Budapeste e Viena, imperdíveis

Por Paulo Alonso.

Cidades muito próximas, interessantes e ricas culturalmente

 

Budapeste, capital da sedutora Hungria, e Viena, capital da musical Áustria, se complementam em um roteiro clássico pelo centro-leste europeu. O cantor e compositor Chico Buarque de Holanda, que fez aniversário no último domingo, já escreveu que “a única língua que o diabo respeita” é a utilizada na Hungria. A língua é assustadora. Todavia, atualmente, o inglês é bastante difundido.

A Hungria reúne outras particularidades como os banhos turcos, os magníficos edifícios de Budapeste, o Lago Balaton, o maior da Europa Central, e monumentos absolutamente incríveis. A capital húngara foi fundada em 1873, após a unificação de três cidades, Buda e Óbuda, na margem do Danúbio, e Peste, na margem leste. Grande parte da arquitetura da cidade é fruto do nacionalismo que marcou o final do século 19 e o início do 20.

Buda, Peste e Óbuda se consolidaram no final do século 12. Buda abriga o Palácio Real e as Termas de Géllert, legado da ocupação turca na região, enquanto Peste concentra o Parlamento, a Ópera, a Basílica de Santo Estevão e a maioria dos grandes cafés. Entre Buda e Peste está o Rio Danúbio, que passa embaixo de suas magníficas pontes. Aliás, caminhar à noite às margens do Danúbio, admirando a iluminação da Ponte das Correntes e dos prédios em ambos os lados, é um belo programa. O problema será descobrir qual dos dois lados é o mais encantador e o mais inspirador.

Entre os monumentos de Budapeste está o grandioso Parlamento, inspirado no de Londres. Apesar da fachada neogótica, a obra segue as convenções do estilo barroco, com um espetacular domo central. A Igreja paroquial da Cidade Interna e a Basílica de Santo Estevão merecem ser visitadas, por causa dos seus conjuntos arquitetônicos, assim como o Museu Nacional e o de Belas Artes. No primeiro, há um eclético acervo que compreende os séculos 11 a 20. Já o segundo contém uma grande de coleção de pintura europeia, desde a época medieval até o século 20, além de antiguidades romanas, gregas e egípcias.

A Ópera foi inaugurada, em 1884, e sua fachada é decorada com temas músicas, apresentando estátuas de Erkel e Liszt. A opulência do foyer, com seus candelabros, murais, colunas de mármore e teto abobadado, revela-se também na escadaria principal e nas galerias do auditório.

No Castelo de Vajdahunyad, com seções gótica e renascentista, estão reproduzidos detalhes de mais de vinte famosos edifícios da Hungria. O maior destaque é dado à era medieval, considerada a mais glamorosa da história do país, enquanto o controverso período de Habsburgo foi relegado ao segundo plano.

Ópera de Viena (foto Pixabay CC)
Ópera de Viena

De barco, a viagem, pelo Danúbio, entre Budapeste e Viena, demora seis horas e meia, mas é muito mais agradável do que a de trem. Daí a razão de, estando em Budapeste, dar um pulinho na vizinha Áustria. Apesar do frio e do vento, Viena é charme puro e musical sempre.

Aliás, a Áustria mantém ares do Velho Mundo mais do que qualquer um dos seus vizinhos. A onipresente arquitetura dos tempos do Império Habsburgo, a música de Mozart e Srauss e as pinturas de Klint seduzem o viajante, assim como o Quarteirão dos Museus, um dos maiores centros culturais do mundo, instalado nos antigos estábulos de Viena. Para completar, Viena tem vitrines espetaculares, os mais deliciosos doces confeitados do planeta e ainda estações de esqui, no Tirol, tão boas quanto as da Suíça, e por preços mais em conta.

A sensação que se tem ao percorrer Viena a pé é de que a cidade realmente não parou no tempo. Pelo contrário, está repleta de atrações para todos os gostos e bolsos. Uma cidade charmosa na qual os bondes ainda desaceleram para não atropelar as pombas que ciscam entre os trilhos. Aliás, esses bondes jamais atrasam. Viena é para ser curtida com passeios e caminhadas descompromissadas, e nada melhor do que percorrer a Rua Graben, ponto nevrálgico da capital.

