Bye, bye Brasil

Indústrias brasileiras de pneus recauchutados poderão se mudar para o Paraguai e de lá exportar para o Brasil, com incentivos locais e garantias do Mercosul. BS Colway e PneuBack, as duas maiores do setor, que reúne 1,6 mil empresas e emprega 45 mil trabalhadores, apresentam detalhes nesta quarta-feira. O motivo da mudança para o país vizinho é a proibição de importação de matéria-prima. O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará iniciativa do Executivo para proibir de vez a vinda de pneus usados, principalmente da Europa. Caso não tenha sucesso no STF, a Presidência da República cogita baixar uma medida provisória com a mesma finalidade.

Pela culatra
A importação de pneus usados é polêmica. De um lado, supostos defensores do meio ambiente dizem que prejudica o Brasil e é apenas uma forma de a Europa se livrar do lixo. De outro, as indústrias reformadoras alegam que os pneus importados são necessários, por falta de matéria-prima nacional, e que nenhum será descartado.
O certo é que, se as empresas forem para o Paraguai, o Brasil perde empregos, faturamento e verá pilhas e pilhas de pneus usados sem destino, já que as multinacionais que os fabricam não recolhem as carcaças, depois de descartadas, como mandam a lei e a responsabilidade ambiental.

“Estamos transferindo”
O INPI promete utilizar software da União Européia para agilizar a concessão de patentes. Mas poderia recorrer à tecnologia nacional para atender aos telefonemas dados ao órgão. Uma amiga desta coluna reclamou que os funcionários deixam o cidadão – e contribuinte – esperando eternamente ao telefone, ouvindo música, como se não tivesse mais nada para fazer na vida.

Emissões de marketing
Mais uma empresa a surfar – no caso, o mais apropriado seria planar – no marketing do aquecimento global. A Air France colocou em seu site na Internet uma calculadora de emissões de CO2. O passageiro pode calcular quanto a aeronave da companhia utilizada em determinado vôo emite de “gás de efeito estufa”. Emissões de CO2 são diretamente proporcionais à quantidade de combustível consumido. Em uma viagem São Paulo-Paris-São Paulo, a Air France lança 1.730kg do gás por passageiro.
Em algumas semanas, a companhia vai anunciar aos seus clientes a possibilidade de anular essas emissões por meio de uma ação com uma ONG. Ou, como diria o Barão de Itararé, “de onde menos se espera, daí é que não sairá coisa alguma, mesmo”

Calote
A Fecomercio de São Paulo também abriu fogo contra a proposta de Emenda Constitucional (PEC) 12/2006, de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB/AL), que dificulta ainda mais o recebimento de precatórios da União, dos estados e municípios. Estima-se em mais de R$ 100 bilhões o montante dessa dívida. A PEC 12 prevê que seja destinados apenas 3% das despesas primárias líquidas do ano anterior para pagamento de precatórios. A Fiesp realiza nesta quarta ato contra a proposta.

Arroz sem feijão
Prato fundamental na mesa dos brasileiros, o feijão vem perdendo lugar para outros alimentos. Atualmente a média de consumo é de 16,5 kg/habitante por ano. Para se ter uma idéia da diminuição, na década de 1960 o consumo anual era de 23 kg/habitante. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990, caiu para 20kg, 16kg e 17 kg/habitante por ano. O feijão é rico em ferro, vitaminas tipo B e fibras (essencial para o bom funcionamento do intestino). Além disso, é uma excelente fonte protéica.

Praga
A notícia de que o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou prazo de 15 dias para a Funasa anular o pregão eletrônico aberto para contratar empresa que irá fornecer 44 unidades de servidores de rede mostra que esse tipo de concorrência não é uma garantia contra fraudes. Mais importante é a existência de controles e auditorias que impeçam desvios.

No Rio
O Comitê Pró-TV Pública no Rio de Janeiro realiza na próxima segunda-feira, a partir das 18horas, ato em defesa da instalação da sede da futura rede de radiodifusão no estado. Será no auditório do 7º andar da ABI (R. Araújo Porto Alegre 71, no Centro do Rio).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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