Caos anunciado

Abordagem aberta e direta foi feita ontem pelo deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ) a empresários e executivos, com vistas à eleição presidencial de 2002. Em pronunciamento durante entrega do prêmio “Equilibrista do Ano – 1998” ao presidente da Andima, Concetto Mazzarella, o parlamentar enfatizou a necessidade de que cada um dos presentes à solenidade mantivesse atitude de “engajamento político”. Isto porque, se os opositores de FHC conseguirem, no pleito municipal do ano que vem, mais votos do que os partidos da base de sustentação do governo federal, isto vai sinalizar para os observadores mais argutos que há “instabilidade”. Em conseqüência, haverá intranqüilidade por parte dos investidores e os capitais vão fugir do país. O episódio faz lembrar outro protagonizado por Mário Amato, então presidente da Fiesp, que em 1989 estimou em 800 mil o número de empresários que abandonariam o Brasil caso Lula vencesse Collor.

Rebelião
Os nove governadores do Nordeste – que formam na equipe governista – aprovaram a criação de um bloco para defender os interesses regionais e vão exigir, no próximo dia 9, em Recife, que o governo federal conceda tratamento diferenciado para os estados da região. Frustados com a falta de propostas do Governo Federal para resolver os problemas financeiros dos estados, os governadores querem a redução do percentual pago com a rolagem da dívida – o que representaria, na prática, a renegociação desses débitos. Defendem também o fim imediato do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal), a revisão da Lei Kandir e melhor divisão dos recursos do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Ensino Fundamental e Valorização do Magistério). As decisões tomadas na próxima sexta-feira, em Recife, deverão ser apresentadas no dia 15, em Aracaju (SE), durante o encontro que pretende reunir os governadores de todo o país.

Desastre
O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou as operadoras de telefones de todo o país. Segundo o porta-voz da presidência, Georges Lamazière, o presidente afirmou que cabe à Anatel regular o setor e cobrar providências. Disse ainda que as empresas deveriam ter sido mais previdentes na implantação do novo sistema de interurbanos. O mesmo se pode dizer quanto aos eleitores.

Engano
Um pequeno empresário instalado no Rio de Janeiro, que não quis se identificar, tentou ligar ontem para o serviço de auxílio às listas em São Paulo usando o novo sistema de discagem DDD – o número da operadora (021 ou 031), o código da cidade (11) e o número desejado (121). Ficou surpreso ao ouvir a gravação da Telesp: “Esse número não existe, favor consultar o catálogo ou chamar o serviço de informações”. Para confirmar se estava procedendo corretamente ou não, o empresário chegou a ligar duas vezes para o auxílio às listas no Rio e nada adiantou. Na primeira vez a atendente explicou que bastava ligar (011) 121, mas a funcionária seguinte disse que o procedimento correto era discar 121 11. Depois de tantos desencontros, a chamada ficou para ser tentada novamente hoje.

Linha dura
A privatização do setor de telecomunicações serviu, pelo menos, para comprovar na prática que o usuário de telefone não é o proprietário da linha telefônica. A Telemar, sucessora da Telerj, está retirando a linha de quem atrasar por mais de três meses o pagamento da conta. Dependendo do histórico da dívida do usuário este perderá, para sempre, o direito de ter nova linha.
Mão dupla
Se pode perder a linha telefônica, o sacrificado usuário deveria ter o direito de ir na Telemar ou Embratel e receber indenização por não conseguir fazer sua ligação interurbana. Aliás, este direito existe; basta ser questionado na Justiça.

Bug
Os catastrofistas que criticam o fiasco que foi a estréia da “concorrência” na telefonia deveriam olhar o saldo positivo dos últimos três dias: foi uma preparação dos usuários para o que vem por aí na virada para o ano 2000.

Geral
Não foi só o interurbano que deixou o carioca revoltado com as empresas de telefonia. Centrais telefônicas dentro da cidade do Rio não conseguiam completar ligações para outras centrais no próprio município. O problema prejudicou pelo menos um provedor de Internet. A explicação, nesse caso, fica por conta exclusiva da Telemar.

Ameaça
Está difícil o presidente argentino, Carlos Menem, largar a Casa Rosada, que já ocupa por dez anos – período em que o país portenho empobreceu e perdeu a autonomia sobre sua moeda. Depois de ver frustrados seus planos de uma segunda reeleição, Menen – que entregará a faixa presidencial no final deste ano – já faz planos para voltar em 2003. Durante a abertura tradicional da reunião anual da ABA (Associação dos Bancos da Argentina), Menem afirmou que a partir do próximo ano pretende freqüentar o evento como convidado, “e, quem sabe, daqui a quatro anos, eu esteja nesse mesmo lugar.” Resta saber se os eleitores vão concordar com esses planos. O favorito para ser o próximo presidente argentino é Fernando de la Rúa, candidato da coalizão de oposição (Aliança).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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