Carteira de crédito mantém trajetória de crescimento

O saldo total de crédito deve crescer 0,9% em junho, o melhor resultado para o mês desde 2014 (+1,0%) e o quarto avanço mensal seguido, reporta a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada nesta quarta-feira. Caso a estimativa seja confirmada pela Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central, o ritmo de expansão anual da carteira deve mostrar nova aceleração, de 16,1% para 16,3%, sinalizando que a oferta de crédito segue fluindo em um ritmo bastante forte, contribuindo para a retomada da atividade econômica.

As projeções da Pesquisa Especial de Crédito da Febraban, divulgada mensalmente como uma prévia da nota do BC, são feitas com base em dados consolidados dos principais bancos do país, que representam de 38% a 89% do saldo total do Sistema Financeiro Nacional, dependendo da linha, além de outras variáveis macroeconômicas que impactam o mercado de crédito.

A previsão é que a alta de junho deverá ser novamente liderada pela carteira destinada às famílias (+1,7%), que deve acelerar seu ritmo de expansão anual para 17,7%, um patamar bastante elevado e já bem acima do ritmo pré-pandemia (+12,0%). O maior avanço deverá vir da carteira livre (+1,9%), beneficiada pela reabertura da economia, o que favorece especialmente as linhas ligadas ao consumo, enquanto a carteira direcionada (+1,5%) deve manter sua trajetória de expansão, liderada pelos créditos imobiliário e rural.

De acordo com Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, o crédito destinado às famílias deve se manter como o principal responsável pelo crescimento da carteira neste ano. “No geral, os resultados mostram uma oferta de crédito bastante positiva neste 2º trimestre, superior ao já forte desempenho do trimestre anterior, o que reforça a percepção de recuperação da atividade econômica e a importância do crédito para este impulso”, afirma.

Empresas e concessões

A carteira pessoa jurídica deverá mostrar estabilidade no mês de junho (-0,1%), com desempenho oposto entre os recursos. A carteira livre deve crescer 0,9%, favorecida pela reabertura e retomada da economia, além da sazonalidade favorável de linhas relacionadas ao fluxo de caixa, como desconto de duplicatas e recebíveis e antecipação de faturas de cartão. A carteira direcionada, por sua vez, deve mostrar retração de 1,9% em junho, a 5ª nos últimos 6 meses, refletindo a interrupção dos programas públicos de crédito.

As concessões de crédito devem apresentar crescimento mensal de 6,5% em junho, acumulando expansão de 9,0% em 12 meses. Com o resultado, o volume acumulado em 12 meses deve aumentar pelo 3º mês seguido, em outro sinal de retomada da economia, após a acomodação observada no 1º trimestre, impactada pela interrupção dos programas públicos de crédito e pelo agravamento da pandemia da Covid-19.

Segundo a Pesquisa Especial de Crédito, a alta do mês poderá ser liderada pelas concessões destinadas às empresas (+12,8%), que devem apresentar bom desempenho em ambos os recursos. As operações com recursos livres devem mostrar crescimento de 11,2%, impulsionadas pela retomada da economia e pela sazonalidade favorável das linhas relacionadas ao fluxo de caixa. No caso das operações direcionadas (+36,2%), parte da expressiva alta decorre de alguma recomposição em relação aos meses anteriores, embora também favorecidas pelo crédito rural, que, além de impulsionado pelo bom desempenho do setor agropecuário, conta com o início do Plano

Safra 21/22.

Já o volume de concessões para pessoas físicas deve crescer 1,0%. Ainda que apresente uma alta mais contida no mês, a variação acumulada em 12 meses segue ganhando fôlego, e pode superar 10%, reforçando a expectativa de que as operações destinadas às famílias devem liderar o crescimento do crédito em 2021.

Entre os recursos, o melhor resultado deve vir das operações direcionadas (+4,7%), que seguirão impulsionadas pela demanda aquecida por créditos imobiliário e rural. No caso das operações livres, apesar de favorecidas pela reabertura das atividades econômicas, o avanço deve ser mais modesto, de 0,4%, explicado, em parte, pela alta base de comparação de maio, mês impulsionado pelo Dia das Mães.

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