Canalhas! Canalhas! Canalhas!

‘Quando tudo for privado, seremos privados de tudo’.

O triplo “Canalhas!”, desferido por Waldyr Pires contra os golpistas de 1964, no Congresso, ao declararem vaga a Presidência da República, com o presidente João Goulart em território brasileiro (no Rio Grande do Sul), é ainda hoje o desabafo que ecoa contra os canalhas, propriamente ditos.

 

Taro Aso de saias

A coluna Empresa-Cidadã já fez referência ao ex-ministro das Finanças do Japão Taro Aso, que, em 23/1/2013, declarou que os velhos deveriam se apressar e morrer, para exonerar o Estado de gastos com eles (“Taro Aso no Deserto de Ideias”, em 26/3/2019 e “Taro Aso no Deserto de Ideias – Parte 2”, em 2/4/2019).

Mais tarde, em junho de 2018, japoneses de todas as idades saberiam que Taro Aso (nascido em Iizuka, Fukuoka; 20/9/1940) foi condenado a devolver um ano de salários como punição por fraudar documentos, para ocultar dados de corrupção no seu ministério. Pois não é que Taro Aso fez escola?

Recentemente, de acordo com matéria publicada pela Agência Internacional Reuters, Solange Vieira, assessora do ministro Paulo Guedes e Superintendente da Susep (Superintendência de Seguros Privados), em reunião com técnicos do Ministério da Saúde, realizada na terça-feira, 23 de maio de 2020, teria declarado que a morte de idosos seria positiva para a redução do déficit previdenciário. Nas suas palavras: “É bom que as mortes se concentrem entre os idosos… Isso melhorará nosso desempenho econômico.”

Nota da Redação: O Monitor Mercantil recebeu nesta quarta-feira (19) nota da Assessoria de Imprensa da Susep que afirma que “a declaração é inverídica.”

“Segue abaixo o comunicado que enviamos à imprensa com os devidos esclarecimentos na época em que a declaração foi veiculada:

“As declarações atribuídas à Solange Vieira em recente matéria jornalística sobre a pandemia Covid-19 são inverídicas.

Reiteramos que, a convite do então ministro Luiz Henrique Mandetta, a economista esteve em março no Ministério da Saúde (MS) para contribuir com os modelos de projeção decorrente da pandemia utilizados por aquela pasta. Na ocasião, foram observados os cenários apresentados e seus impactos, com foco sempre na preservação de vidas. A economista declara seu repúdio a toda e qualquer ilação que impute a alguma análise proferida juízo de valor em sentido contrário ao direito à vida e à saúde para todos, de qualquer idade, a qualquer tempo. Medidas legais cabíveis sobre o assunto já foram tomadas (…)”

O epidemiologista Julio Croda, então chefe do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério, e outros integrantes da pasta confirmaram o teor da fala, segundo o jornal Estado de São Paulo (28/5/2020).

 

Há um ano a Justiça sangra, um ano sem João Pedro

Há um ano, em 18 de maio de 2021, o extermínio de jovens negros apresentou mais um episódio alarmante. O adolescente João Pedro, de 14 anos, foi assassinado dentro de casa, na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, RJ, durante uma incursão conjunta das polícias Civil e Federal.

De lá pra cá, o “rigoroso inquérito”, anúncio de praxe nestes casos, foi instaurado, mas, apesar disso, ninguém foi ouvido, não há testemunhas, nem suspeitos que permitam a escolha de uma linha de investigação que leve aos responsáveis.

De acordo com a ONG Rio de Paz, desde 2007, João Pedro foi o 71º jovem morto nestas circunstâncias. Desde então, o registro já chega a 81 casos! A comoção provocada pelo caso levou até o Supremo Tribunal Federal (STF) a determinar que as polícias só poderiam fazer operações em comunidades em “hipóteses absolutamente excepcionais”.

Jacarezinho teria sido “excepcional” pelo grau de letalidade (28 mortos)?

