Caixa aumenta crédito a micros, mas com juros macros

Linhas especiais com taxas mais baixas ficam na prateleira; governo cogita liberar demissão de 50%.

Mercado Financeiro / 23:04 - 1 de jun de 2020

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O volume de crédito concedido pela Caixa Econômica Federal a microempresas somou R$ 6,3 bilhões durante a pandemia, disse o presidente do banco, Pedro Guimarães. Em maio, o volume emprestado ao segmento mais do que dobrou em relação ao mesmo mês de 2019, passando de R$ 1,164 bilhão para R$ 2,464 bilhões.

A maior parte do crédito para os microempresários, porém, não veio das linhas especiais criadas para combater os efeitos econômicos da crise. O financiamento veio das linhas tradicionais da Caixa, com juros mais elevados. Esses empréstimos somaram R$ 5,1 bilhões para 38,8 mil negócios de pequeno porte.

O crédito emergencial com auxílio do Sebrae somou apenas R$ 780,1 milhões e beneficiou 9,9 mil microempresas. O crédito de auxílio à folha de pagamento (que tem como contrapartida a não demissão de empregados) totalizou R$ 145,2 milhões para 5,4 mil empresas. Esta linha tem juros de 3,75% ao ano, carência de seis meses e 30 para pagar.

Com a baixa liberação do crédito emergencial, deve haver mudanças no programa. Em audiência pública virtual do Congresso Nacional nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que dos R$ 40 bilhões previstos, só foram liberados R$ 1,9 bilhão. Foram 1,3 milhão de empregados beneficiados de mais de 79 mil empresas financiadas, até o último dia 26.

Segundo o BC, deverão ser incluídas empresas com faturamento bruto anual em 2019 entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões e haverá extensão do programa por mais dois meses. Além disso, será liberada a concessão de financiamento para empresas que mantiverem ao menos 50% dos postos de trabalho.

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