Capes evacuada pelo governo

Falta de apoio e de respaldo por parte da direção, pouco empenho para a retomada da avaliação quadrienal e inconsistência de prioridades.

Segue, a galope, o processo de desidratação das Universidades Federais, públicas e gratuitas, pela ação antinacional do Governo Federal. Desta vez, o alvo foi a Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), criada em julho de 1951, com o propósito de consolidar e aperfeiçoar a pós-graduação stricto sensu.

Claudia Queda é o nome da sua nova presidente. Ela coordena um curso de mestrado que tirou nota 2 (baixa; em uma escala de 2 a 5) e foi descredenciado, conforme recomendação da própria Capes, em 2017. Advogada e reitora da faculdade particular Centro Universitário de Bauru, Cláudia Queda foi nomeada para o cargo recentemente. Por argumentos contornáveis da burocracia menor, ela dissolveu o Conselho Técnico-científico do órgão.

No final de novembro de 2021, 6 coordenadores e 46 consultores da Capes (áreas de Matemática, Probabilidade e Estatística e de Física e Astronomia) renunciaram aos cargos que ocupavam. Em carta aberta, o coletivo apontou como razão do ato a falta de apoio e de respaldo por parte da direção da Capes/MEC. O documento ainda lista outros motivos, como a falta de ação da Capes para a retomada da avaliação quadrienal, que está paralisada por uma decisão liminar da Justiça. Além disso, os demissionários alegam inconsistência na fixação de prioridades, ao priorizar a abertura de novos cursos a distância, em detrimento da avaliação dos que estão hoje em funcionamento.

 

Torcida antirracismo

Para dar continuidade às homenagens ao Mês da Consciência Negra, durante o mês de novembro, a camisa do Torcedor Antirracista estará à venda exclusivamente na Inter Store do estádio da Beira-Rio, em POA/RS ou pela internet. Criado com o intuito de monitorar, acompanhar e noticiar os casos de racismo no futebol brasileiro, o Observatório da Discriminação Racial do Futebol promove a hashtag #PorMaisRespeito.

 

Teatro Ruth de Souza

A Prefeitura do Rio de Janeiro recém inaugurou, no Parque da Ruínas, em Santa Teresa, o teatro Ruth de Souza, primeiro a receber o nome de uma atriz negra, homenagem à primeira protagonista negra de uma telenovela (A Cabana do Pai Thomas), primeira atriz negra a encenar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, primeira atriz negra a ser indicada a um prêmio internacional (Festival de Veneza).

 

Pobreza e pobres. Hoje, no Brasil

Se a canoa não virar, o Brasil fechará 2021, com um contingente de 61,1 milhões de pessoas vivendo na pobreza e 19,3 milhões na extrema pobreza, de acordo com o relatório divulgado no final do primeiro semestre, pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/Usp). São consideradas pobres as pessoas que vivem com uma renda mensal per capita inferior a R$ 469 por mês, ou US$ 5,50 por dia, conforme critério adotado pelo Banco Mundial. Já os extremamente pobres são aqueles que vivem com menos de R$ 162 mensais, ou US$ 1,90 por dia.

Em 2019, os brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza somavam 51,9 milhões. Isto significa que, em 2021, o Brasil terá mais 9,1 milhões de pobres do que antes da chegada do coronavírus ao país. Em 2020, em plena pandemia, os extremamente pobres eram 13,9 milhões. Conclui-se que, em dois anos, 5,4 milhões de brasileiros serão incluídos no contingente da carência extrema.

Para as pesquisadoras responsáveis pelo relatório, economistas Luiza Nassif-Pires, Luísa Cardoso e Ana Luíza Matos de Oliveira, o aumento da miséria esperado para esse ano revela que o auxílio emergencial, com valor médio de R$ 250, foi insuficiente para recompor a perda de renda da população mais pobre, em meio à pior fase da crise sanitária, provocada pela Covid-19.

Até 2014, a pobreza vinha diminuindo durante anos no Brasil, graças ao avanço de políticas sociais como o Bolsa Família, aos ganhos reais do salário mínimo e à ampliação do acesso à educação.

Em 2015, sob efeito da crise econômica, a tendência se inverteu, e a miséria voltou a crescer, ano após ano. A trajetória de alta da pobreza, no entanto, foi interrompida em 2020, graças ao efeito do auxílio emergencial. O benefício foi criado em abril do ano passado, com valor de R$ 600, que podia chegar a R$ 1.200 para mães solteiras chefes de família. Foram pagas cinco parcelas nesses valores cheios e outras quatro com os valores reduzidos à metade, num total de R$ 295 bilhões.

 

Mulheres negras, as mais prejudicadas

Embora a redução do estímulo fiscal afete o Brasil como um todo, são as mulheres negras as mais prejudicadas pela redução do auxílio emergencial em 2021, aponta o estudo. Antes da pandemia, a pobreza atingia 33% das mulheres negras, 32% dos homens negros e 15% das mulheres brancas e dos homens brancos. Com o auxílio reduzido em 2021, esses mesmos indicadores devem subir a 38% (mulheres negras), 36% (homens negros) e 19% (brancos e brancas).

Já a taxa de extrema pobreza, que antes da crise, era de 9,2% entre mulheres negras, 8,9% entre homens negros, 3,5% entre mulheres brancas e 3,4% entre homens brancos, com o benefício emergencial nos valores de 2021, deverá chegar, respectivamente, aos percentuais de 12,3% (mulheres negras), 11,6% (homens negros), 5,6% (mulheres brancas) e 5,5% (homens brancos).

Mesmo entre os mais fragilizados, mulheres negras são o destaque negativo.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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