Carnaval vai injetar R$ 1 bilhão na economia da cidade do Rio

Consumo de alimentação e bebidas; viagens/passeios para fora da cidade e uso de aplicativos de transporte são os principais gastos.

Rio de Janeiro / 10:58 - 17 de fev de 2020

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A cidade do Rio de Janeiro tem se destacado nos últimos anos como um centro de cultura e lazer no período do Carnaval. Centenas de blocos (foram quase 500 em 2019, e mais de 600 em 2018) arrastam, pelas ruas da cidade, mais cinco milhões de pessoas. Levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (Ifec-RJ), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) mostra que a economia da cidade também será beneficiada. Com os moradores da capital fluminense, nos cinco dias de folia, esta movimentação deve chegar a R$ 1 bilhão.

O estudo também perguntou aos moradores da cidade do Rio quais serão os principais gastos no período: consumo de alimentação e bebidas (44,6%); viagens/passeios para fora da cidade do Rio (17,2%); uso de aplicativos de transporte/taxi (6,1%); compra de fantasias ou adereços (2,6%); desfiles das escolas de samba-Sambódromo (1,9%); e festas temáticas (1,6%).

Entre os cariocas que tem a intenção de ficar na cidade (82,9%), o gasto médio por pessoa será de R$ 200 neste Carnaval.

As atividades turísticas relacionadas à data deverão alcançar faturamento de R$ 8 bilhões em 2020, sendo o maior volume de receitas desde 2015, conforme estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Embora os segmentos especializados em alimentação e hospedagem, como restaurantes, hotéis e pousadas, sejam os que mais responderão pela receita (cerca de 88%), diversos outros devem se beneficiar diretamente do feriadão, como agências de viagens, vestuário, centros automotivos e até mesmo pet shops.

De acordo com Reginaldo Stocco, CEO da vhsys, empresa especializada em gestão empresarial, os pequenos empreendedores de diferentes setores devem ficar atentos às oportunidades que surgem durante este período. "O Carnaval movimenta toda a economia e sai perdendo quem não enxerga as possibilidades. Alguns exemplos são os centros automotivos, que podem oferecer pacotes de revisão para quem viaja de carro; os pet shops, que podem ofertar roupas temáticas para os animais de estimação ou reforçar a divulgação de espaços onde os donos podem deixar seus pets durante viagens longas; as lojas virtuais podem preparar produtos temáticos, promoções e investir em um layout comemorativo. São várias ideias que podem surgir a partir de uma data que impulsiona o consumo do brasileiro e atende a alguma necessidade do público-alvo", diz.

Na análise de Stocco, os empreendedores podem usar o Carnaval para sentir o impacto da economia nesses períodos de maior movimento, o que pode servir como teste para outros feriados do ano.

"Os empresários precisam avaliar a situação em cada região, fazer um planejamento prévio e mudar a rotina. O horário de atendimento pode ser ampliado, assim como o mix de produtos, mas sem exagerar no estoque. Outro exemplo é olhar para diferentes tipos de público e treinar os funcionários para oferecer uma experiência alegre, garantindo a fidelização. O Carnaval ajuda a se conectar com o cliente por meio de temas atuais, e isso serve como um treinamento para outras épocas festivas, como Páscoa, festa junina e Natal", diz.

Ainda segundo Stocco, os pequenos empresários precisam ficar atentos à gestão do negócio nesses períodos atípicos. "Esses momentos quebram a rotina da empresa e a gestão deve ser a mais precisa possível. Os gestores devem ficar de olho no estoque, avaliar quais serviços complementares ele deve oferecer, quais produtos podem ganhar desconto, o que deve ser reposto. São vários detalhes que precisam estar acertados para que uma boa oportunidade não se torne uma dor de cabeça", aconselha.

Segundo a CNC, os segmentos especializados em alimentação, como bares e restaurantes, devem movimentar R$ 4,8 bilhões; as empresas de transporte de passageiros rodoviário, aéreo e de locação de veículos rodoviários, R$ 1,3 bilhão; e os serviços de hospedagem em hotéis e pousadas, R$ 861,3 milhões. Eles responderão por mais de 88% de toda a receita gerada com o Carnaval.

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