Bye, bye, florestas do Brasil

Bye Bye Brasil, filme brasileiro de 1979, dirigido por Cacá Diegues, consta da relação dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). No roteiro, Lorde Cigano (interpretado por José Wilker) é o líder da Caravana Rolidei, que se apresenta em espaços públicos de cidades ao longo da rodovia Transamazônica, chegando até Altamira (PA).

Lorde Cigano faz até “nevar” no árido Sertão brasileiro (neve “fake”, mas que emociona as plateias. Finalmente, nevou no Brasil…). A trilha sonora marcante de Bye Bye Brasil tem a contribuição de Chico Buarque de Holanda, Dominguinhos, Fevers, Genival Lacerda e outros mais. No elenco, além de Wilker, estão Fábio Jr (interpretando Ciço), Bety Faria (Salomé), Zaira Zambelli (Dasdô), Jofre Soares (Zé da Luz) e Marieta Severo, entre outros.

A mesma Altamira de Bye Bye Brasil é evidenciada tristemente no noticiário dos dias atuais, não pelas “espinhas de peixe”, como Lorde Cigano chamava as antenas que denotavam a presença das TVs, naquela época concorrentes nefastas contra a sua mambembe caravana Rolidei.

Altamira de hoje desponta como o município mais atingido pelo desflorestamento amazônico (com 79 km² de área desflorestada (março de 2020), seguido por: São Felix do Xingu (PA; com 75 km²); Porto Velho (RO, com 66 km²); Lábrea (AM, com 55 km²); Pacajá (PA, com 41 km²); Novo Progresso (PA, 40 km²); Portel (PA, com 37 km²); Senador José Porfírio (PA, com 34 km²); Itaituba (PA, com 32 km²) e Placas (PA, com 31 km²). Os dados foram divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), através do Boletim do Desmatamento da Amazônia Legal (setembro de 2020), com informações apuradas através do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD).

Em termos referentes aos estados da Região, o SAD detectou, em setembro de 2020, 1.218km² de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento de 52% em relação a setembro de 2019. O desflorestamento ocorreu principalmente no Pará (51%), Amazonas (13%), Mato Grosso (12%), Rondônia (12%), Acre (7%), Maranhão (3%) e Roraima (2%).

A área desflorestada representa o maior valor da série histórica da última década, referente ao mês de março. Os estados do Pará e Mato Grosso concentraram 60% do desmatamento detectado na Amazônia Legal, em março de 2021. Por estado, o percentual de desmatamento apresenta primeiramente o Pará (35%), seguido por Mato Grosso (25%), Amazonas (12%), Rondônia (11%), Roraima (8%), Maranhão (6%), Acre (2%) e Tocantins (1%).

O período de janeiro a março de 2021 também é recordista na série histórica de desmatamento na última década: o total desmatado é mais do que o dobro do registrado em 2020.

Há ainda a captação e divulgação de dados pelo Imazon, referentes às áreas degradadas da floresta, que somaram 3.048 km² (setembro de 2020). Representam um aumento de 147% em relação ao ano anterior, quando a degradação detectada foi de 1.233 km². A degradação é caracterizada pela extração seletiva das árvores, normalmente para fins de comercialização de madeira, e pelas queimadas.

Os estados mais atingidos pela degradação foram Mato Grosso (78%), Pará (15%), Tocantins (3%), Amazonas (2%), Rondônia (1%) e Roraima (1%). As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 64 km² em março de 2021. Representa um aumento de 156%, em relação a março de 2020 (25 km²). Em março de 2021 a degradação foi detectada em Rondônia (39%), Mato Grosso (36%) e Pará (25%).

 

Não confunda John Kerry com Jim Carrey

Dando cumprimento à promessa de campanha, o presidente eleito dos EUA receberá virtualmente cerca de 40 líderes de países que têm o que dizer (e o que ouvir) sobre as mudanças climáticas. Disposto a retomar a iniciativa mundial da peleja ambiental, deixada de lado pelo presidente anterior, o atual presidente dos EUA, Joe Biden recepcionará nesta semana (22 e 23 de abril) 40 chefes de estado na Cúpula de Líderes sobre o Clima, para dizer a que veio no tema.

Já mostrou a sola da chuteira para a Rússia de Putin e para o governo brasileiro, ao despachar para reuniões de pauta, no início deste mês, em atitude inédita, um emissário de alto nível, o diretor sênior para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional, Juan Gonzalez, que foi à Colômbia, Argentina e Uruguai, e sobrevoou o Brasil, sem tocar o solo verde-amarelo.

John Kerry não deve ser confundido com o ator Jim Carrey, o comediante de Debi&Loide e de O Máscara (que ironia…). Designado “enviado especial climático” pelo presidente, é o chefe da equipe e responsável por viabilizar os objetivos da pauta do clima na administração Biden, apresentada em linhas gerais na campanha.

De fala suave, como convém a um emissário especial, que bem poderia ser chamado de embaixador, John Kerry está subordinado ao protocolo da hegemonia, que, no dizer de Jefferson, significa “fazer comércio com todas as nações, mas aliança com nenhuma. Este deve ser o nosso lema”. Ou, que nas mãos do presidente Theodore Roosevelt, chamou-se “The Big Stick”, ou ainda, “primeiro os embaixadores e os empresários; depois os marines…” É só tentar passar a boiada.

 

#Vacina sim!

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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