 

‘Quando tudo for privado, seremos privados de tudo’

A frase, exibida no cartaz de uma manifestante, bem se aplica à advertência da Andifes (ONG que reúne os reitores das Universidades Federais), sobre a asfixia orçamentária a que estão sendo submetidas às Universidades federais brasileiras.

O garrote, que se aplica sobre todos, é mais nocivo do que aparenta. Senão, vejamos nas palavras da própria Associação. “Andifes faz alerta à sociedade sobre novas restrições orçamentárias: as universidades federais se recusam a parar.”

“A Andifes, entidade que congrega os reitores das 69 universidades federais, alerta a sociedade brasileira sobre a realidade e as consequências da LOA 2021. Em 27 de agosto de 2020, a mensagem já era preocupante para o país: a proposta trazia um corte no orçamento discricionário das universidades federais de 14,96%, equivalente a R$ 824.553.936 em relação aos valores do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2020, que se somava a cortes ocorridos em anos anteriores.”

(…)

“Em 25 de março, o Congresso Nacional finalmente aprovou o orçamento. Para maior surpresa da sociedade, com um novo corte de 176.389.214, -3,76%, totalizando uma redução no orçamento discricionário das universidades federais para 2021 de R$ 1.000.943.150, -18,16% em relação a 2020. Dentro desse valor, R$ 177.624.565,00 diminuídos da assistência estudantil destinada aos alunos carentes (mais de 50% dos matriculados). O decréscimo atingiu todas as 69 universidades federais, no entanto com graus diferentes e sem critério conhecido.”

“Enfim, (…) em 22 de abril, o presidente da República sancionou o orçamento para 2021, com vetos, confirmando assim a preocupante redução dos recursos destinados às universidades federais brasileiras, bem como à Saúde, Ciência & Tecnologia, IBGE, Ibama, Inep, entre outros órgãos prestadores de serviços públicos. Na mesma data, o Decreto 10.686 ainda bloqueou na lei sancionada R$ 2,7 bilhões do orçamento do MEC, alcançando as universidades federais em mais 13,89%.

(…)

“Além do ensino, pesquisa e extensão, da formação de milhares de profissionais altamente qualificados, as universidades têm se dedicado às questões humanitárias que permeiam esse grave momento global. Não paramos nem um dia.

“A pandemia pode acabar. O vírus não. Portanto temos que agir e nos precaver. Pelo menos três universidades federais estão desenvolvendo vacinas nacionais contra a Covid-19. No conjunto, há mais de 1.200 projetos de pesquisas nas diversas áreas do conhecimento em andamento, com expectativa de ampliação desse número. A rede federal de hospitais universitários, formada por 50 hospitais vinculados a 35 universidades, disponibiliza, desde o início da pandemia, mais de 2 mil leitos para pacientes com Covid-19, sendo cerca de 1.300 leitos de enfermaria e em torno de 700 leitos de UTI. Nossos campi promovem desenvolvimento regional e nacional e garantem oportunidade a estudantes em todo o Brasil, pois estão situados em capitais e no interior. As limitações impostas pela LOA 2021 impactam todos esses esforços.”

(…)

“Reduzir ou paralisar nossas atividades não é uma opção. Seria o mesmo que impor uma punição aos brasileiros, já tão agastados com a pandemia. Rever valores, conceitos e prioridades é o caminho para o qual conclamamos as autoridades.”

Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior

Brasília, 3 de maio de 2021

 

Gianna Floyd

Gianna Floyd (6 anos), filha de George Perry Floyd Jr (14/10/1973; Fayetteville/NC – 25/5/2020; Minneapolis/Minn.), afro-americano torturado até a morte (“Não consigo respirar”, repetia ele para o algoz, lembra-se?) pelo então policial Derek Chauvin, detido pelo suposto uso de uma cédula falsa de US$ 20, em um supermercado. Indagada, declarou, com justo orgulho: “Papai mudou o mundo.”

 

#vacina sim.

O governo inventou a vacinação PARE-SIGA. Um avanço no retrocesso.

Coluna atualizada às 14h47 de 19/5/2020 para inclusão da nota de esclarecimento da Susep.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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