Busca por crédito caiu 6,27 em novembro ante igual período de 2023

Segundo a CNDL/SPC Brasil, apesar da queda, procura teve aumento na passagem de outubro para novembro

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Carteira com cartões de crédito (Foto; Wilson Dias/ABr)
Carteira com cartões de crédito (Foto; Wilson Dias/ABr)

A busca por crédito no país caiu ‐6,27% em novembro de 2024 em relação a novembro de 2023. Na passagem de outubro para novembro, o número de consultas cresceu 11,01%. É o que mostra o Indicador de Demanda por Crédito da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

“Os juros no país continuam altos, o que torna o cenário da busca por crédito ainda mais desafiador para os consumidores. O momento é de cautela uma vez que a inadimplência se mantém em patamares elevados. É importante que o consumidor avalie muito bem a sua capacidade de pagamento antes de fazer novos empréstimos. Além disso, lembramos que quanto mais fácil o crédito, maiores os juros que serão cobrados”, destacam o presidente da CNDL, José César da Costa.

Analisando o perfil do consumidor que buscou crédito no Brasil em novembro, nota‐se que o público predominante é o masculino, com participação de 52,75%. Na abertura por faixa etária, o público com participação mais expressiva foi de 30 a 39 anos, que representou 24,89% do total.

O indicador aponta que, do público consultado, 1,53% contrataram algum serviço de crédito. Os dados mostram que desse público, 86,53% contrataram Empréstimo e 11,08% Financiamento, totalizando 97,61%. Lembramos que um mesmo CPF pode contratar mais de um produto.

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Observando a abertura por grupos financeiros que realizaram consultas em novembro, o grupo com participação mais expressiva no Brasil foi atividades auxiliares dos serviços financeiros (39,54%), seguido por intermediação monetária depósitos à vista (26,27%), que totalizam 65,81% das consultas.

No momento da consulta, 37,11% dos consumidores possuíam alguma restrição ativa.

“O elevado nível de endividamento, aliado à busca de crédito por inadimplentes, sugere que muitas famílias estão recorrendo ao crédito para atender necessidades imediatas, possivelmente enfrentando restrições no orçamento. Este cenário é preocupante, uma vez que os consumidores estão tendo dificuldade em manter as contas em dia. É importante que as famílias priorizem o pagamento das contas em aberto antes de buscar novos créditos. O cenário do país não é ideal para fazer novos empréstimos”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

Abrindo os resultados por região, o Sudeste apresentou a maior participação no número de consultas em novembro, com 45,45%, seguido pelo Nordeste (21,53%), Sul (17,43%), Centro‐Oeste (8,68%) e Norte (6,91%).

Já segundo a Federação Brasileira de Bancos, o crédito deverá crescer 9% em 2025, com a carteira de recursos livres tendo expansão de 8,3% e a direcionada de 9,7%, revela a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da entidade. O resultado do levantamento, feito com 19 bancos entre os dias 17 e 20 de dezembro, aponta uma redução, para 2025, do ritmo de crescimento em relação à expansão da carteira de crédito de 2024, prevista para fechar em 10,5%.

Os dados de 2024 (até novembro) seguem em linha com o avanço na faixa de dois dígitos do crédito no ano, refletindo a queda dos juros no 1º semestre, os índices de inadimplência mais contidos, elevação da renda das famílias, recuperação do crédito para as empresas e novos programas públicos.

A carteira com recursos livres, entre janeiro e dezembro de 2024, deverá ficar em 10,1%, mostrando um aumento ante 9,9% da pesquisa de novembro. Ocorreram revisões positivas tanto na carteira para as famílias, como para empresas. A expectativa de alta da carteira livre para empresas também subiu de 8,5% para 8,7%, enquanto da carteira livre para famílias saiu de 11,1% para 11,3%.

