Caged, dados fiscais e leve alta no pré-feriado

Ontem, os mercados europeus fecharam em alta, tentando responder à forte queda de terça-feira, ocasionada pela notícia da mutação da Covid-19. O anúncio de um acordo entre Republicanos e Democratas para o pacote de US$ 900 bilhões fez os agentes terem maior apetite pelo risco. Internamente, os dados de conjuntura econômica do Reino Unido e da Alemanha acima do esperado também contribuíram para o avanço do mercado, embora o aumento no número de infectados pelo coronavírus e a falta de um consenso claro pós-Brexit tenham continuado no radar dos investidores.

Londres teve alta de 0,57%. Frankfurt ganhou 1,30%. Milão subiu 2,03%. Paris teve valorização de 1,36%. Madri e Lisboa tiveram elevação de 1,85% e de 1,45%, respectivamente.

O mercado de petróleo fechou com novas perdas. O WTI teve queda de 1,98%, a US$ 47,02, e o Brent teve retração de 1,63%, a US$ 50,08.

As Bolsas em Wall Street fecharam sem sinal único, mediante aos dados fracos de atividade aquém da esperada e o avanço da pandemia, encobrindo a notícia referente ao pacote fiscal de US$ 900 bilhões, que ainda precisa da assinatura de Trump.

O Dow Jones teve recuo de 0,67%. O S&P 500 encerrou com 0,21% de queda. E a Nasdaq ganhou 0,51%.

No Brasil, o mercado operou boa parte do dia em alta, sustentado principalmente pelas ações de companhias do setor financeiro. O principal indicador antecedente da inflação, o IPCA-15, apesar de ter tido alta superior que no mês de novembro, teve elevação abaixo da esperada pelo mercado, tirando a pressão dos DIs. Pelo lado negativo, pesou o avanço da Covid-19 no país, fazendo o governador de São Paulo, João Dória, voltar atrás nas medidas de isolamento social durante o período das festas de final de ano até o início de janeiro. O fiscal também foi um ponto de preocupação, dado que Maia se colocou a favor da PEC referente ao repasse federal aos municípios, o que pode gerar um custo de R$ 4 bilhões por ano para a União, pressionando o dólar.

O Ibovespa teve elevação de 0,70%, a 116.636,18. O dólar teve elevação de 0,76%, cotado a R$ 5,16.

As Bolsas na Ásia fecharam em alta no pregão da madrugada desta quarta-feira, apesar das críticas de Donald Trump ao pacote de estímulos aprovado e das incertezas em relação à situação da mutação em torno da Covid-19.

Na China, o Xangai teve elevação de 0,76% e o Shenzhen ganhou 0,74%. As ilhas satélites Hong Kong e Taiwan tiveram alta 0,86% e 0,32%, respectivamente.

No Japão, o Nikkei teve valorização de 0,33% e, na Coreia do Sul, o Kospi teve avanço de 0,96%.

Hoje, os mercados globais abriram em alta, ignorando o possível veto de Trump ao pacote de estímulos bipartidário. O presidente americano acredita que são necessários mais estímulos e que o dinheiro do cheque deve ser de US$ 2 mil e não de US$ 600, para dar um estímulo maior à economia. Na Europa, ainda é necessária uma resolução quanto ao Brexit e os riscos do avanço da Covid-19 ainda continuam no radar dos investidores.

No Brasil, quanto aos números de atividade econômica, se destacam a criação de vagas do Caged e a divulgação dos dados da dívida pública pelo Tesouro Nacional. O IPC-S registrou avanço aquém do esperado, corroborando com o IPCA-15 divulgado ontem.

Pelo lado político, o lado fiscal continuará a contribuir para a criação de risco, a base governista e o ministério da economia encontram desacordo quanto à PEC dos municípios. Todavia, positivamente, Maia disse que a reforma tributária está avançada e que o Projeto de Lei referente ao mercado de câmbio, que, segundo Roberto Campos Neto pode deixar a moeda brasileira totalmente conversível, foi aprovado.

O fundo para investimentos no setor agropecuário, o Fiagro, foi aprovado, garantindo empréstimos para pequenos negócios ligados ao setor, ajudando o micro-agricultor.

Quanto ao coronavírus, o Instituto Butantã divulgará os resultados do estudo clínico hoje às 16 horas, evidenciado qual é a eficácia da vacina Coronavac.

