23.8 C
Rio de Janeiro
segunda-feira, janeiro 25, 2021

Cadê os piauienses?

O presidente IBGE, Eduardo Nunes Pereira, foi a Teresina, semana passada, tentar resolver os problemas registrados na contagem da população da cidade. Apesar de o Censo  2007 ter sido prorrogado por duas vezes, muitas residências não puderam ser visitadas, porque os moradores não foram localizados, o que pode prejudicar a cidade porque a população é um dos critérios para repasse de recursos para os municípios. Para tentar resolver o problema, Pereira acompanhou o cruzamento de dados que o IBGE com as contas de água, energia elétrica e telefone fixo, para  identificar se as residências que estão com as portas fechadas tiveram algum tipo de consumo em agosto. Caso  isso tenha ocorrido, o IBGE vai estudar alguma maneira de identificar os  moradores, para tentar um número mais efetivo da população da cidade.

A política do BC
Uma das principais alegações dos defensores de um banco central independente é que as decisões sobre política monetária são questões exclusivamente técnicas. A aceitação acrítica dessa reivindicação representa um raciocínio regressivo ao neoclassisismo, quando se defendia uma clivagem entre economia e política, ignorando-se que a primeira é a condensação da segunda.
Ao permitir a terceirização da política monetária, governos transferem capital político acumulado nas ruas e nas urnas, permitindo, sem contrapontos, que o BC restrinja o combate à inflação a um problema de demanda superior à oferta. Com isso, ganha autorização – ou como preferem outros, um álibi – para elevar os juros ao seu bel-prazer. No entanto, no Brasil, como reafirmou, pela enésima vez, o vice-presidente José Alencar, o que se tem é subconsumo. Esse antagonismo entre os argumentos “técnicos” do BC e a realidade nacional reafirma a constatação de que a economia é a política condensada, revelando que, na verdade, o que o BC pretende, sem ter votos nem mandato, é fazer política: centralmente, transferência de renda do setor produtivo – capital e trabalho – para rentistas e especuladores.
Estudo do novo presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, mostra os resultado líquido da decisão de transferir o poder auferido nas urnas para a nomenclatura do Copom. Em 2006, quando o setor público torrou R$ 156 bilhões com pagamento juros, apenas 15 mil clãs se apropriaram de dois terços desse total, ou R$ 100 bilhões. No mesmo período, a Previdência Social destinou R$ 133 bilhões ao pagamento de cerca de 25 milhões de aposentados e pensionistas e o Bolsa Família, R$ 8 bilhões a cerca de 11 milhões de famílias. Os números são suficientemente eloqüentes para mostrar que, sob a capa de tecnicalidades, o BC promove a maior política de distribuição de rendas às avessas do mundo.

Educação é bom negócio
Uma delegação de investidores dos Estados Unidos se reúne, nesta terça-feira, com o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luís Fernandes. A comitiva é integrada por representantes de 13 fundos de pensão e investimento, cujas carteiras variam de US$ 700 milhões a US$ 200 bilhões. A delegação veio ao Brasil para conhecer o ambiente de investimentos em private equity (fundos de participação em empresas) e venture capital (capitais de risco). A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital são as responsáveis pela organização da visita dos investidores ao Brasil, que termina sexta-feira.

Crescimento em debate
O XVII Congresso Brasileiro de Economistas, que começa hoje em Porto Seguro (BA) e estende até sexta-feira, terá o crescimento como proposta central. A conferência de abertura será feita por João Paulo de Almeida Magalhães, presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ) e integrante do Conselho Editorial do MM, e terá como tema “Economia brasileira: trajetórias de continuidade ou de transformação?”. Durante o congresso, João Paulo lançará o livro Economia Brasileira: do pensamento único a 25 anos de semi-estagnação – causas e solução, que tem como tese central a criação do Núcleo de Pensamento Crítico para desenvolver uma ciência econômica mais adequada à realidade brasileira. As inscrições podem ser feitas através pelo site http://www.xviicbe.com.br até hoje.

Sucessão
Afinal, os senadores querem cassar o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar ou simplesmente emplacar um novo nome para dirigir a Casa?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Incerteza da população ou dos mercados?

EUA e Reino Unido espalham suas expectativas para os demais países.

É hora de radicalizar

Oposição prioriza impeachment, mas sabe aonde quer chegar?.

Soja ameaça futuro do Porto do Açu

Opção por commodities sobrecarrega infraestrutura do país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Copom está alinhado com maioria da expectativa do mercado

Considerando foco na inflação de 2022, estamos considerando agora que BC começará a aumentar Selic em maio e não em agosto.

Primeira prévia dos PMI’s e avanço da Covid-19

Bolsa brasileira sucumbe ao terceiro dia de queda, mediante aos temores fiscais.

Exterior em baixa

Queda acontece em meio às preocupações com problemas para obtenções de vacinas.

Más notícias persistem

Petróleo negociado em NY mostrava queda de 2,60% (afetando a Petrobras), com o barril cotado a US$ 51,75.

Mercado reagirá ao Copom e problemas internos

Na Europa, Londres teve alta de 0,41%. Frankfurt teve elevação de 0,77%. Paris teve ganhos de 0,53%.