Campo de concentração

A serem críveis os números de prisioneiros iraquianos divulgados pelos Estados Unidos, cerca de 3 mil, o presidente Bush está prestes a produzir uma contradição emblemática. Se a repressão às manifestações pacifistas continuar a recrudescer, o número de norte-americanos presos praticamente se igualará ao de iraquianos. Hoje, já existem cerca de 2 mil presos políticos nos EUA por se manifestarem contra a guerra.

Posição árabe
Depois de ressalvar que a entidade que dirige sempre optou por restringir sua atuação ao fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e os países árabes, abstendo-se de temas políticos, o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Paulo Sérgio Atallahm, classificou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos de “lamentável retrocesso no desenvolvimento do ser humano e das nações”: Trata-se da vitória da intolerância, da incompreensão, da violência contra a paz e harmonia entre os povos e, principalmente, contra o poder da negociação, do qual só o homem é capaz”, afirmou Atallahm, que elogiou a “posição firme e clara” defendida pela presidente Lula.

No bolso
A entidade, que representa 22 países árabes, sinaliza a possibilidade de a agressão dos EUA a um país da região pode ter reflexos nos negócios. O presidente da CCAB salienta que o novo cenário levará à necessidade de intensificar “a busca de novas parcerias estratégicas, entre as quais os países que compõem o mundo árabe continuam oferecendo uma das melhores alternativas”.

Refino
A invasão do Iraque, a curto prazo, não trará problemas para a economia brasileira. No entanto, a médio prazo, o país poderá ter sérios problemas na importação de derivados do petróleo, principalmente diesel e GLP, além de querosene de aviação, que afetam diretamente a vida da sociedade, avalia o secretário estadual de Energia e Petróleo do Rio de Janeiro, Wagner Victer. “O Brasil precisa urgentemente de um parque de refino com capacidade de suprir a demanda interna”, defende.
Victer diz que o governo brasileiro, através da Petrobras, acertou ao redirecionar no passado sua importação de petróleo de países que não estão na zona de guerra entre os Estados Unidos e o Iraque (países africanos e a Argentina).

Cerco
A partir de abril o Detran-RJ vai à caça dos 1.870 clones de veículos que circulam pelo Estado do Rio. Um software, desenvolvido pelo setor de Informática do próprio Detran, vai mapear as ruas, avenidas e estradas por onde esses automóveis costumam trafegar. O programa de computador vai revelar o itinerário desses clones com base nos dados fornecidos por pardais eletrônicos que flagram as infrações cometidas no trânsito pelos motoristas. Com base nessas informações, será acionada a polícia. A clonagem de veículos vai desde falsificações grosseiras, com uso apenas de cópias de placas aplicadas em carros de mesmo modelo e cor, até a reprodução perfeita, com direito a documentos em duplicata e numeração de chassis alterada.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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