Cautela

Ao contrário de seus colegas do Unibanco, a equipe responsável pelas análises de tendências econômicas do BankBoston está cautelosa com o cenário brasileiro. Segundo a publicação Brazil Trends de junho, se a questão cambial parecer equacionada, “a questão fiscal permanece como maior ameaça à manutenção da estabilidade de preços e à retomada do crescimento econômico de forma sustentada e duradoura”. Apesar da ressalva, os analistas do banco dizem acreditar que a cobrança da CPMF e uma gradual recuperação da economia podem melhorar a performance fiscal até o final do ano, com aumento da arrecadação tributária – causada pela elevação das alíquotas de impostos e contribuições.
Dúvidas
Para o ano 2000, a análise do BankBoston é de que há uma percepção de que as metas acertadas com o FMI são difíceis de serem alcançadas. Boa parte das receitas que inflaram a arrecadação em 99 não vão se repetir – caso do pagamento de impostos e contribuições que eram contestados por instituições financeiras e do adiantamento de parcela da privatização da telefonia, que só deveria entrar no ano que vem. Apesar disso, analisa o banco em sua publicação, que no ano 2000 a arrecadação da CPMF será maior, pois em 99 a cobrança com alíquota maior só começou em junho. Todo esse esforço de cobrança de impostos empobrece o país para garantir gordos pagamentos aos detentores de títulos do Governo e aos credores externos.
Sem produção
Apesar das incertezas quanto ao desempenho fiscal no ano que vem, uma coisa é certa: a queda na participação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na arrecadação. Estes tributos, diretamente ligados à produção e ao ganho de renda, perdem espaço para contribuições cobradas sobre o faturamento, com CPMF e Cofins. A participação do IR no PIB era de 5,08% em 98 e deve desabar para 4,56% em 99; o IPI representava 1,81% do PIB e não deve ultrapassar 1,77% este ano.

Pintando o sete
Curiosidade histórica: o Museu de Arte Moderna (MAM), onde será realizada a reunião de cúpula de América Latina, Caribe e União Européia, foi palco da única reunião do FMI no Brasil. A reunião foi realizada em 1967, ocasião em que foi construído o anexo do museu, mais tarde transformado em primeira sede do Ibmec.
Voz rouca
Aproveitando a realização da Cimeira, sindicalistas, estudantes e oposicionistas realizam nesta segunda-feira, às 16h, ato na Cinelândia. O objetivo é denunciar os estragos das políticas neoliberais implementadas pela grande maioria dos governos presentes à reunião no Rio. A principal palavra de ordem da manifestação é “Fora FH e o FMI”.

Murchou
Comemorado pelo governo, o recorde da safra agrícola deste ano pode ficar no campo virtual. Aos poucos, à medida em que chegam os números definitivos, a previsão do IBGE vai encolhendo. No levantamento feito em maio a estimativa era de colher 81,440 milhões de toneladas; a previsão de junho, divulgada ontem, murchou para 81,229 milhões de toneladas. Até setembro, outras toneladas devem sumir. O recorde atual, colheita de 79,5 milhões de toneladas de grãos, foi obtido em 95 – nada a ver com o início do governo tucano; a decisão de plantio é tomada no ano anterior, no caso, no Governo Itamar.

Atraso tecnológico
As seguradoras dos Estados Unidos estão calculando em US$ 35 bilhões o prejuízo com prêmios a serem pagos a empresas que não poderão ou não conseguiram atualizar seus computadores para evitar o “bug”.

Boa vontade
Apesar da regulamentação pelo Congresso do exercício da quiromância no país, os pitacos dos economistas oficiais mostram ter sido essa mais uma daquelas leis que “não pegaram”. Por isso, esta coluna se sente à vontade para também arriscar um palpite. A presença de quase 50 de Estados e de Governo no Rio vai operar milagre impensável: as balas perdidas e seqüestros vão sumir do noticiário dos “jornalões” nos próximos dias.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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