Cadê os piauienses?

O presidente IBGE, Eduardo Nunes Pereira, foi a Teresina, semana passada, tentar resolver os problemas registrados na contagem da população da cidade. Apesar de o Censo  2007 ter sido prorrogado por duas vezes, muitas residências não puderam ser visitadas, porque os moradores não foram localizados, o que pode prejudicar a cidade porque a população é um dos critérios para repasse de recursos para os municípios. Para tentar resolver o problema, Pereira acompanhou o cruzamento de dados que o IBGE com as contas de água, energia elétrica e telefone fixo, para  identificar se as residências que estão com as portas fechadas tiveram algum tipo de consumo em agosto. Caso  isso tenha ocorrido, o IBGE vai estudar alguma maneira de identificar os  moradores, para tentar um número mais efetivo da população da cidade.

A política do BC
Uma das principais alegações dos defensores de um banco central independente é que as decisões sobre política monetária são questões exclusivamente técnicas. A aceitação acrítica dessa reivindicação representa um raciocínio regressivo ao neoclassisismo, quando se defendia uma clivagem entre economia e política, ignorando-se que a primeira é a condensação da segunda.
Ao permitir a terceirização da política monetária, governos transferem capital político acumulado nas ruas e nas urnas, permitindo, sem contrapontos, que o BC restrinja o combate à inflação a um problema de demanda superior à oferta. Com isso, ganha autorização – ou como preferem outros, um álibi – para elevar os juros ao seu bel-prazer. No entanto, no Brasil, como reafirmou, pela enésima vez, o vice-presidente José Alencar, o que se tem é subconsumo. Esse antagonismo entre os argumentos “técnicos” do BC e a realidade nacional reafirma a constatação de que a economia é a política condensada, revelando que, na verdade, o que o BC pretende, sem ter votos nem mandato, é fazer política: centralmente, transferência de renda do setor produtivo – capital e trabalho – para rentistas e especuladores.
Estudo do novo presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, mostra os resultado líquido da decisão de transferir o poder auferido nas urnas para a nomenclatura do Copom. Em 2006, quando o setor público torrou R$ 156 bilhões com pagamento juros, apenas 15 mil clãs se apropriaram de dois terços desse total, ou R$ 100 bilhões. No mesmo período, a Previdência Social destinou R$ 133 bilhões ao pagamento de cerca de 25 milhões de aposentados e pensionistas e o Bolsa Família, R$ 8 bilhões a cerca de 11 milhões de famílias. Os números são suficientemente eloqüentes para mostrar que, sob a capa de tecnicalidades, o BC promove a maior política de distribuição de rendas às avessas do mundo.

Educação é bom negócio
Uma delegação de investidores dos Estados Unidos se reúne, nesta terça-feira, com o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luís Fernandes. A comitiva é integrada por representantes de 13 fundos de pensão e investimento, cujas carteiras variam de US$ 700 milhões a US$ 200 bilhões. A delegação veio ao Brasil para conhecer o ambiente de investimentos em private equity (fundos de participação em empresas) e venture capital (capitais de risco). A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital são as responsáveis pela organização da visita dos investidores ao Brasil, que termina sexta-feira.

Crescimento em debate
O XVII Congresso Brasileiro de Economistas, que começa hoje em Porto Seguro (BA) e estende até sexta-feira, terá o crescimento como proposta central. A conferência de abertura será feita por João Paulo de Almeida Magalhães, presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ) e integrante do Conselho Editorial do MM, e terá como tema “Economia brasileira: trajetórias de continuidade ou de transformação?”. Durante o congresso, João Paulo lançará o livro Economia Brasileira: do pensamento único a 25 anos de semi-estagnação – causas e solução, que tem como tese central a criação do Núcleo de Pensamento Crítico para desenvolver uma ciência econômica mais adequada à realidade brasileira. As inscrições podem ser feitas através pelo site http://www.xviicbe.com.br até hoje.

Sucessão
Afinal, os senadores querem cassar o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar ou simplesmente emplacar um novo nome para dirigir a Casa?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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