Lula, político, não discute com Campos Neto

Presidente do BC também foi convidado para explicar um erro no fluxo cambial de cerca de R$ 14,5 bi

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Roberto Campos Neto (Foto: Pedro França/Ag. Senado)
Roberto Campos Neto (Foto: Pedro França/Ag. Senado)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, se reuniram nesta quarta-feira, e segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que esteve presente na reunião, não houve discussão, mas sim, política. “Foi um encontro institucional de construção de relação, de pactuação em torno de conversas periódicas. Excelente”.

De acordo com Haddad, na reunião, a taxa básica de juros não foi citada.

“Não conversamos sobre tópicos específicos. O presidente (Lula) deixou claro o respeito que tem pela instituição. A reciprocidade foi muito boa por parte do Roberto, foi uma conversa muito de alto nível”, afirmou.

Antes da reunião, Campos Neto esteve na Câmara de Deputados para defender a atual condução da política monetária. Segundo ele, a inflação segue em queda, e reconheceu que os juros no Brasil são altos e espera melhoria nos indicadores com um esforço fiscal do governo.

Para ele, a economia segue em uma “trajetória de pouso suave” com desempenho melhor do que muitos países. “Pouso suave é reduzir a inflação com o menor custo possível para a sociedade, comparando a queda na inflação e os efeitos no Produto Interno Bruto, no desemprego e no crédito” explicou.

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Campos Neto (Foto: Lula Marques/ABr)
Brasília (DF) 10/08/2023 Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, explicar aos senadores as decisões tomadas pelo BC até agora em relação à inflação e à estabilidade financeira (Foto: Lula Marques/ABr)

Os dados do Banco Central mostram que a inflação caiu 8,7 pontos percentuais entre 2022 e 2023, ao mesmo tempo em que houve uma variação negativa de 0,3 ponto percentual na estimativa de crescimento do PIB. Hoje, a expectativa do mercado é de inflação de 4,86% neste ano e de crescimento do PIB de 2,92%.

Selic

Na última reunião, na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 12,75% em valores nominais – uma das mais altas do mundo. O colegiado decidiu, por unanimidade, que mais adiante poderá haver novos cortes de 0,5.

“Quando comparamos as taxas de juros nominais no Brasil em diversos períodos, a gente vê que de 2019 a 2023, na média, foi o período com as menores taxas de juros da história recente”, disse Campos Neto. Essa média foi de 7,6% ao ano (até agosto último), ante cerca de 19% entre 1999 e 2006 e 11% entre 2007 e 2018.

Além da política monetária, o presidente do Banco Central foi convidado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara para explicar um erro no fluxo cambial de cerca de R$ 14,5 bilhões, entre outubro de 2021 e dezembro de 2022. Corrigido o erro, o mercado de câmbio passou de superavitário para deficitário.

Ao responder os questionamentos do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), Campos Neto disse que houve uma falha operacional, já saneada. Ele minimizou o caso, afirmando que a diferença equivalia a 0,4% de todo o mercado de câmbio, e informou que o Tribunal de Contas da União já deu o aval àquelas estatísticas.

“Quer dar uma de tutor, é uma interferência completa na política econômica. Falamos do fiscal porque é uma das dimensões do modelo, se olhar ata a ata, falávamos mais antes do que agora”, rebateu Campos Neto.

“Possivelmente o Banco Central deverá ser eleito o melhor do mundo em 2023, repetindo o sucesso”, disse o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), um dos vice-líderes da oposição ao governo Lula. Em 2020 e 2022, Campos Neto ganhou prêmios pela atuação na pandemia, e o BC, em 2023, pela gestão das reservas.

O presidente da Comissão de Finanças, deputado Paulo Guedes (PT-MG), coordenou os trabalhos. Participaram os deputados Adriana Ventura (Novo-SP); Abilio Brunini (PL-MT); Capitão Alberto Neto (PL-AM); Coronel Chrisóstomo (PL-RO); Emanuel Pinheiro Neto (MDB-MT); Fernanda Melchionna (Psol-RS); Gilson Marques (Novo-SC); Gleisi Hoffmann (PT-PR); Guilherme Boulos (Psol-SP); Jilmar Tatto (PT-SP); Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR); Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP); Lula da Fonte (PP-PE); Marcel van Hattem (Novo-RS); Mauro Benevides Filho (PDT-CE); Merlong Solano (PT-PI); Newton Cardoso Jr (MDB-MG); Pedro Paulo (PSD-RJ) e Sidney Leite (PSD-AM).

Matéria editada, às 20h58, para inserir informações da reunião de Lula com Campos Neto. Com informações da Agência Câmara de Notícias e G1

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