Candidato

Malan, que falou ontem no Rio como se fosse candidato em 2002, se refere ao “apagão” como “desequilíbrio entre oferta e demanda de energia”. Resta saber o que fará se houver uma “escassez endógena” de votos nas urnas.
Importância
Ainda segundo o Malan candidato, a “operação abafa CPI” não foi motivada pelo temor de que a corrupção fosse apurada e punida e sim para manter a agenda de votação do Congresso. Esta semana o Congresso se reúne, amanhã, para tratar de três palpitantes temas: o Projeto de Decreto Legislativo que regulamenta a destinação de recursos para obras de irrigação no Pontal Norte-Sul, em Pernambuco, o Projeto de Lei que abre crédito suplementar de R$ 70 milhões para a Câmara dos Deputados e outro Projeto de Lei que abre crédito de R$ 877 mil para a Companhia Docas do Ceará. A sessão, reunindo Senado e Câmara, está marcada para as 19h.  Já na Câmara, a pauta de votações está trancada enquanto não for apreciado o Projeto de Lei que extingue por completo a prisão especial.

Responsabilidade
A equipe econômica tenta, via imprensa “chapa branca”, responsabilizar o Ministério das Minas e Energia – entregue a políticos desde o primeiro Governo FH – pela crise de energia elétrica. Nem a velhinha de Taubaté acredita. Como mostrou matéria publicada pelo MM, os cortes impostos por Malan & Cia. nos investimentos de Eletrobrás e Furnas é que levaram o país à beira da escuridão.

Cacife
As crescentes pressões dos Estados Unidos em defesa da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e de desestabilização do Mercosul são proporcionais à importância do mercado formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que soma 400 milhões de pessoas. As exportações norte-americanas para os países do Mercosul representam 20% do comércio exterior dos EUA. Não por acaso, em artigo para o Estadão publicado no último dia 6, o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger investe pesadamente contra o Mercosul, qualificando a preferência do Brasil por este bloco, em detrimento da Alca, de ser, não apenas “um revés para as perspectivas econômicas dos EUA”, mas também “um desafio à posição histórica dos EUA no hemisfério e à sua aspiração por uma ordem mundial baseada numa comunidade crescente de democracias nas Américas”. A histeria de Kissinger, no entanto, em vez de estimular a congênita submissão do tucanato aos interesses externos, deve ser interpretada como demonstração do largo poder de barganha que o país tem para brigar por seus legítimos interesses na arena internacional.

Austismo
O ministro das Minas e Energia, José Jorge, comparou o racionamento às situações de guerra vivida por outros países. Deve ter razão. Pelo menos, o governo está mais perdido do que cego em tiroteio.

Nos tribunais
O MST ganhou o primeiro round contra a revista Veja na batalha desencadeada por matéria, na edição de 10 de maio do ano passado, na qual a revista atribuiu ao coordenador do movimento, João Pedro Stedile, crimes variados, como violação de domicílio, formação de quadrilha, corrupção de menores e cárcere privado, além de publicar foto-montagem do líder do MST onde ele aparece segurando uma arma de fogo (pistola). Atendendo a queixa-crime do MST, o juiz da 2ª Vara Civil em São Paulo condenou, em primeira instância, a revista pagar 200 salários mínimos a Stedile. A Veja tem 15 dias para recorrer da decisão a partir do momento em que seja publicada no Diário Oficial.

Choque
Pitonisa ouvida por esta coluna afirma: junto com o racionamento virá um “tarifaço” para ninguém botar defeito. Depois, sim, “prêmios” para quem economizar energia.

Sem luz
A tardia admissão do governo da gravidade do racionamento não foi acompanhada da geração de um mínimo de sensatez no seio do tucanato. Amanhã, o governo dá prosseguimento ao desmonte do setor energético, com a privatização da Cesp. Como é conhecida a preferência dos beneficiários da privataria por tarifas elevadas em detrimento de investimentos, a venda amplifica a crise no setor de geração.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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