Cabos eleitorais

Confiantes na vitória no referendo, defensores do “não” tinham uma estratégia infalível para consolidar a vitória no domingo: provocar a turma do “sim” para que usasse depoimento conjunto de FH e do presidente Lula em defesa desta última tese. Os apoiadores do “não” pensavam que, se a vinculação do “sim” ao governo Lula já ajudou a impulsionar a campanha contra a proibição acima dos 50% das intenções de voto, se “colassem” o “sim” a Lula e FH, a vitória seria ainda mais acachapante. Sexta-feira, porém, Lula tratou de se desvincular de qualquer campanha, deixando a dona Marisa a função de fazer o sinal de apoio ao “sim”.

Ao léu
A Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) prevê que a política habitacional do governo Lula agravará o déficit habitacional nos próximos anos. Para a ABMH, a principal razão é que 85% dos créditos para compra da casa própria estão concentrados na classe média alta, que responde por apenas 15% do déficit brasileiro.
Segundo Geraldo Tardin , diretor da ABMH no Distrito Federal, além de investir inexpressivamente na construção de imóveis para a população de baixa renda, o governo não gasta sequer a verba destinada ao setor no Orçamento da União. De janeiro a setembro, o Ministério das Cidades investiu apenas 10% da dotação disponível para este ano, de R$ 209 milhões: “Ou o governo começa a rever sua política habitacional, ou o país enfrentará colapso no setor dentro de pouco tempo”, alerta Tardin, acrescentando que o déficit habitacional brasileiro alcança cerca de 7 milhões de unidades.

Bola de neve
Tardin observa que os recursos alocados no Orçamento deste ano só dariam para construir 13 mil unidades, que, salienta, “não é nada diante do estrondoso déficit”. A ABMH alerta para o risco provocado pelo aumento da concessão de crédito, elevando explosivamente o endividamento dos candidatos à compra da casa própria: “O dinheiro liberado é muito caro e o mutuário só vai perceber isso quando já não tiver mais como pagar a prestação, e quando descobrir que o saldo devedor está virando uma bola de neve impagável”, adverte Tardin, aconselhando os interessados a considerar ainda os planos que acompanhem a evolução de seu salário, normalmente com reajuste anual.

Cesta polêmica
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann, critica a intenção do governo federal de criar uma “cesta da construção” – materiais que ficariam livres da cobrança de impostos federais, como já ocorre com produtos da cesta básica. “Isso é um incentivo à favelização e à informalidade na construção. São medidas inócuas, que não vão reduzir o déficit habitacional”, alerta Kauffmann, que defende a concessão de incentivos às construtoras.

Apagão à vista
Esquenta a disputa entre PT e PMDB na Eletrobrás, deixando de lado assuntos menos atraentes, como as linhas de transmissão de Itaipu, que estão caindo pelas tabelas. E mesmo dentro do PMDB é acirrada a luta entre as diversas facções. A recém-empossada diretora de Administração, Aracilba Alves da Rocha – que substituiu um petista indicado por José Dirceu e tem experiência na área pública em transportes e habitação – é indicação do senador Ney Suassuna; já o presidente da estatal, Aloisio Vasconcelos, foi diretor da Cemig na gestão do peemedebista Newton Cardoso no governo de Minas.

Luz
No andar da presidência da Eletrobrás, a fila de políticos é constante. Todos, provavelmente, interessados nos rumos da energia elétrica no país.

Construir
A 10ª edição da Construir, a maior feira do setor da América Latina, deve movimentar cerca de R$ 360 milhões em negócios, com 1,5 mil empresas do setor. Entre os visitantes, são esperados 200 mil do país e do exterior. A feira vai acontecer entre 8 e 12 de novembro, no Rio de Janeiro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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