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segunda-feira, janeiro 18, 2021

Capitalismo

O economista Márcio Pochmann ajuda a demolir a tese de que só reduzindo os direitos trabalhistas serão criados postos de trabalho com carteira assinada: “Os dados de 2004 mostram que o emprego formal cresceu tanto nas micro e pequenas empresas como nas grandes empresas. No capitalismo, o emprego não é determinado pelo custo do trabalho. Se houver demanda e renda para consumir aumentará a produção e, por consequência, o emprego. Fora disso, temos uma visão distorcida que levou a questão para o lado da oferta, ou seja, quanto menor o custo de trabalho, maior o emprego. É um equívoco que não se mostrou correto.”

Bom para o “Brazil”
O ex-deputado e jornalista Milton Temer revisita o depoimento do ministro Antonio Palocci à CPI dos Bingos, no fim de janeiro, para reafirmar o caráter siamês de PT, PSDB e PFL. Temer lembra que a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) chamou a atenção do plenário para o tratamento “VIP que boa parte da oposição de direita  – por absoluta identidade programática – dedicava ao ministro”, independentemente de ele não responder de forma objetiva às questões. Embora não tivesse sido citado, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) achou por bem negar que o apoio a Palocci fosse indício de posição ideológica direitista. Segundo ACM, o ministro era bem tratado pela “oposição” PSDB/PFL, “porque sua política era boa para o Brasil”. Ou seria Brazil?

A direita no divã
Para Temer, a reação de ACM reatualiza antigo dogma do conservadorismo tupiniquim. Aqui ninguém que defenda o sistema financeiro, a redução de gastos em educação, saúde etc., seqüestro de direitos trabalhistas, em suma, políticas de direita, aceita ser chamado de direita. Apesar da indignação seletiva do pefelista, seu partido participa de entidade internacional, cujos filiados, como o RPR francês, a CDU alemã, o PP espanhol e o Partido Conservador inglês se definem, sem pudores, como de direita, ainda que essa definição seja seguida do adjetivo “democrática”. Só o PFL brasileiro, integrado por políticos com a trajetória de ACM e Jorge  Bornhausen e Cia., pratica políticas de direita sem ser de direita, ironiza o jornalista.

Luxo
A compra de um Audi não ficará mais restrita ao público que enche sacolas na Daslu. Mas quem for encarar o financiamento especial anunciado pela filial da montadora alemã no Brasil terá que fazer esforço e esquecer a lógica: para um Audi A3 1.6 (carro que divide a plataforma com o mais modesto Golf, da Volkswagen), que custa R$ 67.340, a entrada mínima é de R$ 30.315 (45% do valor do automóvel). O restante pode ser pago em 24 parcelas fixas de R$ 699, mais uma parcela residual no valor congelado de R$ 33.670, a ser pago depois de dois anos da aquisição do veículo. Ou seja, o consumidor paga o carro durante dois anos para continuar devendo tudo no final.
Tal “vantagem” só existe mesmo no Brasil onde, segundo os cálculos da própria Audi, num financiamento convencional, com a mesma entrada, a prestação ficaria três vezes maior. até o dia 28 de fevereiro ou enquanto durarem os estoques. Quem quiser aproveitar a “oportunidade” deve correr: a festa termina no final do mês.

De volta
A Executiva Nacional e as bancadas federais do PDT se reúnem nesta terça-feira, em Brasília, para decidir o futuro do deputado federal João Herman (SP), acusado de receber ilegalmente mesada de um empresário paulista. Herman, inocentado pela Corregedoria da Câmara dos Deputados, poderá ter sua pena de suspensão extinta pela direção do PDT.

Como vota
Com o adiamento, pela quarta vez, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do julgamento da ação direta de constitucionalidade (Adin), com a qual a Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) pretende impedir que o Código de Defesa ao Consumidor seja aplicado aos bancos, aumenta a curiosidade nacional: como votará o presidente do STF, Nelson Jobim? Como o julgamento foi remarcado para o próximo dia 15 e Jobim anuncia que deixará o Supremo, em março, essa deve ser a votação mais importante antes de o ex-ministro de FH voltar à política partidária.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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