Bóia de salvação

Europeus e estadunidenses têm boas razões para invejarem o Brasil, por este, apesar do furacão da privataria tucana, ter mantido alguns bancos públicos essenciais. Entre  2000 e 2006, os desembolsos do BNDES situavam-se em torno de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país A partir de 2007, com o Brasil crescendo pouco acima de 2%, a participação da instituição no fornecimento de crédito foi sendo elevada, atingindo 4,6% do PIB, ano passado. Com isso, de 2002 para 2010, os aportes do BNDES à economia saltaram de R$ 38 bilhões para R$ 168 bilhões. A medida foi fundamental para tirar o país da recessão, de 2009, e crescer 7,5%, ano passado.

Garantidor
Para garantir que o BNDES ajudasse a evitar o colapso do sistema de crédito no país – ameaçada pelo fechamento do acesso ao mercado externo e à retração dos bancos privados, mais interessados nos ganhos fáceis da maior taxa de juros reais do planeta – foi fundamental o papel do Tesouro Nacional, que flexibilizou a política fiscal que mantinha o país em recorrentes vôos de galinha. Entre 2001 e 2007, a fatia do Tesouro nos desembolsos do BNDES situava-se ao redor de 10,7%, em média. Com o estouro da crise, no ano seguinte, o Tesouro foi ágil, ao elevar sua participação para 17,3%, em 2008, e 40,2%, em 2009, saltando para 52,4%, em 2010. Este ano, ela está em 55,2%.

Igualdade cara
Uma corte européia definiu que, a partir de dezembro de 2012, as seguradoras não poderão mais considerar o fator “diferença de sexo” nas suas taxas de seguro. “Sem querer entrar no mérito dos aspectos “politicamente corretos” ou não da decisão, era mais do que natural que essas empresas reagissem”, comenta o analista de seguros Francisco Galiza.
A CEA (Insurers of Europe) – entidade que representa as federações das seguradoras de 34 países do continente – acabou de divulgar o estudo The impact of a ban on the use of gender in insurance (www.cea.eu/uploads/Modules/Publications/oxera-study-on-gender-use-in-insurance.pdf).
Nas conclusões do estudo, caso a medida da corte européia seja realmente implantada, as mulheres irão pagar 30% a mais de seguro de vida e 11% a mais de seguro de automóvel, sem contar outros efeitos, como alteração de demanda e nos cálculos atuariais.

Sem espaço vazio
A derrota da proposta da divisão do Pará em três estados não significa que o Estado – com “e” maiúsculo – deva se ausentar de lá. Muito pelo contrário: o maciço apoio à separação no Interior só comprova a pouca  abrangência da presença governamental num estado com o tamanho de um país. A ausência abre espaço para ONGs estrangeiras mostrarem serviço, muitas vezes com iniciativas simples, mas eficazes, como atendimento à saúde com um médico e uma enfermeira voluntários e remédios doados. O principal problema é que, em meio às boas intenções, vão se infiltrando representantes de organizações estrangeiras que conquistam a simpatia da população, mas desejam, não a divisão do Pará em três, e sim a separação da Amazônia do controle brasileiro.

O quê?
Para os que crêem que o acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa representa um avanço na unificação do idioma: um site português utilizou a palavra “loiça”, e, no pé do texto, colocou a observação: segundo o novo acordo ortográfico.

O mercado errou
Analistas de bancos e seus porta-vozes na mídia tupiniquim, que satanizaram o Banco Central quando este iniciou a queda da taxa básica de juros (Selic), em abril, previram que, embora bastante modesto, esse movimento jogaria a inflação às alturas. Como a realidade se encarregou de mostrar, a inflação, ao contrário, como sempre ocorre após a alta sazonal do início de ano, iniciou trajetória de queda, acompanhando a “desinflação” das cotações das commodities. Apesar disso, até agora, nenhum dos críticos da decisão do BC se retratou.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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