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sábado, janeiro 23, 2021

Cai confiança no Ministério da Saúde

O presidente da República é uma das instituições que menos geram confiança no Brasil, hoje, segundo a pesquisa Opiniões Covid-19. A primeira fase, que entrevistou pessoas no início da quarentena, entre 1º e 3 de abril, já havia detectado que para apenas 32% dos entrevistados o presidente era a figura mais confiável e agora, depois de entrevistar a população, entre 29 de abril e 1º de maio, o estudo identificou que esse percentual caiu para 15%.

Caiu também a confiança nas Forças Armadas, fortemente ligadas a Jair Bolsonaro: se no início da epidemia era bem cotada para 31% das pessoas, a porcentagem passou para 16%.

O Ministério da Saúde sofreu queda da confiança, após a saída de Luiz Henrique Mandetta, substituído por Nelson Teich – passou de 51% para 45%. Entre os mais confiáveis seguem profissionais de saúde (subiu de 66% para 72%) e família, amigos próximos e comunidade (subiu de 48% para 54%).

O estudo foi realizado pela Perception, Engaje! Comunicação e Brazil Panels e entrevistou online, em todas as regiões do Brasil, homens e mulheres com mais de 18 anos, das classes ABCD, com margem de erro de até 4%, para saber a opinião dos brasileiros sobre diversas ações cotidianas em meio ao novo cenário vivido com a pandemia.

Em nota, a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) repudiou nesta quarta o que chamou de "infeliz declaração do presidente Jair Bolsonaro" dizendo que "quem é de direita toma cloroquina; quem é de esquerda, tubaína", no mesmo dia em que o país registrou, pela primeira vez, mais de mil mortes por coronavírus em 24 horas. A entidade defende que o governo, em vez de politizar o uso do medicamento, deve acabar com as regalias fiscais milionárias concedidas a multinacionais de bebidas na Zona Franca de Manaus, para amenizar o momento de crise econômica agravada pela pandemia no país.

A declaração de Bolsonaro foi proferida ontem, durante uma live. "A Afrebras representa mais de 100 indústrias de bebidas regionais no Brasil, entre as quais os produtores de tubaína. Boa parte das fábricas regionais está se mobilizando para fazer doações de alimentos e álcool em gel a comunidades pobres para tentar diminuir os impactos da crise. A entidade destaca que vários hospitais ou leitos de hospitais de campanha poderiam ser construídos com o dinheiro da farra de benefícios fiscais", diz.

Para que o Governo Federal use o dinheiro de incentivos fiscais no combate ao coronavírus, o presidente da Afrebras, Fernando Rodrigues de Bairros, pede que Bolsonaro revogue o Decreto 10.254/2020. Com essa medida, o governo federal permite dobrar, de junho a novembro, o valor do crédito tributário de 4% para 8% sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pago por multinacionais de bebidas, como Coca-Cola, Ambev e Heineken. Há denúncias de que até a publicidade dessas corporações de bebidas é paga com dinheiro público.

"Se o presidente Bolsonaro, de fato, se preocupa com o Brasil, agora é a hora de acabar de vez com a concessão de benefícios fiscais para multinacionais na Zona Franca de Manaus e reverter o dinheiro para o combate ao coronavírus", afirma Bairros. "A revogação do decreto poderá representar uma economia de quase R$ 2 bilhões aos cofres públicos", destaca ele.

 

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