O número de adultos com relacionamento com instituições financeiras atingiu 175 milhões ao final de 2024, o que representa 96,4% da população adulta. Em termos relativos, entre 2020 e 2024, a expansão foi maior nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Isso mostra que o acesso ao Sistema Financeiro (SFN) vem se tornando praticamente universal.
Os dados compõem a nova edição do Relatório de Cidadania Financeira (RCF) divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Esta é a quarta edição do relatório que é publicado a cada três anos. Além do BC a publicação teve contribuições da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Fundação Getúlio Vargas (FGV), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Skema Business School.
“O brasileiro mantém, em média, 6,7 relacionamentos com instituições financeiras diferentes, um forte crescimento em relação ao início de década”.‘’Quase todos os brasileiros possuem pelo menos um relacionamento com bancos tradicionais. Em contrapartida, as denominadas fintechs – empresas de serviços financeiros digitais – já alcançam 123 milhões de clientes, atendendo uma população mais jovem, enquanto as cooperativas atendem 20,8% milhões de pessoas (11,9% dos adultos com relacionamento no SFN), com atuação concentrada no público masculino e presença proporcionalmente maior na região Sul”, cita o relatório.
De acordo com o levantamento, em dezembro de 2024 existiam 160,8 milhões de usuários ativos no SFN, correspondentes a 88,4% dos 181,9 milhões de adultos. Já com relação aos adultos que não utilizavam qualquer dos principais produtos dentro do SFN, estes totalizavam 21,1 milhões de pessoas (11,6%). O percentual de usuários ativos se assemelha à pesquisa do Global Findex de 2024, na qual 86% dos brasileiros adultos afirmaram possuir uma conta em instituição financeira.
O relatório destaca que a transformação no sistema financeiro foi impulsionada pela criação do Pix – sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo BC em novembro de 2020, de forma gratuita para pessoas físicas – cuja adoção, até o final de 2023, já alcançava mais de 70% da população de baixa renda. Este boxe analisa a evolução da inclusão financeira da população de baixa renda por meio do Pix, com ênfase no acesso e no uso das transações realizadas até dezembro de 2023. A análise utiliza dados de transações Pix referentes a uma amostra de 1% dos adultos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
Os dados mostram que, em dezembro de 2023 – três anos após o lançamento do Pix –, 74% dos adultos inscritos no CadÚnico haviam registrado ao menos uma chave Pix, evidenciando a ampla penetração do sistema entre a população de baixa renda. Além disso, 72% desses indivíduos realizaram pelo menos um pagamento via Pix ao ano, demonstrando seu uso expressivo nas transações do dia a dia. A diferença entre acesso (registro da chave) e uso efetivo caiu de 7 pontos percentuais em 2022 para apenas 2 pontos em 2023, indicando maior engajamento e confiança no sistema. O Pix consolidou-se como parte da rotina financeira desse público.
“A rápida disseminação do Pix contribuiu de forma expressiva para a inclusão financeira da população de baixa renda no Brasil. Os dados de dezembro de 2023 evidenciam o sucesso da plataforma em ampliar tanto o acesso quanto o uso de serviços de pagamento entre os adultos inscritos no CadÚnico. À medida que o Pix se consolida, ele não apenas amplia a participação econômica desse público, mas também transforma seus hábitos financeiros, viabilizando transações mais frequentes e de menor valor, adequadas às necessidades cotidianas. Essa mudança é impulsionada pela crescente aceitação do sistema por parte das empresas e pela capacidade das instituições digitais de oferecer soluções de pagamento centradas no usuário”, sublinha a publicação.
Crédito
Em 2024, o Brasil tinha quase 130 milhões de pessoas com exposição a crédito, cerca de 74% da população com relacionamento bancário. Em 4 anos, 32 milhões a mais de pessoas passaram a ter acesso a estes produtos, um crescimento de 34%. Esse acesso é distribuído desigualmente entre diferentes grupos da população. Enquanto homens e mulheres têm acesso similar, próximos à média geral de 74%, a análise geográfica indica que cidadãos residentes no Norte e Nordeste estão abaixo da média de acesso, com índices de 63% e 68%, respectivamente. Jovens também têm acesso inferior à média, com 67% de acesso. Por fim, o grupo de pessoas sem vínculo formal de trabalho tem 66% de acesso a crédito entre os bancarizados. Quando se analisa as taxas de uso entre aquelas pessoas que têm algum limite de crédito, em média 9 entre 10 pessoas expostas estão usando algum produto de crédito. Essa taxa de uso é similar em todos os perfis analisados, com exceção dos idosos entre os quais apenas 8 em 10 utilizam o crédito ao qual têm acesso. O número de usuários de operações de crédito com juros foi o que mais aumentou nos últimos 4 anos: mais de 28 milhões de brasileiros passaram a usar essas modalidades entre 2020 e 2024. Enquanto o crescimento de clientes com créditos ativos foi de 37%, o de clientes ativos com operações com juros foi de 42%. É relevante analisar também que o crescimento de clientes com ativos problemáticos28 foi ainda mais alto, de 47%.
O acesso a publicação pode ser pelo link: https://www.bcb.gov.br/content/cidadaniafinanceira/documentos_cidadania/RIF/relatorio_de_cidadania_financeira_2025.pdf
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