e de conscientização, para reduzir a demanda por espécies, apoio às agências de combate a este crime, com incentivo à realização de pesquisas e, por fim, capacitação de servidores públicos e apoio técnico para a criação de projetos de lei que possam ser negociados através de ação política (lobby). Também não se pode negligenciar ante aspectos, como a necessidade de se asfixiar financeiramente as quadrilhas responsáveis pelo tráfico, atingindo os seus mercados e clientes.

 

Lei seca

Há também o efeito perverso das redes sociais que, assim como constroem aplicativos para ludibriar as operações policiais de repressão ao consumo de bebidas alcoólicas no trânsito (“Lei Seca”), fazem algo análogo no plano internacional. O princípio é o mesmo, afinal.

 

Mais visões estratégicas

Há, no país, outras organizações empenhadas no combate ao tráfico internacional de animais e de pessoas, como a Freeland Brasil, braço sul-americano da Freeland Foundation e o Núcleo de Estudos Animais, Ambientes e Tecnologias (NEAAT) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Importante contribuição a um plano estratégico de enfrentamento ao tráfico de animais emerge do NEAAT. Trata-se de aspectos referentes à condição humana de proceder (traficantes e não-traficantes) de maneira especista, como se estivesse em um patamar diferente dos animais na natureza, com domínio e desfrute sobre eles. Como um corolário, derivam daí práticas para “consertar” (com “s” mesmo) a natureza, introduzindo (deliberadamente ou por negligência) e depois combatendo, espécies exóticas em habitats que não as comportam. Há diversos exemplos, como as cracas que tomam os cascos dos navios que fazem roteiros internacionais; bem como lebres e sapos na Austrália; javalis (depois javaporcos) no Brasil; etc.

 

Paulo Márcio de Mello é servidor público aposentado (professor da Universidade do Estado do RJ – Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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