Caixa preta

Informação útil para quem acredita em babalorixás, búzios e economistas do governo. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nos dias 19 e 20 de setembro, será a 51ª reunião do órgão desde que foi criado, em 20 de junho de 1996, para aumentar o poder dos mandarins do BC sobre a economia e se tornou a principal caixa preta da economia do país. Essa reunião também será a última antes do primeiro turno das eleições de 3 de outubro, o que pode dar-lhe um papel simbólico de boca de urna para candidatos governistas na CTI. Depois da reunião de setembro, ainda haverá três reuniões, sendo a última às vésperas do Natal, nos dias 19 e 20 de dezembro.
Caixa preta II
Nesse período de pouco mais de quatro anos, a tecnocracia enquistada no BC viu seu poder elevar-se a patamares nunca vistos nem à época em que Delfim Netto comandava com mão de ferro a política econômica da ditadura. Funcionando como Estado dentro do Estado, a nomeclatura que integra o Copom, ao contrário de políticos governistas, não perde tempo sobre firulas, como a pantomina que cerca o poder virtual de FH como presidente da República. Em plena campanha eleitoral para o segundo mandato, não vacilou em desautorizar em tempo real a promessa do suposto comandante de que não elevaria os juros, diante do acirramento da crise internacional e de seus reflexos sobre a dependente economia nacional. Não apenas elevaram os juros às alturas, como sequer se deram ao trabalho de evitar que o “chefe” soubesse da informação pela imprensa e pela propaganda eleitoral dos adversários.
Caixa preta III
Tamanha concentração de poder poderia levar um alienígena a supor tratar-se de grupo com sólida base popular e/ou política ou ainda chegado ao poder por obra de revolução ou golpe de Estado. Nada mais distante da realidade. Sob a pomposa sigla de cinco letras do Copom reúne-se  um bureau de 14 tecnocratas sem voto sequer para se eleger síndico de shopping da Barra da Tijuca, além de um assessor de imprensa. Os oito diretores do BC, encabeçados pelo presidente Armínio Fraga, são os únicos com direito formal a voto quando a nomenclatura se reúne. Têm acesso ainda a reuniões cujas decisões definem, entre outras questões-chave, o nível de desemprego, o poder aquisitivo dos assalariados, que provocam entre outros reflexos, o grau de violência que se abaterá sobre os brasileiros, mais seis sumidades: os chefes dos Departamentos Econômico (Depec), de Operações das Reservas Internacionais (Depin), de Operações Bancárias (Deban), de Operações do Mercado Aberto (Demab) e de Estudos e Pesquisas (Depep), além do consultor da Diretoria de Política Monetária, que ocupa o cargo de secretário-executivo do Copom. Dotados da mesma falta de transparência de seus assemelhados da ditadura, a tchurma do Copom é marcada por fenômeno aparentemente inexplicável numa democracia: são ainda menos conhecidos da opinião pública.

Parado
Questionada na Justiça pelas obras que infernizam a vida de cariocas e niteroienses, a Ponte S/A, que explora o pedágio na Ponte Rio-Niterói, poderia pelo menos explicar por que interditou 5 quilômetros de pistas – mais de um terço da extensão da rodovia – para fazer a obra de troca do piso se só tem condições de trabalhar em pequenos trechos de cada vez. O bloqueio da pista logo após o pedágio, bem antes do vão central, onde as obras acontecem, parece atender mais aos interesses da empresa do que dos usuários que pagam pedágio penam em intermináveis engarrafamentos no início do dia e à noite, após 22h. Os aborrecimentos poderiam ser menores se o trecho interditado fosse reduzido apenas ao essencial para a troca.

Em baixa
Comentário do professor do Instituto de Economia da UFRJ Cláudio Salm sobre o PIB mexicano, que este ano deve superar o brasileiro, resultando na perda da liderança econômica latino-americana pelo Brasil, como noticiou o MM no fim de semana: “Muito mais importante do que o PIB é a renda per capta e a do México deve estar bem melhor há muito tempo, já que sua população é menor. O Brasil tem PIB maior do que países como Holanda e Dinamarca, mas a população também é infinitamente maior do que a daquelas nações.”

Riscos
Nos próximos anos, 500 milhões de pessoas terão problemas de saúde por causa do uso de cigarro, informa a Sociedade Brasileira de Cancerologia. São 33 milhões de fumantes no Brasil, onde entre 80 mil e 100 mil pessoas morrem por ano vítimas de alguma das 50 doenças provocadas pelo tabaco. Para ajudar a reverter este quadro, o Brasil comemora hoje o Dia Nacional sem Cigarro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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