Cartilha ultrapassada

Estima a agência de avaliação Fitch que o PIB brasileiro crescerá 5,5% em 2010, após uma contração estimada de 0,4% em 2009. No México, a Fitch prevê que o PIB deva aumentar 4%, após uma contração de 6,5% em 2009. Apesar da disparidade e de admitir que as contas externas do Brasil são melhores e o dinamismo econômico, maior, o rating do México continuará um grau acima do brasileiro. A justificativa, fora o blá-blá-blá sobre os “pontos fortes estruturais” dos mexicanos e menor peso da sua dívida pública, é ideológica. Segundo a Fitch, “o México também tem um histórico mais longo de políticas macroeconômicas prudentes que resultaram em menor volatilidade de seus principais indicadores macroeconômicos”.

Os incomodados
Ainda sem ter passado do anúncio à realidade, a volta da Telebrás já se encontra sob forte ataque especulativo das teles e de seus porta-vozes midiáticos. Para tornar mais palatável uma causa impopular, a defesa dos péssimos e caros serviços das teles privadas, em particular na banda larga, os incomodados com a presença de um ator com forte poder regulador em relação a qualidade e preços recorrem ao velho estilo udenista de misturar moralismo seletivo com a essência do debate.
Por isso, o presidente Lula não deve se limitar a responder a eventuais questões sobre tráfico de influência, nem muito menos se deixar intimidar por chantagens jornalísticas. Mais importante é levar o debate à população sobre as vantagens de o Estado brasileiro ter participação e denunciar as razões dos que tentam interditar essa ação do seu governo. O resto é linha cruzada a serviço de interesse$ contrariado$.

Nuvens cinzentas
O recuo na produção de automóveis – de 8,8% em janeiro com relação a dezembro, na série dessazonalizada pelo Instituto para Estudos sobre Desenvolvimento Industria (Iedi) -poderá ter reflexos sobre a produção da indústria como um todo, como ocorreu nos dois últimos meses de 2009. Na comparação com janeiro de 2009, houve um crescimento de 30,5% no setor automobilístico, mas essa taxa é inflada pela pequena base de comparação.
Queda nas consultas ao SCPC (comércio paulista) e no fluxo total de veículos nas rodovias com pedágio também preocupam o Iedi, mas nas estradas há um dado positivo: aumento de 2,4% do fluxo de veículos pesados, que eles refletem o ritmo das atividades econômicas do país.

Sem sustos
“Me dá meu dinheiro aí!” é o tema de simpósio que acontece nesta sexta, no Rio. Levantamento de dívidas vencidas, como não ter sustos com o cartão de crédito e estabelecimento de metas financeiras serão alguns dos temas abordados no evento realizado pela consultoria Commutare em parceria com o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-RJ). Mais informações pelo email [email protected]

Kassab sob fogo cerrado
O PSOL promove, nesta quinta-feira, às 12h, ato em apoio à cassação do prefeito de São Paulo (DEM), Gilberto Kassab. A manifestação será em frente à Prefeitura, no Vale do Anahangabaú. Em nota, o partido declara seu apoio ao Ministério Público, que defende a rejeição das contas do prefeito: “O financiamento privado de campanha política é o ponto de partida da corrupção na política brasileira. Para que esse balcão de negócios desapareça das eleições, é preciso que o financiamento público e exclusivo de campanhas seja aprovado. Só assim o poder econômico não vai decidir as eleições nesse país”, afirma o PSOL.

Meca
A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 trazem ao Rio as multinacionais Mace Group e Adac, interessadas em investir em obras na cidade. As empresas, que já investem em Dubai e em Abu Dhabi, buscam parcerias com construtoras de médio e grande porte. Nesta quinta-feira, têm reunião no sindicato do setor (Sinduscon-RJ).

Janela
Aumenta com velocidade impressionante o número de assessores admitidos sem concurso na Eletrobrás. A ponto de ter sido divulgado nesta quarta-feira um boletim – assinado pela associação de empregados (AEL) e pelos sindicatos dos Engenheiros, dos Economistas e dos Trabalhadores em Energia (Sintergia), entre outros – com denúncias sobre os que entraram pela janela. Muitos deles nem aparecem na sede da empresa, no Rio. Uma das “fantasmas” seria sobrinha de influente político paraense.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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