A casa em que viveu de Sigmundo Freud, na Rua Bergasse, 19, é parada obrigatória. Lá, até o início do nazismo, o pai da Psicanálise, morou e trabalhou. Documentos, pesquisas, fotos e até um vídeo pessoal estão à disposição dos visitantes. O famoso divã, no entanto, encontra-se no Museu de Londres.

Também merece uma visita à Catedral de Santo Estevão. O Palácio de Schönbrunn e seus jardins são magníficos. Em seu interior há uma sala toda revestida em pau-brasil. Em estilo gótico, o palácio, que abriga 1.141 cômodos, possui esplêndidos altares, esculturas, pinturas e as criptas dos imperadores. Do topo da torre norte se abre uma linda e romântica vista de Viena.

O palácio barroco foi residência de verão da família imperial austríaca, desde meados do século 18 até ao final da Segunda Guerra Mundial. Nele viveu até 1817, data de seu casamento com o futuro imperador D. Pedro I, a arquiduquesa Leopoldina de Habsburgo, que teve papel definitivo na independência do Brasil. O Schönbrunn tem sido uma das principais atrações turísticas de Viena desde o século 19. O palácio e o seu parque de cerca de 160 hectares está classificado, desde 1996, como parte do Patrimônio da Humanidade, pela Unesco. Tem aparecido em postais, documentários e diversas produções cinematográficas. Uma das principais atrações do parque palaciano é o Tiergarten Schönbrunn, o mais antigo jardim zoológico do mundo.

Obviamente, um passeio pela Ópera de Viena não pode deixar de estar também presente na agenda do visitante. Trata-se de um programa obrigatório, ainda que os preços sejam salgados. O espetáculo, contudo, merece esse investimento. Não é apenas Viena que encanta. Salzburgo, na fronteira com a Alemanha, é cheia de charme e delicadeza.

A terra de Mozart recebe, anualmente, milhares de visitantes que querem conhecer a sua arquitetura barroca, ares de montanha e muita música. O festival ali realizado, a partir do mês que vem e que vai até agosto, é o mais importante da Europa. A casa onde Mozart viveu, até os 17 anos, expõe objetos originais, como o pequeno violino que o compositor usava quando criança. E, se quiser apreciar uma linda vista da cidade e do Alpes, suba de funicular até o castelo medieval ali pertinho.

A Hungria e a Áustria são países muito próximos, interessantes e ricos culturalmente e, juntos, guardam uma enorme parcela da história. São simplesmente imperdíveis. A Austrian Airlines voa entre as duas capitais em 50 minutos. O preço varia bastante, incluindo opções que variam de € 74 e € 140.

 

Paulo Alonso, jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Reflexões para Teoria do Estado Nacional: questão nacional na colônia

Por Felipe Quintas e Pedro Augusto Pinho.

Por uma política industrial consistente

Por Ariovaldo Rocha.

Investir para vencer a inflação

Por Sofia Gancedo.

Últimas Notícias

Exterior misto deve acrescentar volatilidade nos negócios locais

Nesta quarta, dólar também ganha força ante moedas emergentes e ligadas a commodities, o que deve pressionar o real.

BNDES: R$ 317,2 milhões nos aeroportos de Mato Grosso

Ao todo serão investidos R$ 500 milhões nos quatro aeroportos, com participação de 65% do BNDES

Fintechs emprestaram mais de R$ 12 bi em 2021

Crédito é quase o dobro do ano anterior, diz pesquisa da ABCD e PwC Brasil

Regulador divulga primeiro balanço sobre o 5G em Portugal

No final do primeiro trimestre, já havia 2.918 estações de rede 5G espalhadas por 198 cidades (64% das cidades)

Está mais fácil comprar carro na China

Vendas no varejo de veículos de passageiros atingiram 1,42 milhão de unidades durante o período de 1 a 26 de junho