A agenda econômica europeia na pré-vespera de Natal está relativamente vazia. A agência Destatis publicará o índice de preços de importações, medindo a variação dos preços dos produtos importados pelo país. Ao mês, os agentes esperavam leve elevação, no valor de 0,4%, contra avanço de 0,3% em outubro. Ao ano, devido aos efeitos da pandemia, que geraram queda na renda, o indicador acumula retração de 3,9%, com expectativa de chegar a -4,0% em novembro.

O resultado publicado foi de 0,5% ao mês e de -3,8% ao ano, superando a expectativa dos agentes, evidenciando maior demanda por bens importados, dando sinais de que a atividade econômica no período pode ter sido melhor do que o mercado esperava anterior ao dado, apesar de outros indicadores antecedentes precisarem ser divulgados.

Nos EUA, o Departamento do Trabalho americano divulgará os números semanais de pedido por seguro-desemprego. Após seis semanas de alta na demanda pelo benefício, os agentes projetam que o indicador tenha o mesmo desempenho registrado na última observação, chegando a 885 mil pedidos. Isso por conta do avanço da Covid-19 no país e da desaceleração da economia americana ao fim do último trimestre do ano.

O Escritório de Análise Econômica divulgará os números referentes à renda e gastos pessoais e também do núcleo de preços de bens e serviços com fins para o consumo das famílias, o Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE). Começando pelos preços, a expectativa é de que em novembro ocorra leve elevação, saindo de 0,0% e alcançando 0,1%. Ao ano, espera-se elevação de 1,5% no índice, contra 1,4% no mês imediatamente anterior. Caso as expectativas dos agentes se concluam, o avanço é praticamente neutro, mostrando que as famílias estão receosas em tomar suas decisões de consumo mediante a um cenário que ainda evidenciava riscos em novembro.

Para os números de renda e gastos pessoais, espera-se queda de 0,3% e 0,2%, respectivamente, em novembro. Isso embora os agentes esperem leve melhora na renda, pois em outubro houve retração de 0,7%, os gastos avançavam em 0,5% em outubro.

Ainda referente ao consumo, a Universidade de Michigan divulgará os indicadores de confiança e percepção do consumidor para o estado. Tendo em vista a importância do estado, o indicador também pode levar os agentes a formarem suas expectativas em relação a uma importante variável para o crescimento da economia do país. O mercado espera que a confiança do consumidor para dezembro tenha melhora, saindo de 70,5 para 74,7 pontos, levando em conta as expectativas de auxílio do governo americano para o final de ano. Quanto ao Índice de Percepção, os agentes esperam que ele fique inalterado, saindo de 81,4 para 81,3 pontos.

Para o mercado imobiliário, há expectativa de queda de venda de casas novas, saindo de 999 mil casas para 995 mil casas em novembro, com retração de 0,3%, evidenciando certa cautela dos agentes, tal qual foi evidenciado pela venda de casas usadas.

Os estoques de petróleo bruto publicado pela Administração de Informação de Energia: devido ao aumento nos estoques na última semana, em 167 mil, e devido à mutação da Covid-19 e aumento no número de casos da doença, há expectativa de retração de 650 mil barris de petróleo, como forma de sustentar os preços da commodity energética.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicará a taxa de desemprego, na última observação, o indicador chegou a 14,6%. Todavia, quando são consideradas as pessoas que não estão buscando emprego, é possível que a taxa chegue a 25%. Mesmo que os indicadores de atividade econômica estejam subindo acima do esperado, ainda há dificuldades para encontrar emprego. Ontem, o indicador de confiança do consumidor da FGV teve retração em relação ao mês anterior e, segundo a pesquisa, um dos fatores que fizeram a expectativa dos consumidores diminuir foi a dificuldade para encontrar emprego, o que pode afetar o indicador.

Ainda sobre o desemprego, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que 279 mil vagas sejam criadas, registrando alta pela quinta vez consecutiva. Embora o número seja positivo, há diminuição da velocidade da criação de vagas formais, comportamento que deve se repetir ao longo dos próximos meses, de modo que o saldo anual fique positivo apenas na segunda metade do primeiro semestre de 2021.

Quanto ao relatório de dívida pública, o tesouro nacional divulgará o seu relatório com os números referentes à dívida pública brasileira. Conforme foi evidenciado pelos números do BC, os números que serão anunciados pelo Tesouro poderão evidenciar as fragilidades causadas pela Covid-19 à economia brasileira. Espera-se que, até o final do ano de 2020, a dívida bruta em percentual do PIB chegue em 93,3% do PIB, levando em consideração um déficit primário de R$ 831,8 bilhões. Ao fim do ano passado, o endividamento brito em proporção do PIB era de 75,8%.

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Matheus Jaconeli

Nova Futura Investimentos

www.novafutura.com.br

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