Carnaval deve aquecer vendas de parte do comércio paulistano

Pontos situados na rota dos blocos podem ter queda no faturamento, diz associação de bares e restaurantes.

São Paulo / 16:23 - 19 de fev de 2020

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O Carnaval de São Paulo deve aquecer as vendas de apenas parte dos estabelecimentos comerciais. De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os pontos localizados na rota dos blocos Carnavalescos podem registrar queda de até 50% no faturamento. A avaliação é a mesma do ano passado.
Por outro lado, para os estabelecimentos que ficam mais longe das aglomerações de pessoas, a expectativa é de aumento de 10% a 20% de ganhos. Segundo a Abrasel, o resultado positivo está relacionado à vinda de turistas para a capital. Em 2019, a alta esperada para esses casos era menor, de 8% a 10%.
Em nota, a Abrasel explica que a grande diferença na margem de lucro observada entre empresários do ramo deve-se ao fato de que o acesso a vários locais é limitado durante o período, com a interdição de ruas. Com isso, ressalta, alguns deles ficam em desvantagem.
Na percepção dos comerciantes consultados pela entidade, a concorrência com os vendedores ambulantes é outro fator que pode levar a prejuízo nos negócios. Na pesquisa, também são citadas circunstâncias como a preferência dos foliões por comprar produtos em supermercados, em vez de adquiri-los em bares e restaurantes, e a ausência de uma clientela já consolidada, que acaba viajando para outras cidades e deixando de consumir nos cinco dias de feriado.
No comunicado distribuído à imprensa, a Abrasel destaca que diversos empresários ouvidos para o levantamento reivindicaram à prefeitura mais segurança pública e investimento. A entidade pede que as autoridades revisem os critérios para definir o roteiro dos blocos, de maneira que haja menos bloqueios nas ruas e "rápidas lavagens e varrições", além de incentivos para atrair turistas para espaços gastronômicos da capital.
Para o presidente da Abrasel São Paulo, Percival Maricato, a variação no índice mais otimista explica-se pelo porte da edição deste ano do Carnaval. Em número recorde de participações, 865 blocos e cordões somarão 960 desfiles, que foram iniciados no último dia 15 e se encerram em 1º de março.
"Está crescendo porque o Carnaval de São Paulo está crescendo. É um fenômeno que tem causas específicas, a animação dos blocos. Pode ter algo associado ao cenário econômico do país, mas o principal é um evento específico, que está se animando", afirmou Maricato à Agência Brasil.
A Prefeitura de São Paulo estima que, este ano, o lucro gerado ao longo do Carnaval ultrapasse o registrado em 2019. No ano passado, a festa movimentou R$ 2,1 bilhões somente com as atividades de rua. As comemorações feitas no Sambódromo deram retorno adicional de R$ 220 milhões.
Projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada no último dia 3, mostra que a capital paulista deve ter crescimento de 5,4% nas receitas produzidas no Carnaval, atingindo R$ 1,94 bilhão.
Na previsão da CNC, 18,2 mil vagas de empregos serão oferecidas no Carnaval, em todo o país, pelo segmento de serviços de alimentação. O volume corresponde a cerca de 71% do total de postos de trabalho abertos na data.
Em outra pesquisa da CNC, o comércio varejista deve ter um prejuízo de R$ 19,6 bilhões em 2020 com os nove nacionais, sendo seis prolongados.

O levantamento apontou que em 2019, o comércio varejista e atacadista tiveram um prejuízo de R$ 17,4 bilhões com os feriados nacionais. A CNC estima que haja uma queda de 8,4% na lucratividade do comércio a cada feriado. Na pesquisa não estão incluídos os feriados estaduais e municipais.

 

Com informações da Agência Brasil

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