Cadê a polícia?

Em vez de tratar manifestantes com o ódio demonstrado nos protestos que se alastram pelas ruas, a polícia do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), deveria acionar seu setor de inteligência para monitorar a articulação de bandidos nas redes sociais para planejar atos criminosos durante as pacíficas manifestações populares. Denúncia recebida por esta coluna dá conta que, dias antes do protesto marcado para esta sexta-feira em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, um grupo planejava furtar aparelhos eletrônicos, principalmente os mais sofisticados: “Só quero LED” é um dos motes mais repetidos pela bandidagem.
 
Hora de reflexão
Os mesmos setores da mídia tupiniquim que incitaram governantes desfibrados a lançarem seus policiais contra manifestantes, jornalistas e transeuntes, ao mesmo tempo em que buscavam desqualificar os protestos, subitamente, mudaram sua narrativa, tentando se reapropriar da indignação popular. Nessa mudança, corretamente, passaram a distinguir os manifestantes com objetivos e bandeiras – esmagadora maioria – da mistura de provocadores, delinquentes e revolucionários de opereta.
No entanto, significativamente e contrariando todos os paradigmas jornalísticos, passaram a dedicar quase a totalidade da sua programação justamente a tais minorias, dando o tom dos protestos que reuniram milhões de pessoas em todo o país. Com isso, buscam esvaziar o teor mudancista dos protestos, amedrontando os que não querem nem vandalizar o patrimônio público e privado nem serem vandalizados por policiais com olhos injetados de ódio.
Esse contraste serve de aprendizado a lideranças ainda na sua infância sobre o valor do conselho acaciano de que líderes devem ser capazes de liderar, o que inclui correr riscos, se contrapor a elementos desviantes ou que contribuam para esvaziar o sentido da luta. E que a escolha nítida de bandeiras capazes de grande capacidade de mobilização define, não apenas o caráter de um protesto, como os que a ele afluem.
O sucesso inicial de quem foi guindado a catalizador de insatisfações latentes e difusas da sociedade pode, no entanto, se esvair rapidamente ao ser transformado numa árvore de Natal, na qual grupos com déficit de representação social enxertam seus penduricalhos. A hora é, não de recuar, mais de definir prioridades, como a defesa de políticas públicas em setores vitais, e a remoção dos obstáculos a sua aplicação, como o modelo econômico rentista, para que o gosto da população pelas ruas se mantenha e se aprofunde, contribuindo para a construção de um Brasil melhor e mais justo, no qual todos se sintam protagonistas.
 
Blindagem
Quando veremos o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), responder publicamente sobre os abusos da sua polícia? É bom lembrar que, se o jornalismo “chapa branca” continua a preservar Cabral, nas redes sociais o peemedebista não conta com a mesma complacência.
 
Quase livre
A tarifa de ônibus em Piraí, Sul Fluminense, é de apenas R$ 1, valor que não é reajustado há três anos. São beneficiadas quase 12 mil pessoas, aumento de mais de 40% desde que o programa da prefeitura foi implantado, em 2010.
 
Campanha
Especializada em soluções de softwares para o setor de transportes, a BgmRodotec lançou a campanha “Sou +, Sou Globus”. O concurso vai premiar, com TVs e tablet, os profissionais das empresas de transporte que obtiverem o melhor desempenho em cada área de conhecimento do sistema Globus 
 
Dois pesos
A imediata reação da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, contra o polêmico projeto que autoriza psicólogos tratarem de pacientes incomodados com sua homossexualidade contrasta com o lento e tíbio repúdio à ação truculenta da polícia do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), contra manifestantes na semana retrasada. Seria questão de prioridades?
 
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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