Caos generalizado

Opinião / 12:37 - 19 de fev de 2003

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O cidadão que vive na cidade do Rio de Janeiro está estupefato. No plano federal, presencia a ação de uma administração que, após ser eleita com a promessa de fazer o oposto do realizado por FHC, assume fazendo exatamente o mesmo. A nova administração procura empurrar pela goela abaixo da população as reformas preconizadas pelo FMI e ainda não aprovadas, a começar pela previdenciária, capaz de provocar danos irreparáveis à classe trabalhadora. Nenhuma reforma será concretizada, no presente momento, em favor dos trabalhadores. Infelizmente, esta é a verdade, sonegada pela mídia amestrada, a serviço permanente dos "donos do mundo". A antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) deverá passar a ser permanente, com a mesma alíquota. O chamado superávit primário aumentou para 4,25% do PIB, subtraindo mais recursos do social, inclusive, para sobrar mais recursos para o pagamento de juros. A taxa Selic é elevada para 25,5% ao ano, sob o pretexto de combater a inflação de demanda, quando, no Brasil de hoje, ela é caracterizadamente de custos. A adoção das medidas impostas pelo fundo agrava a miséria, o desemprego, a exclusão social, a concentração de renda. Não há programa de fome zero capaz de anular os efeitos maléficos da implantação desta política perversa. O setor financeiro, com especial destaque para os bancos, continua a explorar os cidadãos, auferindo lucros cada vez maiores. A população paga tarifas e juros crescentes, sofrendo horas em filas, enquanto os servidores do sistema financeiro vão sendo progressivamente extintos. Na esfera estadual, o triste espetáculo de uma administração incapaz de cumprir com seus compromissos básicos, a começar pelo pagamento de suas obrigações trabalhistas, como salários, 13°, abono de férias e outros, há duas administrações. Os escândalos são noticiados a cada dia pela imprensa, em especial os dos fiscais da arrecadação que possuem contas no exterior, comprovadamente, chegando ao cúmulo de negarem a posse das citadas contas e, ao mesmo tempo, negarem-se a permitir a transferência delas para os representantes do poder público, caso sejam de suas respectivas propriedades. E os problemas arrastam-se sem solução. Acusações são trocadas entre as administrações e os óbices continuam. A administração atual está inerte, sem saber se assume a oposição à administração Lula ou se adere, faturando alguns cargos. Os hospitais e escolas estaduais estão com seus servidores em greve. Faltam medicamentos, gazes, material de trabalho. A alimentação é intragável. Telefones são cortados por falta de pagamento. Pacientes não são atendidos,m voltando da porta até parturientes em processo de dilatação. No plano municipal, o alcaide acumula recursos, porque só arrecada e nada faz. Oferece empréstimo de dinheiro a juros de mercado à administração estadual, pois possui dinheiro em caixa de sobra. Em contrapartida, a cidade permanece abandonada. As construções irregulares prosperam sem controle. A população de e na rua invade todos os locais. As ruas estão esburacadas e sujas. Nenhuma iniciativa nova é implementada e as antigas não são retomadas. Apenas é notícia o conflito diário entre ambulantes e os integrantes da Emuvig (Empresa Municipal de Vigilância), equivocadamente chamada de Guarda Municipal, agora de uniforme novo. Coincidentemente, bastante parecido com o de uma empresa particular de vigilância. O cidadão paga 36,45% do PIB em carga tributária e o retorno é pífio. É necessária a reversão deste danoso processo, com a adoção de um modelo diametralmente oposto ao atual. A resistência deve começar a atuar no âmbito individual e no plano coletivo, sob pena de, em pouco tempo, os danos ao povo serem irreversíveis. Marcos Coimbra Professor titular junto à Universidade Candido Mendes, professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG). mcoimbra@antares.com.br www.brasilsoberano.com.br

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