Cai um dogma

Certas enunciados dizem mais por serem explicitados do que por seu próprio conteúdo. É o caso da admissão, pelo fórum de dirigentes de bancos centrais mundiais, reunidos na Suíça, de que o controle de capitais deixou de ser um anátema, passando a ser considerado uma variável “legítima”, para deter a avalanche de capital especulativo em tempo de taxas de juros negativas ou perto de zero nas principais economias do mundo. Apesar das ressalva, “mas não tanto”, a declaração, que teve como porta-voz o ultra-ortodoxo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, não oculta o principal: vítima do choque de realidade, cai mais um dogma neoliberal.

Limite
Artigo do veterano analista Peter Tasker publicado no Financial Times levantou uma discussão sobre o futuro da China. Tasker prevê que os chineses seguem o mesmo caminho do Japão, que na década de 1960 também aumentava seu PIB em ritmo de dois dígitos ano após ano. E tal qual os japoneses, a China igualmente entraria em declínio brevemente, com surgimento de movimentos de trabalhadores por melhores salários e alta da inflação.

Colapso exagerado
Um economista brasileiro ironiza: “Nos últimos 20 anos assisti a diversas previsões de que a economia chinesa entraria em colapso ou que reduziria bruscamente as suas elevadas taxas de crescimento. E eram previsões baseadas em situações que logo adviriam, como a crise da Rússia. Pois bem, a China não só ultrapassava todas as crises como acelerava ainda mais as suas taxas de crescimento, passando das médias de 7% para 10% ou mais!” Entre 2003 e 2010, enquanto o Brasil cresceu uns pífios 32%, a China mais que dobrou o seu PIB.

Com fôlego
Esta coluna lembra que, em palestra no Clube de Engenharia, ninguém menos que Maria da Conceição Tavares questionou a capacidade de crescimento da China. Disse, na ocasião, que o PIB chinês vinha crescendo a taxas próximas a 10% ao ano “apenas” durante a última década, mas queria ver manter este ritmo. Isso foi há coisa de oito anos…

Nas telinhas
A Associação Comercial de Santos estréia nesta quinta-feira um programa na TV Com, emissora regional a cabo. Com 30 minutos de duração, irá ao ar às 20 horas, com reprise aos domingos, às 8 horas. Em breve, os vídeos de cada edição estarão disponíveis no site da ACS (www.acs.org.br), que foi reformulado.

Tem remédio
“Disseminação de conhecimentos básicos para inovação farmacêutica” é o seminário que a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) realiza nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro, em São Paulo. Mais informações no telefone (21) 3077-0800 ou pelo site www.protec.org.br

Pacote
Como ressaltou, em entrevista na véspera ao MM, o coordenador da Rede de Pesquisa em Sistemas e Arranjos Produtivos e Inovativos Locais (RedeSist), ligada à UFRJ, José Eduardo Cassiolato, embora variável relevante, o câmbio precisa ser inserido num projeto de desenvolvimento nacional. Para mostrar seu ceticismo em relação a medidas isoladas para enfrentar o derretimento do dólar, cita a opção chinesa: “A opção pelo desenvolvimento tecnológico foi feita ainda no congresso do Partido Comunista Chinês, em 1979. Em alguns setores, como a indústria do fumo, não há nenhuma tecnologia a absorver e as multinacionais não podem entrar. Nem mesmo o setor privado: a produção de cigarros na China ainda é estatal”, comparou.

Três tempos
O economista Reinaldo Gonçalves, professor de Economia Internacional da UFRJ, está elaborando série histórica sobre o câmbio real (descontada a inflação) no Brasil desde 1850. Gonçalves quer medir a relação entre a taxa real de câmbio e os três períodos distintos da inserção internacional do país no exterior: primário-exportador, desenvolvimentista e liberal-periférico.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorLonga lista
Próximo artigoTrio bendito

Artigos Relacionados

Bolsonaro invade TV Brasil

Programação foi interrompida 208 vezes em 1 ano para transmissão ao vivo com o presidente.

FMI: 4 fatores ameaçam inflação

Fundo acredita que preços deem uma trégua no primeiro semestre de 2022, mas...

Pandora Papers: novos atores nos mesmos papéis

Investigação mostra que pouco – ou nada – mudou desde 2016.

Últimas Notícias

Seven Tech: Mais de 2,5 milhões de cartões de crédito até 2023

Com operações em seis países e presença em três continentes (Europa, África e América Latina), o Seven Tech Group, que nasceu como Software house...

Indústria de fundos está pronta para investimentos sustentáveis

É hora de a própria indústria de fundos, por meio de iniciativas de autorregulação, preencher o gap regulatório que ainda existe em torno dos...

Índice da B3: Empresas com melhores práticas no mercado de trabalho

A B3, bolsa do Brasil, e a consultoria global, Great Place to Work, anunciaram nesta terça-feira a criação de um novo índice com foco...

Comissão debate venda da Oi Móvel para outras operadoras

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta quinta-feira (21) para tratar da venda da Oi Móvel...

CVM: Acordo de R$ 300 mil após autodenúncia de infração

O Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisou, em reunião nesta terça-feira, propostas de Termo de Compromisso dos seguintes Processos Administrativos (PA)...