A estimativa é que 2024 feche com um leve recuo na projeção de crescimento da carteira com recursos direcionados, de 11,7% para 11,4%. A queda foi puxada pela revisão negativa da expansão do crédito destinado às empresas (10,0% ante 10,7%), diante da reavaliação do impacto de alguns programas públicos. Já a expectativa de expansão do crédito direcionado destinado às famílias passou de 11,9% para 12,0%.

Para 2025, porém, as projeções obtidas com a pesquisa dos bancos já refletem a piora nas expectativas quanto às condições econômicas e à política monetária, que tendem a ser bem mais apertadas ao longo do ano. Nesse sentido, a projeção para o crescimento do crédito neste ano aponta para uma acomodação, recuando de 9,3% (pesquisa anterior) para 9,0%, com revisão para baixo concentrada no crédito com recursos livres (de 9,2% para 8,3%). Já a projeção para a carteira direcionada praticamente não sofreu alteração, ficando em 9,7% (ante 9,8%).

“Começamos o ano com as expectativas de crédito recalibradas diante do cenário macroeconômico mais desafiador que se desenha, com maior aperto monetário para conter a inflação e seu reflexo direto na atividade. Ainda que a reacomodação seja natural e esperada, os números podem continuar sendo considerados positivos, com crescimento projetado de um dígito alto, próximo ao verificado em 2024. As previsões são sensíveis à evolução dos números e aos resultados da economia, e conforme o cenário fiscal ficar mais claro e os indicadores sinalizarem resultados positivos, o crédito poderá voltar à faixa de dois dígitos”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Ainda de acordo com a pesquisa, a expectativa para a taxa de inadimplência da carteira livre aponta ligeira piora. O indicador deve fechar 2024 em 4,5%, pouco acima do nível atual, 4,3% em novembro, segundo dados do Banco Central. Para 2025, a projeção da inadimplência da carteira livre também se elevou um pouco e atingiu 4,7%, ante 4,5% na pesquisa anterior.

“Esses dados indicam que as instituições financeiras começam a ver um cenário mais negativo para a inadimplência do próximo ano e, por isso, precisamos analisar com atenção a performance das famílias e das micro, pequenas e médias empresas, diante do novo ciclo de alta dos juros”, complementa Sardenberg.

A pesquisa mostra que a grande maioria dos entrevistados (84,2%) espera que o Copom eleve a taxa Selic para além de 14,25% ao ano no atual ciclo de aperto monetário. Porém, a maioria (52,6%) espera que um novo de ciclo de flexibilização monetária se inicie ainda em 2025. Sobre a trajetória da Selic, a expectativa para os juros se elevou novamente ante as pesquisas anteriores. Agora, a mediana para a Selic prevê alta até 15,0% ao ano em junho de 2025.

A expectativa para a taxa de câmbio também seguiu em alta em relação às pesquisas anteriores. No curto prazo, a expectativa é que o câmbio siga próximo do nível de R$ 6,00, mostrando apreciação ao longo do período avaliado, quando atingiria R$ 5,90 em julho de 2025.

A maioria dos participantes (57,9%) espera que o IPCA encerre 2025 acima de 4,5%, ou seja, além do teto da meta, em função de inúmeros fatores, como a atividade aquecida, o mercado de trabalho apertado e o câmbio depreciado. Com relação à atividade, metade dos participantes espera que o PIB cresça em torno de 2,0% em 2025, que é o consenso atual de mercado. Contudo, 27,8% dos participantes esperam um crescimento menor, diante do nível restritivo da política monetária/condições financeiras e redução dos estímulos fiscais.

No campo fiscal, a maior parte dos entrevistados (66,7%) estima que o pacote aprovado no Congresso gere uma economia entre R$ 40 bi e R$ 55 bi nos próximos dois anos.

Sobre a política monetária nos EUA, 57,9% dos analistas consultados ainda esperam que o Fed siga com o processo de cortes dos juros em 2025, levando as taxas para o intervalo entre 3,75% e 4% aa, próximo ao precificado atualmente pelo mercado.

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